Grupo Edson Queiroz lança nota oficial sobre Troféu Sereia de Ouro

Em virtude da pandemia de Covid-19, principal comenda do Ceará, criada pelo industrial Edson Queiroz em 1971, não realizará edição neste ano; relembre legado da premiação

Sereia de Ouro
Legenda: Solenidade de entrega do Troféu Sereia de Ouro não será realizada presencialmente neste ano de 2021

De quantos cearenses podemos destacar a honradez, o talento e o sucesso profissional? Certamente de inúmeros, e nas mais diversas áreas de atuação do conhecimento e da prática humana. Enaltecer esses atributos, fomentando a constituição de um modelo cívico para as novas gerações, sempre esteve na base do Troféu Sereia de Ouro

A honraria, principal comenda do Ceará, foi criada pelo industrial Edson Queiroz em 1971, um ano após a fundação da TV Verdes Mares. Desde essa época, a Terra da Luz se viu refletida em um amplo espectro de rostos e trabalhos, responsáveis por valiosas contribuições não apenas para o nosso Estado, mas também para o Brasil e o mundo.

Inspirado no símbolo da emissora – a sereia desenhada pelo artista Mino Castelo Branco – o Troféu pousou nas mãos de grandes nomes durante todos esses anos, construindo uma história infinda de brilhantismo e excelência. Desenhado no horizonte, o mesmo intento: reconhecer o mérito de cearenses vitoriosos em suas atividades profissionais.

Tal princípio – registrado na apresentação do livro editado por ocasião dos 40 anos da comenda – foi assim sublinhado por Dona Yolanda Vidal Queiroz ao definir o objetivo do Prêmio. Não sem motivo, o ímpeto em continuar renovando os votos de estima e deferência a um povo singular, sinônimo de alegria, bravura, entrega e inspiração.

Em virtude do ainda desafiador cenário provocado pela pandemia de Covid-19, frente à extrema necessidade de manter a segurança de todas as pessoas envolvidas no evento – sobretudo os agraciados e convidados – neste ano não será realizada a premiação do Troféu Sereia de Ouro. Por consequência, não haverá entrega de comendas nem sereiados. 

Fica na memória, contudo, a permanência incontornável de uma distinção única para o Ceará e os cearenses. E, de forma especial, o otimismo para que, em 2022, tenhamos finalmente vencido a pandemia, realizando mais uma edição da comenda. É quando novamente mostraremos ao mundo a nossa fortaleza, determinação e capacidade de superar desafios. 

Galeria de prodígios

Valendo-se de edições anuais, a comenda do Sistema Verdes Mares premiou, a partir da primeira edição, quatro personalidades notáveis, pertencentes a segmentos diversos. Homens e mulheres cuja visão de futuro, protagonismo e empenho na condução dos próprios ofícios oportunizaram transformações em benefício da sociedade diante das intensas mudanças na paisagem social e cultural do Estado.

Na entrega da honraria em 2009, Dona Yolanda Vidal Queiroz – que esteve à frente da condução da cerimônia até 2015 – demarcou a multiplicidade dos homenageados, espelho concreto da garra de todos os conterrâneos. “A galeria dos sereiados apresenta um perfil abrangente do caráter e da genialidade do povo cearense, podendo-se dizer que uma grande parte da história do Estado é traçada pelas realizações das personalidades detentoras do Troféu”, enfatizou.

No total, em 49 edições presenciais, a distinção reconheceu a trajetória de 196 nomes. Na proposta da seleção de cada ano, o desejo de ecoar a pluralidade dos talentos da terra – abraçando as ciências, as artes, os negócios, representantes da iniciativa privada e do serviço público, além de figuras abnegadas, legitimadas pela singular doação aos mais necessitados.

Feitos que englobam desde conquistas junto ao Programa Espacial Brasileiro até a descoberta da pele da tilápia para tratamento de queimaduras, por exemplo. A força feminina no Judiciário, a partir de uma luta incansável pelos direitos de todos, chegando às mãos e palavras capazes de moldar a beleza de diversas formas. É tudo sabedoria e tenacidade.

Importante ressaltar que, em todas as travessias empreendidas pelo Troféu, ganharam notoriedade tanto pessoas nascidas em outros estados, com relevante contribuição para o Ceará; quanto cearenses que, fixando-se em outras partes do Brasil e do mundo, levaram consigo as marcas inconfundíveis de nosso chão, a exemplo da coragem e da ousadia.

Esmerada tradição

trofeu sereia de ouro
Legenda: Na cerimônia de entrega do Troféu Sereia de Ouro de 1980, o chanceler Edson Queiroz e Dona Yolanda Queiroz dividindo a alegria do momento de congratulações com familiares, convidados e homenageados. À época, a entrega da comenda era realizada no salão nobre do Ideal Clube

Apesar de realizada desde 1971 – sendo a primeira edição sediada nos jardins da TV Verdes Mares – foi em 1975 que a cerimônia de entrega do Troféu ganhou forma definitiva, primando por um cuidadoso roteiro, seguido à risca. 

Com o passar dos anos, os locais da solenidade também mudaram. Até 2006, realizou-se no salão nobre do Ideal Clube. Depois desse período – dado o crescimento de Fortaleza e a dificuldade de operacionalizar uma iniciativa de tal dimensão – o ambiente escolhido foi o histórico Theatro José de Alencar, tanto o palco principal quanto os jardins do equipamento. Somente duas edições ocorreram no La Maison Dunas.

