Ceará pode ter centro de excelência da Universidade Federal do Esporte no CFO; entenda
Projeto de Lei que cria a nova instituição de ensino superior foi assinado pelo presidente Lula nesta quinta-feira (27).
Duas instituições de ensino superior inéditas, com temáticas específicas, devem ser criadas no Brasil em 2026. O Projeto de Lei (PL) que cria a Universidade Federal do Esporte (UFEsporte) e a Universidade Federal Indígena (Unind) foi assinado nessa quinta-feira (27) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Ambas terão sede em Brasília, mas a UFEsporte pode ter ligação direta com o Ceará. A ideia, de acordo com o ministro da Educação, Camilo Santana, é que a instituição tenha centros de excelência nas cinco regiões do País – um deles sediado no Centro de Formação Olímpica (CFO), em Fortaleza.
O PL seguirá para apreciação e votação no Congresso Nacional apenas em 2026.
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“Vamos aproveitar algumas estruturas do legado das Olimpíadas para fazer parte de centros de excelência que seriam ligados à Universidade, como o CFO, do Ceará. Há uma estrutura enorme lá, com tudo o que há de exigência dos Comitês Olímpicos. Mas ainda vamos definir isso melhor”, afirmou Camilo.
Outro espaço cogitado para funcionar como centro de excelência é a Arena Carioca 1, na cidade do Rio de Janeiro. O objetivo da UFEsporte é promover “formação acadêmica, científica e tecnológica”, de acordo com o Governo Federal.
O Diário do Nordeste contatou os Ministérios da Educação e do Esporte para questionar que tipos de atividades serão realizadas no CFO, caso o PL seja aprovado. Os órgãos ainda não confirmaram a informação.
Cursos da Universidade Federal do Esporte
A UFEsporte será a primeira universidade federal do Brasil dedicada exclusivamente ao esporte. Segundo o Governo Federal, a instituição terá foco na formação acadêmica, científica e tecnológica voltada tanto ao desenvolvimento de atletas quanto às áreas de gestão, políticas públicas e pesquisa.
André Fufuca, ministro do Esporte, afirma que a universidade “vai ter curso de Marketing Esportivo, Direito Esportivo, Medicina Esportiva, várias áreas que poderão capacitar os atletas de hoje para serem grandes técnicos e construírem um futuro para o esporte nacional”.
A UFEsporte tem a previsão de iniciar as atividades em 2027, mas a data depende da tramitação do PL e da fase de implantação física dos Centros de Excelência.
Entre os cursos presenciais e semipresenciais de graduação, pós-graduação e tecnólogos serão, de acordo com a União, estão nas áreas de:
- Ciência do Esporte
- Educação Física
- Gestão e Marketing Esportivo
- Medicina e Reabilitação Esportiva
- Psicologia e Sociologia do Esporte
- Direito e Políticas Públicas do Esporte
- Economia do Esporte
Os polos da Universidade Aberta do Brasil (UAB) também serão ligados ao funcionamento da UFEsporte.
Bolsas para estudantes
A UFEsporte oferecerá duas modalidades principais de bolsas: a Bolsa Permanência Esportiva, destinada a estudantes em situação de vulnerabilidade e a atletas em transição de carreira, e a Bolsa Ciência do Esporte, voltada para intercâmbio e formação acadêmica no exterior.
A instituição, segundo o Ministério da Educação, não substituirá cursos já existentes, como Educação Física; ao contrário, a proposta é complementar e expandir a formação oferecida pelas universidades federais.
Universidade Federal Indígena
Já a Universidade Federal Indígena (Unind) está prevista para iniciar as atividades com dez cursos de graduação, com possibilidade de expansão para até 48 durante a implementação. A instituição deve atender cerca de 2,8 mil estudantes indígenas nos primeiros quatro anos, de acordo com o Governo Federal.
Segundo o MEC, que capitaneia a implementação junto ao Ministério dos Povos Indígenas (MPI), a instituição terá processos seletivos próprios, estruturados para considerar a diversidade linguística e cultural dos povos indígenas.
Os cursos de graduação e pós-graduação serão ofertados em áreas definidas como prioritárias pelas comunidades indígenas, entre elas:
- Gestão ambiental e territorial
- Gestão de políticas públicas
- Sustentabilidade socioambiental
- Promoção das línguas indígenas
- Saúde
- Direito
- Agroecologia
- Engenharias e tecnologias
- Formação de professores
- Áreas estratégicas para o fortalecimento da autonomia dos povos indígenas, para a atuação profissional nos territórios e para a inserção profissional indígena em diferentes setores do mercado de trabalho
"A Unind é uma iniciativa do Governo do Brasil para a formação de indígenas a partir de um modelo educacional que fortaleça as identidades e os saberes tradicionais, em diálogo com a educação não indígena", pontua o ministro Camilo Santana.
De acordo com o Governo Federal, a criação da Unind resulta de um processo de consulta realizado ao longo de 2024. O MEC, o MPI, a Funai e instituições de ensino superior promoveram 20 seminários regionais com representantes de diversos povos, que contribuíram para o documento-base da proposta.
*Estagiária sob supervisão da jornalista Dahiana Araújo.