As Olimpíadas resgatam valores universais em meio ao caos mundial
A presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Kirsty Coventry, destacou de maneira enfática os valores humanos que fundamentam o evento.
Dois cenários têm sido frequentemente debatidos nas redes sociais. O cenário político-econômico internacional, iniciado há cerca de dois anos, revela um ambiente caótico, marcado pelo desrespeito às leis que sustentam uma convivência pacífica.
Nesse contexto, prevalece a lei do mais forte e do mais astuto, em detrimento de normas e princípios universais que orientam as relações entre pessoas e nações. Em oposição, surge o cenário proporcionado pelas Olimpíadas, que resgata e reafirma a importância das leis que regem as disputas por medalhas.
Neste ambiente, todos os países e seus representantes são obrigados a obedecer rigorosamente às regras estabelecidas para a competição. Ninguém chega se impondo como o mais forte.
A cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de inverno de 2026, realizada em Milão, destacou o tema “Armonia”, celebrando a cultura italiana com apresentações inspiradas em sua arte, música e história. A presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Kirsty Coventry, destacou de maneira enfática os valores humanos que fundamentam o evento.
Em sua fala, ela ressaltou a coragem, o respeito e a união como elementos essenciais que guiam atletas e delegações de todo o mundo. Coventry enfatizou ainda o compromisso com o fair play, conceito que vai além das regras do esporte e representa o jogo limpo, a ética e o respeito mútuo entre competidores.
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Ao afirmar que os atletas representam o melhor da humanidade, Kirsty Coventry reforçou a ideia de que os Jogos são mais do que uma competição esportiva: eles simbolizam a integração, o respeito e a convivência harmoniosa entre diferentes povos e culturas. Assim, a presidente do COI reiterou o papel dos Jogos Olímpicos como espaço de celebração dos valores universais e da busca por uma convivência pacífica, mesmo diante de um cenário internacional marcado por tensões e violações de normas.
Princípios das Olimpíadas e da ONU
As Olimpíadas são regidas pela Carta Olímpica, que consagra princípios fundamentais como o respeito mútuo, igualdade de oportunidades, fair play e a proibição de qualquer forma de discriminação. Paralelamente, a Organização das Nações Unidas (ONU) estabelece normas baseadas em sua própria Carta, que define objetivos como a manutenção da paz, respeito aos direitos humanos, cooperação internacional e soberania dos países membros.
Tanto as Olimpíadas quanto a ONU compartilham a missão de orientar a convivência e o respeito entre diferentes nações, promovendo valores universais de tolerância e justiça.
Desrespeito às leis internacionais e suas consequências.
No entanto, observa-se frequentemente o desrespeito às leis que regem o convívio entre as nações. Exemplos disso incluem invasões de países, anexações de territórios, tratamento desumano a migrantes — perseguidos em suas residências e locais de trabalho, em situações que remetem a práticas da Gestapo na Alemanha nazista —, além da perseguição a minorias e a proliferação de atos de racismo e xenofobia. Essa desordem e violação dos direitos humanos provocam a desestruturação das relações tanto humanas quanto internacionais, fomentando insegurança, medo e ódio entre os povos.
A mensagem das Olimpíadas: num mundo onde até governantes poderosos desrespeitam leis, destacamos cinco dimensões principais: valores sociais, impacto econômico, desenvolvimento urbano, ambiente e cultura. Esses elementos ajudam a entender por que os Jogos ainda têm relevância simbólica e prática num cenário internacional marcado por violações de regras, tensões políticas e fragilidade institucional.
As Olimpíadas promovem princípios como respeito, igualdade, fair play e cooperação entre povos. Estudos destacam que os Jogos reforçam a união entre culturas e inspiram jovens por meio de exemplos de superação e disciplina.
Esse aspecto simbólico é essencial num mundo onde normas de convivência internacional são frequentemente quebradas. Em meio a um cenário global marcado por guerras, invasões, perseguição a minorias, racismo, xenofobia e a erosão das normas internacionais, as Olimpíadas surgem como um contraponto ético e simbólico.
Elas lembram à humanidade que é possível estabelecer e respeitar regras compartilhadas, mostrando que a cooperação entre diferentes culturas pode funcionar e que disputas podem ocorrer dentro de limites claros e com respeito mútuo. As Olimpíadas demonstram que, mesmo diante de um contexto internacional conturbado, a humanidade é capaz de produzir ordem, beleza e união.
Princípios de convivência internacional
Embora os Jogos não resolvam conflitos globais, eles servem como exemplo prático de como o mundo poderia ser se os princípios de convivência internacional fossem respeitados da mesma forma que são nos Jogos. Dessa maneira, seu legado simbólico enfatiza a relevância de valores universais, como a tolerância, a justiça e o respeito, atuando como uma fonte de inspiração para a criação de um convívio mais harmonioso entre os povos. Impacto social e motivação coletiva.
