TJCE mantém absolvição de acusado por matar 2 pessoas e ferir 15 em dia de jogo do Brasil

A defesa diz que não havia provas indicando excesso de velocidade.

Escrito por
Redação seguranca@svm.com.br
tj fachada predio.
Legenda: Na última semana, os magistrados da 2ª Câmara Criminal do TJCE, por unanimidade, negaram o pedido do MP.
Foto: Divulgação/TJCE.

O Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) manteve a absolvição de Davi de Lima Gadelha. O homem foi acusado de matar duas pessoas e ferir outras 15, entre elas uma bebê de um ano, em um acidente na Via Expressa, em Fortaleza, e já tinha sido inocentado pelos jurados do Tribunal do Júri.

Davi sentou no banco dos réus em abril deste ano de 2026, mais de uma década após a tragédia ocorrida em um dia de jogo do Brasil. O Ministério Público do Ceará (MPCE) recorreu da decisão e o caso foi parar no 2º Grau.

Na última semana, os magistrados da 2ª Câmara Criminal do TJCE, por unanimidade, negaram o pedido do MP. A absolvição foi mantida após voto do relator do processo desembargador Eduardo Torquato Scorsafava.

Veja também

A defesa de Davi, representada pelos advogados Leandro Vasques e Holanda Segundo, sustentou que, "embora o acusado houvesse ingerido certa quantidade de bebida alcoólica muitas horas antes do acidente, ele se submeteu a todos exames, tendo o exame clínico realizado no IML atestado que não havia nenhum sinal de alteração na sua capacidade psicomotora".

"Por pura infelicidade, a qual o acusado não tinha como prever, naquela noite um estabelecimento comercial estava promovendo um evento festivo com dezenas de mesas e cadeiras irresponsavelmente dispostas em pleno canteiro central da Via Expressa, em um local conhecido pela população como 'Curva da morte'.
Defesa.

PROVAS

O acidente aconteceu no dia 16 de junho de 2013. As vítimas estavam comemorando em um bar a vitória do Brasil por 3x0 contra o Japão, na abertura da Copa das Confederações.

Na época, o Diário do Nordeste noticiou que o mecânico Antônio Venícius de Souza Cavalcante, 40, teve morte imediata. A empregada doméstica Leuda Ferreira de Souza, 52, ficou debaixo do carro, gravemente ferida. Ela foi encaminhada ao Instituto Doutor José Frota (IJF), entretanto não resistiu. 

"Foi uma mistura de susto e pânico, pois a gente teve noção de que tinha ocorrido uma tragédia", disse uma das testemunhas que estava no local.

Davi conduzia um veículo Fiesta Sedan, que ficou destruído após as colisões.

Populares ainda teriam tentado linchar o condutor do automóvel, que foi levado por policiais militares à delegacia. No 34º Distrito Policial, o suspeito foi autuado em flagrante.

Davi foi acusado por dois homicídios dolosos, por dolo eventual, quando mesmo sem a intenção se assume o risco de matar. Os crimes relacionados às lesões corporais das demais vítimas já tinham prescrito.

Os advogados consideram que não "havia nenhuma prova sobre o alegado excesso de velocidade, pelo contrário, havia um fotossensor 100 metros antes do local, o qual não registrou velocidade acima da permitida pelo veículo".

A defesa também argumentou que o local se tratava de uma curva muito fechada em declive, "onde havia ocorrido 10 outros acidentes similares no último ano, só tendo a prefeitura instalado defensas metálicas após o trágico acidente".

Este conteúdo é útil para você?
Assuntos Relacionados