Soldado presa por morte de PM carbonizado teria usado celular de advogado por 8 minutos

Advogado Walmir Medeiros alega que esqueceu o aparelho em cima da mesa, momento em que Júlia Natália teria ligado para a sogra.

Escrito por Bergson Araujo Costa bergson.costa@svm.com.br
14 de Agosto de 2026 - 20:17
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Legenda: O celular foi apreendido.
Foto: Reprodução / redes sociais.

A soldado da Polícia Militar do Ceará (PMCE) Júlia Natália Girão Gomes, suspeita de envolvimento na morte de um PM carbonizado, teria feito uma ligação de 8 minutos usando o celular do advogado Walmir Medeiros. Segundo o próprio defensor, um sargento o informou sobre o uso do aparelho durante a abordagem que resultou na detenção dele, nesta sexta-feira (14).

“Era o meu celular, que eu esqueci em cima da mesa. Eu não levei um celular para ela. Esqueci o meu celular em cima da mesa e ela ligou para a sogra. Quando eu falei com ela, eu voltei, aí o sargento falou: ‘Dr., o senhor entregou um celular para ela’. Falei: ‘Eu? Eu não trouxe nenhum celular”, disse Walmir Medeiros em coletiva ao sair da detenção.

Após negar que teria levado o celular para a cliente, Walmir Medeiros contou à imprensa que teve o aparelho apreendido e ouviu do sargento: '"Ela usou por 8 minutos'". Ao questioná-la sobre o contato, Júlia teria dito que ligou para a sogra para perguntar sobre a filha e pedir que ela fosse retirada do colégio.

"Eu falei: ‘O que você fez? Ligou para quem?’. Ela falou: ‘Para minha sogra. Falei com ela para tirar a minha filha, perguntei como tava a minha filha, trocar minha filha de colégio”, justificou.

CRIME CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou que a Polícia Militar do Ceará (PMCE) deteve o advogado por crime contra a administração pública.

“O homem teria tentado facilitar a comunicação, com terceiros, de uma soldado PM presa por suspeita de participação na morte do soldado da PMCE, Raphael Sampaio da Silva, de 27 anos”, disse ainda a Pasta. 

O advogado já responde por lesão corporal dolosa no contexto da Lei Maria da Penha. 

A ocorrência foi encaminhada à Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), onde o advogado assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) por ingressar ou facilitar a entrada de aparelho de comunicação, sem autorização legal, em unidade prisional, conforme estabelecido no art 349-A do Código Penal. 

PERMANÊNCIA NO CASO

A Associação dos Profissionais da Segurança (APS) informou que, diante da incompatibilidade existente no caso envolvendo os associados, decidiu encerrar a assistência jurídica prestada à Júlia Natália.

“A decisão foi comunicada à associada e ao advogado Cel. Medeiros, que recebeu orientação expressa para se afastar completamente do caso, inclusive de eventual atuação particular enquanto permanecesse como colaborador da APS”, informou a entidade.

A APS afirmou ainda que, apesar da determinação, o advogado realizou, nesta sexta-feira, visita à Júlia sem autorização da Diretoria. Diante do descumprimento das orientações institucionais, o advogado foi imediatamente afastado de todas as funções exercidas na APS.

Durante a coletiva desta sexta, ele frisou que está “morrendo de vontade de ficar”.

“Eu gosto é de briga boa. E qual é a história? Não tinha motivo para prender meu celular. Eles viram que eu não deixei, que eu não entreguei um celular. Eles sabem disso e pegaram o celular para fazer barulho”, exclamou o advogado.

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