Leia mulheres em 2022: a importância das histórias contadas por elas

Escritoras cearenses situam experiências e compartilham a lista de leituras para este ano

Legenda: Da esquerda para a direita, as escritoras Anna K Lima, Lorena Portela e Sabrina Morais: narrativas para driblar opressões e silenciamentos
Foto: Divulgação

Pensei nas mais variadas formas com as quais poderia começar este texto. O fato de ser um homem escrevendo sobre literatura feita por mulheres pode gerar (compreensível) incômodo. Na outra ponta desse argumento, porém, há o desejo de quebrar paradigmas. Afinal, livros escritos por mulheres não apenas podem como devem ser lidos e comentados por homens, outras mulheres, pessoas das mais diversas faixas de idade, credos e condição social. 


 
Essa compreensão me acompanha há algum tempo e tem provocado intensas metamorfoses, a começar pelas histórias que passei a colecionar em minha biblioteca pessoal. Muitas ecoam as alegrias, dores, sonhos e perspectivas de mulheres, numa dinâmica tão rica quanto necessária.

Autora do romance “Primeiro eu tive que morrer” (Independente, 2020), a cearense Lorena Portela, colunista do Diário do Nordeste, afirma que um dos motivos para ler mais mulheres está relacionado ao repertório. “Elas estão contando histórias excelentes, bonitas, originais, corajosas, e sinto que muitos desses trabalhos não interessam aos homens, talvez por acharem que se trata de ‘coisa de mulher’. Isso não existe”, argumenta.

Para ela, o diferencial literário está, na verdade, na narrativa que cada pessoa pode ou quer contar. A maternidade, por exemplo, não deveria ser um tema encarado apenas como feminino. “Claro que há nuances que podem se aprofundar mais se abordadas por uma mulher ou por uma pessoa com útero, talvez. No entanto, na ficção, há tudo que se cria, o que se imagina, o que se deseja, o que se propõe”, percebe.

Legenda: Para Lorena Portela, o diferencial literário está, na verdade, na narrativa que cada pessoa pode ou quer contar
Foto: Fabiane de Paula

“Fora isso, quem não foi/é mãe e foi ou é filho(a), também está inserido numa sociedade em que mães existem. Eu considero a maternidade um tema universal. O diferencial que vejo é que mulheres estão contando essas histórias com suas verdades e há um certo preconceito do público”. A mais recente edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil reúne pertinentes dados sobre essa realidade ainda tão cruel.

Conforme o levantamento – o único feito em âmbito nacional com o objetivo de avaliar o comportamento leitor do País – apesar de as mulheres corresponderem a 54% do público leitor brasileiro, dos 15 autores mais lidos, 10 são homens. Baseada nessa estatística, Lorena pressupõe que os homens talvez possuam uma espécie de selo de qualidade automático, algo claramente equivocado.

“Acho que falta as pessoas se interessarem pelas histórias contadas por mulheres e deixarem de categorizá-las como ‘literatura feminina’ – até porque não vejo um livro escrito por homem ser taxado como ‘literatura masculina’. Além disso, livros escritos por homens são considerados ‘universais’, feitos para todos. Livros de mulheres ainda têm essa sombra de terem sido escritos para mulheres”.

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Mercado e silenciamento histórico

Falando-se de mercado editorial, a romancista considera o ano de 2021 animador, tanto no Brasil quanto no mundo. Há grandes autoras atingindo um público maior, a exemplo da inglesa Bernardine Evaristo, da irlandesa Sally Rooney e da nigeriana Ayòbámi Adébáyò – para citar apenas três estrangeiras. Em solo nacional, Carolina Maria de Jesus (1914-1977) parece ter despertado a atenção de muita gente. 

“Insisto na ideia de que a divisão ‘assunto de mulher’ é um problema. No meu livro, por exemplo, falo sobre burnout e assédio no mercado de trabalho. Por que isso é tratado como feminino? Não são os homens, em sua maioria, que estão assediando? Isso não é assunto deles? Por que eles não querem ouvir o que estamos falando? Na obra, também contesto os modelos de trabalho que nos adoecem, falo sobre processos de cura através das redes de amizade, do acolhimento… Por que isso tem que ser visto como ‘coisa de mulher’? Tá tudo errado”.