Os Jogos Olímpicos mobilizam a sociedade, incentivando crianças e jovens a observar atletas brasileiros alcançando destaque no universo esportivo. O evento destaca como disciplina, respeito às regras e esforço coletivo levam a resultados positivos, demonstrando que excelência é possível com ética. As Olimpíadas reforçam a importância da cooperação e do respeito mútuo, promovendo relações baseadas em princípios sólidos e igualdade de oportunidades, mesmo em um mundo marcado por conflitos e instabilidade.
Desenvolvimento econômico. Embora sejam polêmicos, muitos Jogos proporcionam vantagens econômicas duradouras: um estudo da FGV revelou que o Rio 2016 teve um impacto de R$ 99 bilhões na produção total e gerou mais de 465 mil postos de trabalho, sendo a maior parte dos investimentos provenientes do setor privado.
Em outras palavras, quando bem planejados, os Jogos podem reforçar serviços públicos, infraestrutura e impulsionar a economia local. Projetos de mobilidade, revitalização de áreas degradadas e modernização urbana são parte frequente do legado olímpico. Exemplos como o BRT do Rio e melhorias urbanas surgiram diretamente desse contexto.
Em Tóquio, houve forte foco em sustentabilidade, tecnologia e reconstrução nacional após desastres, que contrasta com a desorganização e arbitrariedade comum na política internacional atual. Sustentabilidade e consciência ambiental. Os Jogos recentes têm priorizado: energia renovável, redução de resíduos, mobilidade sustentável.
Essas ações ampliam a conscientização global sobre práticas responsáveis. Cultura e identidade. Os Jogos fortalecem a cultura local e projetam identidade nacional para o mundo. Mostram a diversidade humana e reforçam a convivência respeitosa entre nações. Por que isso é essencial hoje? Num mundo marcado por unilateralismo, invasões, perseguição a minorias, racismo e xenofobia, erosão de normas internacionais, as Olimpíadas funcionam como um contraponto ético e simbólico.Elas lembram que: regras compartilhadas são possíveis.
Cooperação entre diferentes culturas funciona. Disputas podem ocorrer com respeito e limites claros. A humanidade ainda é capaz de produzir ordem, beleza e união.
Valores universais
É inegável que as Olimpíadas não solucionam problemas globais, mas funcionam como um modelo prático de como o mundo poderia ser se os princípios de convivência internacional fossem aplicados como são nos Jogos. Em um cenário mundial marcado pela degradação de normas internacionais, conflitos e pela transgressão das leis por parte de líderes políticos proeminentes, as Olimpíadas se configuram como um poderoso lembrete de que o multilateralismo, a coexistência baseada na diversidade, nas regras, no respeito e na colaboração permanecem viáveis.
Seu legado — que se materializa na promoção de valores universais, na inspiração social, no desenvolvimento econômico e urbano, na sustentabilidade e na celebração da diversidade cultural — atua como um contraponto simbólico ao tumulto político atual.
Os Jogos mostram, na prática, que disputas podem ocorrer dentro de limites éticos, que diferentes nações podem conviver em harmonia, dialogar e que a humanidade continua capaz de criar momentos de união e ordem. Mais do que um evento esportivo, as Olimpíadas revelam o mundo que poderíamos construir se os princípios que as regem fossem levados a sério no cenário internacional.
As Olimpíadas representam uma oportunidade única para que todos os governantes, ao presenciarem as disputas entre seus atletas e os de outros países, possam reconsiderar suas práticas unilaterais, autoritárias e discriminatórias. O evento esportivo evidencia que a beleza e a harmonia são frutos da diversidade de origens, cores e valores, demonstrando como diferentes culturas podem conviver de forma respeitosa e produtiva.
Espera-se que as Olimpíadas sirvam como um momento de reciclagem e recuperação para dirigentes políticos que, em muitos casos, já estão sendo avaliados e reprovados por seus próprios povos. E para a democracia, um convite a utilizar nossos votos para penalizar aqueles líderes políticos que desrespeitam as leis. Diante de um cenário internacional repleto de tensões, desrespeito às normas e violações de direitos humanos, os Jogos Olímpicos emergem como um espaço simbólico para reflexão e autocrítica dos governantes e de nós, governados.
O evento, fundamentado no respeito, igualdade e convivência harmoniosa, desafia líderes a repensarem políticas e atitudes incompatíveis com esses valores universais. Mais do que vitórias esportivas, as Olimpíadas inspiram a superação do orgulho, a prepotencia e a revisão de condutas inadequadas e danosas às conquistas civilizatórias, promovendo mudanças alinhadas à ética e à justiça.
O ambiente olímpico representa um convite concreto à tolerância, ao diálogo e ao compromisso com a dignidade humana e ao multilateralismo, servindo de modelo para a construção de uma convivência global mais justa e pacífica. Assim, o legado olímpico vai além do esporte, funcionando como referência para líderes mundiais que buscam transformar práticas em prol de um mundo mais justo e harmonioso.
*Esse texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.