Quem é a influenciadora que deve continuar com tornozeleira eletrônica a mando da Justiça do Ceará

A acusada foi denunciada por divulgar e promover ‘Jogo do Tigrinho’.

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Redação seguranca@svm.com.br
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Legenda: De acordo com o MP, a investigada exercia papel estratégico na estrutura delitiva.
Foto: Reprodução.

A Justiça do Ceará decidiu manter o monitoramento eletrônico da modelo e influenciadora Milena Peixoto. A 'blogueira' é uma das denunciadas por divulgar o 'Jogo do Tigrinho' em um processo extenso, que já ultrapassa as duas mil páginas e tramita na Vara das Organizações Criminosas (VDOC) do Tribunal de Justiça Estadual.

A defesa da ré pediu a retirada da tornozeleira argumentando que Milena vem cumprindo regularmente a medida cautelar. No entanto, os magistrados entenderam que "não é possível acolher o pedido de revogação das medidas, pois se revela imprescindível a sua manutenção, dada a gravidade do caso e a necessidade de resguardar a ordem pública".

O Diário do Nordeste acompanha o caso há mais de um ano, desde que a operação foi deflagrada em Juazeiro do Norte, interior do Ceará, com três influenciadores presos. O advogado de Milena não foi localizado pela reportagem. 

Já neste ano, um dos alvos investigados, o influencer e estudante de Enfermagem Janisson Moura Santos teve seu monitoramento eletrônico encerrado a mando da Justiça, que considerou o "lapso temporal em que o acusado encontra-se submetido ao cumprimento da cautelar de monitoração eletrônica".

DESCUMPRIMENTO

O Ministério Público do Ceará (MPCE) primeiro se manifestou requerendo a intimação da Secretaria da Administração Penitenciária e Ressocialização (SAP), solicitando relatório circunstanciado e atualizado sobre o cumprimento das condições de monitoramento eletrônico da acusada.

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A influencer teria violado diversas vezes o monitoramento eletrônico, mas em todas as vezes, segundo a defesa alegou, foi para socorrer o filho dela, que precisava de atendimento médico de urgência.

O MP também foi contra a retirada da tornozeleira. Os juízes acrescentaram que "a manutenção das medidas cautelares impostas é plenamente justificável, pois são adequadas à gravidade dos crimes que lhe são atribuídos e às suas condições pessoais. A revogação das medidas, ao restabelecer as condições anteriores à sua prisão, poderia permitir o retorno à prática de atividades delituosas".

VIAGENS INTERNACIONAIS E CHEFES CHINESES

De acordo com a denúncia, a acusada está inserida em "contexto investigativo atinente à exploração de jogos de azar e apostas clandestinas, popularmente referenciados como 'Jogo do Tigrinho'. 

A investigada exercia papel estratégico na estrutura delitiva, atuando na qualidade de operadora de frentes de divulgação, incumbida tanto do recrutamento e indicação de novos influenciadores ('blogueiros'), quanto da publicidade ostensiva de plataformas de cassino online desprovidas de autorização legal".

"Ao capitanear a audiência de milhões de seguidores para tais sistemas clandestinos, a conduta da representada (em unidade de desígnios com os demais corréus) fomentava diretamente o incremento do poderio econômico da organização. Esse fluxo financeiro ilícito permitia o reinvestimento na rede de influência, ampliando a capilaridade e o alcance social do grupo criminoso. Nesse cenário, a manutenção das medidas cautelares revela-se imprescindível."
Denúncia

A investigação apontou que Milena é amiga de diversas influenciadoras digitais, sendo responsável por indicar o gerente de uma plataforma de 'Jogo do Tigrinho' para a amiga, "que reclamou não ter recebido o valor acordado pela colaboração".

Em poucos meses, a acusada recebeu três transferências bancárias de origem duvidosa, com valor que chegou a R$ 368 mil. 

DIVISÃO DE TAREFAS

13 influenciadores são denunciados neste processo. De acordo com documentos a que a reportagem teve acesso, o grupo movimentou valores milionários a partir do comando de chefes chineses.

Janisson, Milena e os demais faziam propagandas e divulgavam diversas plataformas que exploram jogos de azar: "ostentavam fotos em seu perfil no Instagram de viagens para destinos luxuosos".

Uma das viagens foi para Dubai, sendo as despesas pagas "pelo dono de uma das plataformas divulgadas pelos influenciadores digitais, o que demonstra a proximidade dos denunciados com os donos de cassinos online", disse o órgão acusatório.

QUEM SÃO OS DENUNCIADOS  

  • VICTORIA HAPARECIDA DE OLIVEIRA ROZA 
  • ANTONIO SAMPAIO GRANGEIRO
  • MILENA PEIXOTO SAMPAIO
  • JANISSON MOURA SANTOS 
  • MARIA GABRIELA CASIMIRO DA SILVA FERNANDES
  • TASSIA AVELINA FRANKLIN LEANDRO 
  • DARLEY FELIPE SANTOS DIAS 
  • WELLINGTON LIMA DE ALENCAR 
  • WALYSSON LIMA DE ALENCAR
  • INESSA KARLA NOGUEIRA
  • PALOMA SILVA COSTA 
  • MARIA FABIANA TEIXEIRA DE OLIVEIRA
  • GUSTAVO ANTONIO DE OLIVEIRA JUNIOR

SEQUÊNCIA DE FRAUDES

A organização criminosa se concentrava em Juazeiro do Norte, na Região do Cariri, e cometeu os crimes entre os anos de 2023 e 2025, segundo a acusação, que diz ainda que "as vítimas, em muitos casos, entram em espiral de endividamento, contraindo dívidas com agiotas, comprometendo rendas familiares, vendendo bens essenciais e, em casos extremos, abandonando o trabalho ou afetando a própria saúde mental".

De acordo com a denúncia, a fraude consistia em convencer milhares de seguidores a realizar apostas como 'forma de investimento'. Os influenciadores supostamente garantiam a idoneidade da plataforma a partir da simulação de ganhos irreais por meio de 'contas demo', isto é, contas pré-programadas para vencer.

"A investigação revelou também indícios veementes de crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, crimes contra a economia popular, crimes contra as relações de consumo e crimes contra a ordem tributária, a partir das quais a Autoridade Policial representou por medidas cautelares investigativas, reais e privativas de liberdade em desfavor dos suspeitos. O conjunto de fontes de prova reunidos durante a investigação é robusto e abrangente, não conferindo dúvidas às práticas delitivas dos agentes, permitindo o indiciamento dos denunciados por vários crimes".

Além de levar uma vida de luxo, os denunciados debochavam das autoridades e dos seguidores que relatavam que 'tinham perdido tudo' no 'Jogo do Tigrinho'. Conforme a investigação, o grupo chegava ainda a prometer ‘pix’ aos seguidores, mas, na maior parte das vezes, não fazia as transferências.

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