Legenda: "Acredito que quando uma autora se destaca, todas ganhamos”, percebe Lorena Portela
Foto: Fabiane de Paula

Tão equivocada quanto uma prática bastante realizada, sobretudo em séculos passados, na qual escritoras usavam um pseudônimo masculino para conseguir publicar um livro. Quando não, os próprios maridos eram creditados pela autoria das obras. Lorena expressa um sentimento de tristeza quanto a isso, lançando a seguinte pergunta: quantas autoras ilustres teríamos hoje se as mulheres fossem livres como foram e são os homens? Se não fossem constantemente invalidadas? 

“Até esse caso recente da Elena Ferrante é irritante”, sublinha, citando um dos maiores fenômenos editoriais dos últimos tempos, responsável por, entre outros trabalhos, a tetralogia napolitana. “Eu não me importaria se, de repente, descobrissem que a autora italiana é, na verdade, um homem. Não tenho mais essa ideia de que só uma mulher poderia escrever o que ela escreveu. Mas sinto uma mesquinharia nessa especulação, para dizer o mínimo, talvez uma tentativa de não atribuir esse espaço gigante que a Elena conquistou a uma mulher”.

Nesse movimento, quando questionada sobre quais livros escritos por mulheres ocupam as prateleiras de sua estante e como essas autoras ajudam no processo de evolução textual e humana, Portela diz que essa dinâmica está em franco andamento, e espera que esteja sempre.

Legenda: Romance de estreia de Lorena Portela, "Primeiro eu tive que morrer" fala sobre burnout e assédio no mercado de trabalho
Foto: Divulgação

Ainda muito nova no mercado editorial – ela veio do ramo da Publicidade e escreveu o primeiro livro para realizar um sonho – a cearense residente em Londres quer estudar mais e mais. Ter lido e continuar lendo ferozmente algumas autoras lhe faz querer crescer, tornando-lhe mais irreverente nos textos, ao mesmo tempo que mais destemida também.

“Há autoras que me inspiram de um jeito mais próximo, que acompanho no dia a dia, como Socorro Acioli – que tem me ensinado tanto, para além da escrita. Mas falando de estante, tenho uma variedade de Lygia Fagundes Telles, que talvez seja minha autora preferida. Também Bell Hooks, uma grande perda que sofremos recentemente. E para citar leituras que me mexeram bastante comigo nos últimos tempos, tem as argentinas Ariana Harwicz e Mariana Enriquez. Eu tenho um pezinho no sombrio, me agrada demais”.
Lorena Portela
Escritora

Ao mesmo tempo, ela considera os clubes de leitura que priorizam obras escritas por mulheres algumas das iniciativas mais estimuladoras de novos olhares sobre essa produção. “Participei de dezenas deles desde que lancei meu livro. É sempre uma alegria, e tenho certeza que ajudam a alavancar o alcance das autoras. Só é uma pena que a presença de homens nesses grupos seja quase nula”, lamenta.

Uma editora apenas para mulheres

Essa mesma atividade é citada por outra escritora cearense, Anna K Lima, quanto à maneira de fazer com que cada vez mais leitoras e leitores se aproximem de obras escritas por mulheres. Ela destaca principalmente os clubes realizados nos espaços periféricos, a exemplo daquele na Biblioteca Livro Livre, no Curió. “Periodicamente, dona Ritinha media um clube de leitura somente com as mulheres do bairro – e com quem quiser chegar”, pontua.

“Percebo, na maioria das vezes, que entre as mulheres há sempre uma cooperativa, uma irmandade de nos divulgarmos entre a gente. Quase nunca eu sou apenas a Anna K: comigo, levo várias autoras queridas e talentosas”. Isso porque a literata também é publisher da Aliás Editora, casa surgida em 2017 cujo objetivo é publicar apenas trabalhos desenvolvidos por mulheres na ampla cadeia do livro e da literatura.

