Ceará registra média de cinco capturas por dia contra membros de facções
O estado contabilizou um aumento de 21,4% nas capturas em flagrante ou mandado por organização criminosa, durante o primeiro quadrimestre de 2026.
Entre janeiro e abril deste ano, o Ceará realizou 687 prisões e apreensões de pessoas envolvidas com organizações criminosas. Esse valor é 21,4% maior que o do ano passado, quando o estado contabilizou apenas 556 registros, em igual período. Os dados são da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS).
O balanço feito pela Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública (Supesp) aponta um crescimento de 121 capturas, se comparado a igual período de 2025. O número inclui prisões em flagrante de pessoas adultas e apreensões de adolescentes realizadas em todo o estado, durante os quatro primeiros meses do ano.
O aumento da taxa estabelece uma média de 5 capturas de membros de organizações criminosas realizadas por dia no Ceará. As denúncias e investigações relacionadas às facções são apuradas pela Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE), por meio do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO/PCCE)
Ainda nos primeiros quatro meses do ano, o estado registrou também uma redução de 37,2% nas mortes por Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs), em grande maioria relacionados a enfrentamentos armados entre membros de diferentes facções. Ao todo, aconteceram 585 mortes violentas, contra 931 ocorrências no mesmo período do ano passado.
Em nota enviada ao Diário do Nordeste, a SSPDS destacou duas prisões importantes relacionadas ao crime de "promoção de organização criminosa" que aconteceram recentemente no estado. O primeiro caso aconteceu ainda no primeiro quadrimestre, quando João Vitor da Costa Minervino, conhecido como 'MC Black da Penha', foi capturado no bairro Meireles, área nobre de Fortaleza.
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O segundo registro ocorreu em 15 de maio, quando dois homens foram presos em ações distintas, mas pelo mesmo crime de promover a facção Comando Vermelho (CV), nas redes sociais. Segundo a SSPDS, um dos suspeitos chegou a publicar vídeos portando armas de diferentes calibres, ao som de uma música considerada 'hino de facção'.
Primeiro MC preso pela nova Lei Antifacção no Ceará
O 'MC Black da Penha' foi o primeiro cantor preso no Ceará pela nova Lei Antifacção (Lei nº 15.358/2026), também conhecida como Marco Legal do Combate ao Crime Organizado, sancionada em 24 de março de 2026. Antes disso, os cantores que realizavam "promoção de organização criminosa" eram autuados pela Lei de Organização Criminosa, de 2013.
A pena para o crime, que antes era de três a oito anos de reclusão, agora é de 20 a 40 anos, além de pagamento de multa. O cantor carioca foi preso em flagrante no final do mês de abril. Poucos dias depois, a Justiça do Ceará converteu a prisão em preventiva.
Atualmente, ele encontra-se recolhido na Unidade Prisional de Triagem e Observação Criminológica (UPTOC), em Aquiraz, onde ele inclusive teria confessado ter vínculo com a facção carioca Comando Vermelho (CV).
O MC foi preso pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), após realizar um show no bairro Bom Jardim, em Fortaleza. Durante a apresentação, que foi monitorada por oficiais de investigação, o artista carioca teria cantado a música "Tropa do Alok", feita para homenagear um criminoso cearense foragido.
"Influencer do CV" foi preso por fazer apologia em vídeos
Em 15 de maio, outro homem foi preso por utilizar a mesma música, considerada um dos 'hinos do CV'. Lucas Fernandes Alves, de 27 anos, foi capturado no bairro Maraponga, em Fortaleza, local onde ele era responsável pela gestão financeira da facção.
O suspeito teria postado diversos vídeos em que ele aparece realizando disparos de armas de fogo em via pública. Em um deles, ele aparece ostentando uma submetralhadora modelo tipo UZI, de fabricação israelense, ao som da música "Tropa do Alok".
Ao ser abordado por policiais militares e civis no dia da prisão, ele tentou "dar carteirada" e alegou ter relações próximas com pessoas públicas e políticos. Questionado sobre os vídeos com armas, ele falou que os itens pertenciam a uma pessoa do Rio de Janeiro.
De acordo com a Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE), Lucas já é monitorado há meses, devido à atividade suspeita na internet. O investigado tem uma extensa ficha criminal e já responde, inclusive, por roubo qualificado pela participação em um assalto à mão armada dentro de um shopping em 2018.
No mesmo dia, a Draco prendeu outro homem em flagrante por integrar e promover a facção Comando Vermelho (CV), no Ceará. Douglas da Silva Cardoso, conhecido como 'Bocão', é suspeito de interromper o serviço telemático de um provedor de internet, no bairro Antônio Bezerra, em Fortaleza.
Dois dias antes de ser preso, o homem teria publicado um comunicado com ameaças a pessoas vinculadas a uma empresa de internet do bairro. "Não queremos ninguém aqui na nossa área trabalhando com inimigo", escreveu o homem na postagem feita pelo Instagram.
Taxa de prisões cresceu e taxa de mortes caiu
No primeiro quadrimestre de 2026, o Ceará também registrou uma redução nas mortes por Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs). A diminuição mais expressiva ocorreu no mês de fevereiro, considerado o mês menos violento da série histórica (registrada desde 2009).
Durante os 28 dias do mês, 141 pessoas morreram vítimas de crimes violentos, apresentando uma redução de 31,6% em comparação com o ano anterior. Em Fortaleza e na Região Metropolitana, as reduções foram ainda mais significativas: 72,3% na Capital e 57,6% na RMF.
Nas cidades de Maracanaú e Maranguape, que recentemente figuravam na lista das mais violentas do Brasil, não houve registro de nenhum CVLI no mês de fevereiro de 2026. No mesmo período em 2025, 11 casos foram contabilizados em cada um dos dois municípios.
Segundo a SSPDS, parte dessas diminuições está relacionada a um aumento do número de prisões qualificadas. "Em todo o ano de 2025, 35.458 suspeitos foram capturados em flagrante ou por cumprimento de mandado, em todo o estado", afirmou o órgão à reportagem.
*Estagiária supervisionada pelo jornalista Emerson Rodrigues.