Tartaruga-marinha considerada a 'maior do mundo' encalha e é resgatada em praia do CE

O último registro da tartaruga-de-couro no Estado teria sido 22 anos atrás, em 2004.

Escrito por
Luana Severo luana.severo@svm.com.br
(Atualizado às 15:25)

Uma tartaruga-marinha rara, popularmente chamada de "tartaruga-de-couro" e conhecida como a "gigante dos oceanos", foi resgatada na tarde dessa quarta-feira (4), na Praia do Presídio, em Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza. O animal não tinha uma das duas nadadeiras e estava levemente ferido, mas clinicamente bem.

Segundo Carlos Mariano, vice-presidente da Associação de Preservação do Meio Ambiente (Apremace), que prestou os primeiros-socorros à tartaruga batizada de "Marina", a aparição dela no Ceará é um evento raríssimo. Antes de ontem, o primeiro e único registro do réptil marinho no Estado teria sido 22 anos atrás, em 2004.

Biólogos cuidando de tartaruga-de-couro.
Legenda: O animal recebeu primeiros-socorros de uma equipe de biólogos da Apremace.
Foto: Divulgação/Apremace.

"Quando [os pescadores que perceberam o encalhe] nos passaram a foto [para fazer o resgate], a gente logo identificou a espécie, porque é uma tartaruga que a gente vinha monitorando há anos para tentar conseguir algum registro dela na região", comentou Carlos, animado.

Ele disse ainda que, apesar da nadadeira amputada e dos ferimentos leves — provavelmente decorrentes de colisões em pedras —, a tartaruga era jovem e estava em "perfeito estado de saúde". A suspeita é que ela tenha vindo fazer a primeira desova ou que seja cria da ninhada de duas décadas atrás. "Quando ela coloca [ovos], no ano seguinte, vem para o mesmo local. E os filhos, quando se tornam adultos, também voltam para o mesmo local", explicou o gestor, que é responsável pelo projeto "Amigos do Mar".

Tartaruga-de-couro encalhada na Praia do Presídio, em Aquiraz.
Legenda: A tartaruga-de-couro jovem encalhou na Praia do Presídio, em Aquiraz.
Foto: Divulgação/Apremace.

O momento do resgate do animal também foi compartilhado nas redes sociais pelo prefeito de Aquiraz, Bruno Gonçalves.

Nesta quinta-feira (5), uma equipe de biólogos da associação fará um "pente-fino" nos ninhos monitorados no litoral do Estado em busca de pistas que ajudem a desvendar a "visita" da tartaruga-de-couro ao Ceará. Há, ainda, a possibilidade de que ela tenha sido "arremessada" por alguma embarcação para outra correnteza marítima e que não tenha conseguido retomar o próprio rumo devido ao membro amputado.

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Tartaruga será devolvida ao mar

Uma equipe do projeto "Cetáceos da Costa Branca", da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERJ), foi à Apremace na manhã desta quinta para buscar a tartaruga e levá-la para reabilitação. A expectativa é de que daqui a três dias, no máximo, ela seja devolvida ao mar.

Profissionais do projeto
Legenda: Profissionais do projeto "Cetáceos", da UERN, buscaram o animal para reabilitação e posterior soltura em alto-mar.
Foto: Divulgação/Apremace.

"A gente vai acompanhar essa soltura em alto-mar", garantiu Carlos Mariano.

Quais são as características de uma tartaruga-de-couro?

Tartarugas-de-couro estão criticamente ameaçadas de extinção no Brasil. Segundo o Projeto Tamar, o litoral norte do Espírito Santo, no sudeste, é a única área conhecida de desova regular da espécie no País, e, a cada temporada reprodutiva, tem sido observada uma redução do número de ninhos, variando entre 50 e 180, aproximadamente.

De acordo com Carlos, da Apremace, o animal chega a medir aproximadamente 2,2 metros e pesar cerca de 700 quilos quando adulto. Além disso, a nomenclatura popular vem do fato que, diferentemente de outras tartarugas-marinhas, esta não tem carapaça rígida ou escamas, e, sim, couro. 

Tartaruga sendo levada por biólogos
Legenda: O animal foi monitorado durante a noite e estava em perfeito estado clínico, apesar de uma nadadeira amputada.
Foto: Divulgação/Apremace.

O Serviço Nacional de Pesca Marinha dos Estados Unidos (NOAA Fisheries) destaca, também, que a espécie é a que tem o mergulho mais profundo já registrado, atingindo quase 1,2 mil metros — mais fundo do que a maioria dos mamíferos marinhos, por exemplo.

Veja também

Possíveis ameaças para a extinção da espécie

  • Captura acidental em equipamentos de pesca;
  • Coleta direta de tartarugas e ovos;
  • Perda e degradação do habitat de nidificação;
  • Colisões de embarcações;
  • Poluição oceânica/detritos marinhos;
  • Mudanças nas condições ambientais.

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