Legenda: Além de escritora, Anna K Lima também é publisher da Aliás Editora, cujo objetivo é publicar apenas trabalhos desenvolvidos por mulheres
Foto: Arquivo pessoal

O empreendimento, inclusive, oferta cursos, onlines e presenciais, de escritas afetivas destinados somente para mulheres. “A Aliás Editora existe porque cansamos de ficar nos bastidores, na produção, na eterna ajudinha amiga. Quando nós mesmas queríamos estar no palco, nos fechavam as portas. Os editais não nos contemplavam, as outras editoras não nos desejavam. Pensamos juntas (eu, Isabel Costa e Jéssica Gabrielle Lima, demais integrantes da casa): ‘Nós sabemos fazer isso. Porque não estamos lá fazendo?”, conta.

Assim, uniram saberes e criaram o negócio que, hoje, além da publicação de livros, zines e plaquetes, investe sobretudo em encontros de escritas. De acordo com Anna, são neles que as participantes se percebem protagonistas das próprias histórias. “Isso não tem preço, não tem vocabulário de amor que consiga abarcar”, comemora.

“Há um mantra de uma população indígena norte-americana, os Hopi, que nos serve de norte: ‘Nós somos aquelas que estávamos esperando’. A vida inteira nos disseram e nos dizem que aquele lugar não é nosso. E, quando nos damos conta de que é nosso também, que queremos participar ativamente da brincadeira no mundo – não somente como espectadoras/consumidoras, mas como maestrinas regentes da nossa própria orquestra – aí tudo faz muito mais sentido”.
Anna K Lima
Escritora e publisher da Aliás Editora

Novos pontos de vista

Em sintonia com essas prerrogativas, a escritora acredita que a principal oferta de uma literatura feita por mulheres seja a concepção de que todos os espaços e territórios também podem ser delas. Há tempos a figura do homem, em todos os campos de conhecimento e cultura, é prioritária, colocando as mulheres como criaturas ingênuas, frágeis, desinformadas e alienadas. Assim, o que torna singular a literatura escrita por elas é a pluralidade de mundo.

Não à toa, Anna compreende que, para que as escritoras possam chegar a uma maior diversidade de público, faz-se urgente uma política pública e midiática de incentivo às escritas e às leituras. “Quando uma mulher compreende que ela mesma consegue narrar uma história e que outras pessoas poderão gostar, se identificar, admirar, elas se agigantam”, diz.

Legenda: “Há um mantra de uma população indígena norte-americana, os Hopi, que nos serve de norte: ‘Nós somos aquelas que estávamos esperando’", afirma Anna K Lima sobre a Aliás
Foto: Arquivo pessoal

“Ao iniciar minha escrita dita ‘publicável’, publicando pela primeira vez em antologia, ouvia sempre pessoas próximas e familiares me chamando de poetisa, de artista da família, da sala... E me pediam versinhos de amor. Eu ficava em cólicas. Entendia (e entendia certo!) que uma mulher somente sabia escrever bem se ela falasse de amor, de delicadezas, palavras rimadas e doces, o que nem sempre acontece na minha escrita”.

De acordo com ela, uma excelente dica de desconstrução é, de uma vez por todas, pararmos de nos referir à literatura feita por mulheres como literatura feminina. O termo tem sido utilizado de forma pejorativa e parece sempre exigir que elas retornem a leituras e escritas menos aprofundadas e politizadas quando estão escrevendo sobre o amor e suas delicadezas.

“Já há alguns anos procuro prioritariamente consumir livros escritos por mulheres. Hoje eu conto numa única prateleira os livros de escritores homens. Tenho os meus xodós e meus mestres, mas tenho estado muito mais atenta e curiosa pelo brilhantismo de tanta mulher incrível que tem me chegado. Não são poucas, e isso me anima e me faz querer continuar”.

Lima age, assim, na contramão do machismo presente, entranhado e estrutural no qual estamos todos imersos – algo que lida diretamente com o poderio intelectual, financeiro e cultural. Seria esse mais um motivo para seguirmos no fluxo da escritora Chimamanda Ngozi Adichie quando fala sobre o perigo de uma história única? Para Anna, sim.