A única exceção aconteceu em 1982, devido à morte de Edson Queiroz. Chegou-se a cogitar a possibilidade de adiar a edição daquele ano, mas a família do industrial não teve dúvida em mantê-la, mesmo no momento de luto. A entrega do Troféu permaneceu, mais uma vez, dando destaque a quatro personalidades. O momento, contudo, exigiu uma cerimônia mais restrita, realizada no antigo Centro de Convenções.

Agraciada com a comenda em 2016, a escritora Angela Gutiérrez elencou algumas particularidades do evento no discurso de agradecimento. “Dona Yolanda era a alma mater das cerimônias da Sereia de Ouro”, ressaltou. “Durante quase cinco décadas, Dona Yolanda dignificou a entrega do Troféu Sereia de Ouro com a fortaleza dos cearenses que enfrentam a vida de cabeça erguida e a gentileza dos filhos de nossa terra acolhedora”.

A matriarca, de fato, carregava no semblante e no coração a satisfação em chancelar o trabalho de tantas e tantos filhos do Ceará. “Temos exaltado, pelo merecimento, destacadas figuras da vida brasileira, notadamente aquelas cujas atividades transcenderam interesses pessoais e particulares e espalharam benefícios, favores e notoriedade à terra alencarina e ao seu povo”, afirmou no discurso proferido em 1990.

Ecos da comenda

A desembargadora Iracema do Vale – agraciada com a honraria na última edição presencial, no ano de 2019 – salientou no discurso o pleno sentido da distinção. “O Troféu Sereia de Ouro, em sua 49ª edição, consolida-se como o mais cobiçado galardão nestas terras de Alencar. Não pelo simples fato de ser uma comenda, mas, sobretudo e especialmente, por distinguir, ao longo de sua história, ilustres cearenses que fizeram valer a nossa tradição de povo forte, destemido, capaz de conquistar o mundo, de fazer ciência, de se destacar nas artes, na política, na medicina, no direito, sem jamais esquecer suas origens”, declarou.

Por sua vez, em 2010, o bibliófilo José Augusto Bezerra, igualmente homenageado pelo Prêmio, reforçou a grandeza da comenda. “Sabemos que, ao receber este reconhecimento, uma espécie de Prêmio Nobel da nossa região, levamos conosco, na realidade, um pouco das ideias de alguém que tinha em mente gerar riquezas e empregos para sua terra, e erigiu um conglomerado empresarial. Que estava determinado a criar oportunidades para os filhos do Ceará, através da educação, pois sabia que só pela cultura um povo se salva, e ergueu uma das maiores Universidades privadas do País. Que tencionava estimular a criatividade e o trabalho de outros que também tinham sonhos na sua região, e instituiu o Troféu Sereia de Ouro”, expressou.

Glorificado com a láurea em 1994, o jornalista Miguel Ângelo de Azevedo, o Nirez, assim também dimensionou a relevância da iniciativa: “A Sereia de Ouro é um prêmio de reconhecimento dado sem preconceitos e, ao contrário de muitos outros, não se trata de uma premiação de elite. Este prêmio já foi entregue a cientistas, juristas, cantores, intelectuais, políticos, empresários, médicos, atores, religiosos, banqueiros, professores, industriais, jornalistas, músicos, militares, enfim, beneficiando todos os ramos de atividades”.

Confira o comunicado na íntegra 

Igor Queiroz, presidente do Conselho de Administração do Grupo Edson Queiroz
Legenda: Igor Queiroz, presidente do Conselho de Administração do Grupo Edson Queiroz

Em decorrência da pandemia e da manutenção das medidas restritivas por parte das autoridades locais, a solenidade de entrega do Troféu Sereia de Ouro não será realizada presencialmente neste ano de 2021. A honraria do Sistema Verdes Mares, que homenageia personalidades cearenses que contribuem para o desenvolvimento do Ceará, é uma das mais relevantes do estado. Consideramos que o momento, apesar de ser de esperança com o avanço da vacinação, ainda não nos permite realizar um evento desse porte, de modo presencial. A decisão foi tomada pelo Conselho de Administração do Grupo Edson Queiroz (CAD) pensando na segurança de todos os envolvidos na homenagem, sobretudo de nossos ilustres agraciados e convidados. Ano passado, o Sistema Verdes Mares teve que se reinventar e fazer uma campanha especial e extraordinária para celebrar a data. Foram contadas histórias nos veículos de comunicação do SVM de personagens que contribuem diariamente para transformar a realidade em que vivem. Este ano o Troféu completa 50 anos de história. Estamos otimistas de que em 2022 teremos finalmente vencido a Covid e realizaremos a nossa quinquagésima solenidade. Novamente mostraremos ao mundo a nossa fortaleza, a nossa determinação e a nossa capacidade de superar desafios. Voltaremos com a perseverança renovada celebrando cinco décadas do Sereia de Ouro, homenageando mais uma vez o que o Ceará tem de melhor: os cearenses.

Igor Queiroz Barroso

Presidente do Conselho de Administração do Grupo Edson Queiroz

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