Poema inédito de Mario Quintana é encontrado por livreiro em Porto Alegre

George Augusto achou o manuscrito 'Canção do Primeiro Ano' em um livro pertencente a um acervo com mais de 5 mil volumes

Poema inédito de Mario Quintana
Legenda: Poema será doado à Biblioteca Pública Estadual do Rio Grande do Sul
Foto: Arquivo pessoal

O livreiro George Augusto, de Porto Alegre (RS), localizou um poema inédito de Mário Quintana, que morreu em maio de 1994. O manuscrito "Canção do Primeiro Ano" foi achado dentro de um livro do poeta, adquirido de uma coleção particular com mais de 5 mil volumes. 

O papel desgastado, que contém a assinatura de Quintana, data de 1º de janeiro de 1941. A grafia do poeta foi comparada com outros registros da letra dele. George teve a ajuda do professor e diretor do Theatro São Pedro, Antônio Hohlfeldt. 

Ao G1, o livreiro disse ainda que localizou no acervo "bilhetes de loteria, cartas, poemas de desespero de um amor rompido".

O presidente da Associação de Amigos da Biblioteca Pública Estadual do RS, Gilberto Schwartzmann, confirmou a originalidade do documento, cuja produção tem o mesmo formato de outras poesias escritas por ele.

A entidade comprou o poema e o livro para serem doados ao acervo da biblioteca. O manuscrito também deverá ser exposto na Casa de Cultura Mário Quintana, no Centro de Porto Alegre, onde ele viveu.

Canção do primeiro do ano

Pelas estradas antigas
As horas vêm a cantar.
As horas são raparigas,
Entram na praça a dançar.

As horas são raparigas…

E a doce algazarra sua
De rua em rua se ouvia.
De casa em casa, na rua,
Uma janela se abria.

As horas são raparigas
Lindas de ouvir e de olhar.
As horas cantam cantigas

E eu vivo só de momentos,
Sou como as nuvens do céu…

Prendi a rosa dos ventos
Na fita do meu chapéu.
Uma por uma, as janelas
Se abriram de par em par.

As horas são raparigas…

Passam na rua a dançar.
As horas são raparigas
Lindas de ouvir e de olhar.

As horas cantam cantigas
E eu vivo só de momentos,
Sou como as nuvens do céu…

Prendi a rosa dos ventos
Na fita do meu chapéu.

Uma por uma, as janelas
Se abriram de par em par.

As horas são raparigas

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