“Ouçam as mulheres! Se eu pudesse dar um conselho, seria esse. É cada coisa incrível que temos (e estamos) a dizer.  Precisamos ler mais e mais mulheres para bebermos em outras fontes, visualizarmos novos pontos de vistas”, conclama.

Escritas negras

E quanto às mulheres negras? Como situar a produção literária delas e o alcance dos livros por entre o público e o mercado editorial? Escritora e produtora cultural, Sabrina Morais avalia ser importante uma quebra com o que está posto diante de séculos de silenciamento.

“Existe um cânone literário no Brasil em que se percebe um padrão, uma estagnação. E isso diz muito sobre o tipo de sociedade e cultura machista, racista, classista e xenofóbica – tendo em vista que há um eixo sul-sudeste muito mais reverenciado na literatura – estamos imersas”, contextualiza. Segundo ela, é preciso mais do que nunca ler, ouvir, conhecer, assistir e respeitar o trabalho de mulheres em qualquer área. Mas, na literatura, se faz urgente.

Tendo em vista que por muito tempo a história delas foi contada do ponto de vista do colonizador – este imprimindo nas páginas, conforme salienta, componentes relacionados à opressão, ridicularização, rebaixamento, hiperssexualização e baixa capacidade intelectual dessas mulheres – somente elas, autoras negras, podem apresentar ao mundo o poder das próprias escrevivências, termo cunhado pela escritora Conceição Evaristo.

Legenda: Felizmente, para Sabrina Morais, muitos caminhos foram abertos na seara editorial quanto à publicação de livros de mulheres negras
Foto: Arquivo pessoal

Não sem motivo, a literatura nascida do cotidiano de cada uma, da ancestralidade e da rica cultura de cores e sabores, também trava uma árdua luta para se manter viva. “Nossa literatura não é melhor que a literatura de outras etnias e culturas, mas é única. E somos várias! Somos mulheres negras, cada uma com sua riqueza literária. Contribuímos para a diversidade cultural de nosso País e devemos ser reconhecidas por isso”, brada.

Felizmente, para Sabrina Morais, muitos caminhos foram abertos na seara editorial quanto à publicação de livros de mulheres negras. Isso se deve, sobretudo, pelas batalhas realizadas pelas que vieram antes da escritora cearense, as quais, feito ela, se colocaram no mundo, arriscaram e acreditaram na própria escrita antes de qualquer editora acreditar. 

Soma-se a isso um avanço significativo também nas lutas anti machismo e racismo, e na entrada de mais mulheres negras nas universidades. Tais movimentos impactam em diversas áreas. “É importante destacar ainda o quanto editoras independentes – inclusive muitas que são conduzidas por mulheres negras – contribuíram para esse avanço. É preciso que nossa literatura seja consumida”.

Ela reflete ainda sobre um recente acontecimento, envolvendo a última edição do Prêmio Jabuti, a mais importante honraria literária brasileira. Foram cinco finalistas mulheres na categoria Poesia, contudo todas brancas. “Nós, mulheres negras, também devemos ocupar esses lugares, nossa literatura é muito rica. Mas só será possível se nossos livros forem comprados, se nossa literatura deixar de ser subestimada”, analisa.

Reflexos na carne

Visualizando a própria estrada literária, Sabrina Morais conta que a objetificação e a hiperssexualização são os dois fatores mais problemáticos que enfrenta – sobretudo por também escrever poesia erótica. Autora de “Pele Sentidos Temperatura (editora triluna, 2021), ela acrescenta que a intelectualidade de mulheres negras ainda é muito subestimada quando se expressam corporalmente. Esse dualismo eurocêntrico, responsável por colocar intelecto e corpo como rivais, prejudica a livre expressão artística em um país onde mulheres negras são reduzidas ao prazer sexual. 

Além disso, a escritora também sofre estereótipos, uma vez que muitos esperam de uma mulher negra um tipo específico de literatura e performance. “Esperam que eu caiba no padrão imaginário da branquitude e dos padrões de editais culturais. Esperam que eu performe apenas literatura que fale de dor e de luta, quando posso escrever sobre meu prazer também, sobre meu existencialismo e intelecto, meu corpo e sobre o que eu quiser”, enumera.

