Justiça mantém prisão de policial suspeita da morte de colega PM carbonizado

A soldado presa manteria um relacionamento extraconjugal com o policial, segundo a tia da vítima. A motivação do crime ainda é investigada.

Escrito por Matheus Facundo matheus.facundo@svm.com.br
13 de Agosto de 2026 - 16:24 (Atualizado às 16:27)
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Legenda: A soldado Júlia ingressou na PMCE em 2024.
Foto: Reprodução

Em audiência de custódia nesta quinta-feira (13), a Justiça do Ceará manteve a prisão da soldado da Polícia Militar do Ceará (PMCE) Júlia Natália Girão Gomes, 27, convertendo a detenção em preventiva, por suspeita de envolvimento na morte do soldado da PMCE Raphael Sampaio da Silva, 27, encontrado carbonizado no próprio carro. A motivação do crime ainda é investigada pela Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE). 

O marido da soldado, Antoneudo Ribeiro Lima, 35, também teve a prisão temporária mantida. Ele foi preso por outros crimes, mas a reportagem apurou que ele também é investigado por suposta participação na ocultação do cadáver do PM. 

Júlia manteria um relacionamento extraconjugal com Raphael, apesar de negar em depoimento. A informação sobre a relação entre os dois policiais, colegas de Batalhão, foi repassada em entrevista pela tia de Raphael, Rosilane Sampaio, durante o velório do agente de segurança nesta quinta (13). 

O casal foi preso na última terça-feira (11), horas após o corpo de Raphael ser encontrado em Itaitinga, na Grande Fortaleza. 

Júlia, que era colega da mesma patrulha de Raphael, foi presa em flagrante após se contradizer em depoimento. Ela alegou ter sido agredida, mantida em cárcere e amarrada depois de ver o soldado ser morto a tiros, mas uma câmera de segurança a flagrou de roupa trocada e andando livremente em uma oficina na manhã seguinte

Imagem mostrou policial em oficina e contradisse a versão que ela apresentou em depoimento.
Legenda: Imagem mostrou policial em oficina e contradisse a versão que ela apresentou em depoimento.
Foto: Reprodução.

Antoneudo foi detido após comparecer para prestar depoimento e a polícia encontrar munições, placas veiculares adulteradas e identidades suspeitas na residência onde o casal mora. 

Ambos possuem antecedentes criminais. A soldado Júlia, inclusive, foi indiciada pela Polícia Civil em setembro de 2025 em um inquérito da Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos sobre um grupo criminoso que fraudava contas de transporte particular por aplicativo. O marido foi preso por isso e foi apontado como chefe do bando. 

PM morto a tiros e carbonizado 

Raphael foi morto a tiros após sair de um plantão às 2h da madrugada de terça-feira (11). Um chamado de incêndio que chegou via Coordenadoria Integrada de Segurança (Ciops) por volta das 04h08 levou o Corpo de Bombeiros Militar e a PMCE ao local.

O policial estava vestido com sua farda da PM e algemado com sua própria algema.

Ao debelarem as chamas, bombeiros notaram um corpo no interior do veículo, um Hyundai i30 pertencente ao PM. No local, foi achado um galão de combustível, indicando que o fogo foi criminoso e intencional, conforme consta em documentos obtidos pelo Diário do Nordeste. 

Após o corpo ser encontrado, foi solicitado que os colegas de batalhão de Raphael fossem ouvidos. Dois PMs foram à Delegacia de Homicídios, mas a terceira, Júlia Natália, não foi localizada, e foi assim que a investigação começou a tomar rumos

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