Balizadores de ciclofaixa da avenida Domingos Olímpio são retirados temporariamente

AMC afirma que equipamentos serão reinstalados ainda neste mês.

Escrito por
Ana Alice Freire* ana.freire@svm.com.br
Esta fotografia captura uma avenida movimentada em um dia nublado, com foco em uma ciclofaixa central de sentido duplo. A via para ciclistas é delimitada por linhas vermelhas no asfalto e separada dos carros por pequenos balizadores amarelos e brancos; nela, dois ciclistas pedalam em direções opostas. À esquerda, o tráfego flui com carros brancos e vermelhos e um ônibus urbano branco ao fundo. À direita, há uma fila de veículos estacionados ou em trânsito lento. No centro, um canteiro divisor estreito e elevado possui árvores jovens e postes de sinalização. Em primeiro plano, as listras brancas de uma faixa de pedestres cruzam a base da imagem, enquanto ao fundo observam-se prédios residenciais, semáforos e uma rede de fios elétricos que atravessa o céu cinzento.
Legenda: Estruturas de proteção flexíveis, os balizadores foram instalados na ciclofaixa da avenida após o carnaval de 2025.
Foto: Fabiane de Paula.

Os balizadores que delimitam a ciclofaixa da avenida Domingos Olímpio, em Fortaleza, foram retirados temporariamente, gerando reclamações e medo entre ciclistas que costumam utilizar o espaço.

Segundo a Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC), os equipamentos foram removidos por causa da estrutura montada para o Carnaval na via e serão reinstalados ainda neste mês, no trecho entre as avenidas da Universidade e Aguanambi.

A retirada provisória não havia ocorrido em anos anteriores porque a implantação de balizadores na avenida foi realizada apenas após o período carnavalesco de 2025. A avenida costuma receber desfiles de agremiações no Carnaval.

Um close-up do asfalto desgastado, focando em uma linha vermelha de sinalização e na base metálica de um balizador que foi arrancado, restando apenas detritos e poeira ao redor.
Legenda: Trecho da ciclofaixa na Avenida Domingos Olímpio apresenta asfalto com marcas de balizadores removidos para o Carnaval.
Foto: Fabiane de Paula.

Com a remoção, ciclistas relatam preocupação com a segurança. Em um comentário nas redes sociais, um usuário afirmou que a “invasão de motos tinha reduzido drasticamente com os balizadores”.

A foto registra o momento em que uma motocicleta invade o espaço exclusivo das bicicletas, agora desprotegido pela ausência das barreiras físicas.
Legenda: A retirada temporária dos bastões de proteção é alvo de críticas por usuários que temem conflitos com veículos motorizados.
Foto: Fabiane de Paula

A estrutura foi instalada para criar uma barreira visual e física e reduzir conflitos entre veículos motorizados e bicicletas. Flexíveis, os balizadores são feitos principalmente de poliuretano, polietileno ou borracha, materiais que oferecem menor resistência a impactos repetidos.

Repercussão entre ciclistas

A reportagem esteve na avenida nesta semana e conversou com usuários da ciclofaixa. A aposentada Ana Lúcia Fontenele, 68, que utiliza a via de duas a três vezes por semana para ir ao mercado, percebeu a retirada dos equipamentos. “Fiquei triste, porque era uma proteção para a gente”, afirma.

Segundo ela, motociclistas costumam invadir o espaço destinado aos ciclistas. Ela defende mais educação no trânsito e respeito às normas de circulação.

“As pessoas não respeitam. Quando a gente anda de bicicleta, tem que prestar atenção em tudo. Eu não sei se os ônibus e carros grandes estão me vendo”, relata.

Um ciclista trafega sobre uma ciclofaixa asfáltica que possui sinalização branca de uma bicicleta e uma linha delimitadora vermelha e branca. A imagem foca no pneu dianteiro preto, no quadro azul da bicicleta e nos pés do ciclista, que calça sapatos pretos fechados. A cena é iluminada pelo sol, projetando sombras nítidas no chão.
Legenda: A ausência da barreira gera preocupação entre ciclistas que utilizam a via de 2,3 km diariamente.
Foto: Fabiane de Paula.

O entregador Rosalier Moreira, 62, utiliza a ciclofaixa diariamente para trabalhar e considera o trecho seguro para pedalar. Ainda assim, acredita que a estrutura poderia ser ampliada. “Acho que deveria aumentar o tamanho da faixa para dar mais segurança para quem anda de bicicleta”, diz.

Já o motorista particular Luis Rógenes, 29, afirma usar a ciclofaixa pelo menos três vezes por semana e avalia que o espaço é um dos melhores da Cidade. “Não costumo ver acidentes com ciclistas por aqui”, comenta.

Um ciclista de chapéu e óculos escuros pedala por uma ciclofaixa delimitada por tachões amarelos e linhas vermelhas, carregando diversas sacolas plásticas penduradas no guidão. À esquerda, uma fila de carros parados em um congestionamento urbano acompanha o trajeto, enquanto à direita vê-se uma calçada com árvores. A cena ocorre durante o dia sob luz solar intensa, destacando o contraste entre a agilidade da bicicleta e o trânsito estagnado.
Legenda: Ciclistas usam a via, majoritariamente, no trajeto ao trabalho.
Foto: Fabiane de Paula.

Estruturas de proteção

De acordo com a Prefeitura, a implantação de balizadores em ciclofaixas começou em Fortaleza em 2019 como uma ação pioneira no Brasil para ampliar a proteção aos ciclistas. A ideia é reforçar a separação entre bicicletas e veículos motorizados, reduzindo riscos no trânsito.

Em nota, a AMC ressaltou que os balizadores vão voltar e informou que reforçará as ações educativas na Domingos Olímpio e em outras vias que contam com esse tipo de estrutura. O objetivo é conscientizar condutores sobre a importância de respeitar a infraestrutura cicloviária e estimular uma convivência mais segura entre os modais.

Veja também

A autarquia também informou que adquiriu cerca de mil novos equipamentos para ampliar a proteção aos usuários de bicicleta na Cidade.

Ciclofaixas em Fortaleza

A ciclofaixa da Domingos Olímpio tem 2,3 quilômetros de extensão, entre as avenidas Bezerra de Menezes e Aguanambi, e fica junto ao canteiro central. A infraestrutura foi implantada em setembro de 2016 e atende bairros como José Bonifácio, Benfica e Farias Brito.

Fortaleza conta atualmente com 502,8 quilômetros de infraestrutura cicloviária. A expansão dessas estruturas faz parte da estratégia do Município para incentivar o uso da bicicleta no sistema de mobilidade urbana.

Segundo dados da Prefeitura, 43% dos ciclistas da Capital utilizam a bicicleta como meio de transporte para o trabalho.

*Estagiária sob supervisão das jornalistas Dahiana Araújo e Mariana Lazari. 

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