“O mito da incapacidade nata das mulheres negras ressoa muito no presente quando nos deparamos com autoras como Gilka Machado, do século XX, pioneira na poesia erótica no Brasil. Negra e pobre, foi esquecida pelo tal cânone literário, apagada pelo machismo, racismo e classismo. É revoltante perceber que, na escola, não estudamos e nem vemos nomes como o de Gilka, dona de uma literatura explosiva de tão linda".
Sabrina Morais
Escritora e produtora cultural

De acordo com ela, quando presenciamos o movimento feminista no Brasil enaltecendo Hilda Hilst (1930-2004) como símbolo da liberdade sexual feminina na literatura, sendo que um século antes havia Gilka Machado enfrentando uma sociedade patriarcal cristã, percebemos o quanto esse apagamento contribui para manter os moldes de uma nação racista.

A percepção, ao mesmo tempo que escancara opressões, estimula outras urgências. Ao refletir sobre as escritoras presentes nas estantes de casa, Sabrina diz que, pelo fato de muitas mulheres ao seu redor serem de periferia e, portanto, não terem acesso facilitado aos livros físicos, é preciso superar o imaginário de uma super biblioteca no lar de cada uma delas. Em vez do papel, grande parte se vale da internet para publicar.

Legenda: Autora de “Pele Sentidos Temperatura", Sabrina Morais diz que a intelectualidade de mulheres negras ainda é muito subestimada quando se expressam corporalmente
Foto: Arquivo pessoal

“A maioria dos livros que tenho acesso são em PDF. Entre eles, estao “O olho de Lilith”, uma antologia erótica de mulheres organizada por Mika Andrade; “Orgasmo Santo”, de Kah Dantas; “Barrósas Memória e Poesia”, da coletiva de mulheres Barrósas; e “A noite escura e mais eu”, de Lygia Fagundes Telles. Estou consumindo mais livros de escritoras cearenses e contemporâneas, pois elas são referência para mim e para a minha escrita. Me fazem acreditar que continuar escrevendo é possível e necessário”.

Seguindo essa corrente, ela recomenda o blog “Escritoras CE”, mantido pela já citada Mika Andrade, como um dos principais canais de resgate de escritoras pioneiras do Ceará, potencializando e conferindo visibilidade às autoras contemporâneas. Sabrina também aprecia o movimento da coletiva “Papel Mulher” – que cola lambes com trechos de poesia de mulheres pelas ruas das cidades – e o movimento “Escritoras Negras”, cujo objetivo é mapear nacionalmente as poetas negras.

“Homens admiram e enaltecem outros homens. E a ‘rivalidade feminina’ imposta pelo patriarcado faz com que mulheres admirem homens e rebaixem outras mulheres. Como já disse, nossa literatura é subestimada. Se um mercado editorial publica e dá visibilidade mais para escritores homens (brancos), que viram best sellers, logicamente o público leitor vai procurar por esses livros e autores, acreditando que supostamente são bons. Eu encaro as más estatísticas fazendo o oposto. Leio mulheres, impulsiono a literatura de mulheres negras e faço literatura. Nosso movimento já está causando rachaduras nessa realidade e isso me faz ter ainda mais tesão em continuar. Estamos mudando o percurso da História”, conclui.

 

> Confira alguns livros na lista de leitura das escritoras para 2022

Lorena Portela
“O movimento dos pássaros”, de Micheliny Verunschk
“Nem sinal de asas”, de Marcela Dantés
“Coração Subterrâneo”, de Olga Savary
"Balada de Amor ao Vento", de Paulina Chiziane
"O olho mais azul", de Toni Morrison

Anna K Lima
“Vista Chinesa”, de Tatiana Salem Levy
“Eu não me movo de mim”, de Jéssica Gabrielle Lima
“Tudo sobre o amor”, de bell hooks
“Em plena luz”, de Tércia Montenegro
“Frantumaglia”, de Elena Ferrante

Sabrina Morais
“Poemas obsessivos”, de Mika Andrade
“Olho de tigre com fome”, de Ma Njanu
“Flor de gume”, de Monique Malcher
“Mulher nua”, de Gilka Machado
“Americanah”, de Chimamanda Ngozi Adichie

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