Tia de PM morto carbonizado confirma relação extraconjugal entre soldado e policial presa

Parente afirma que sabia da situação desde março, mas disse que não concordava.

13 de Agosto de 2026 - 16:53 (Atualizado às 16:57)
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Legenda: O velório de Raphael é acompanhado por amigos, familiares e colegas de farda.
Foto: Matheus Facundo/SVM.

Os soldados da Polícia Militar do Ceará (PMCE) Raphael Sampaio da Silva e Júlia Natália Girão Gomes, ambos de 27 anos, mantinham um relacionamento extraconjugal há, pelo menos, cinco meses. A informação, dada nesta quinta-feira (13) por Rosilane Sampaio, tia do policial morto a tiros e encontrado carbonizado dentro do próprio carro, na madrugada de terça (11), é mais uma das contradições do caso. À Polícia, no momento da prisão em flagrante por homicídio consumado, Júlia negou envolvimento com a vítima e disse que eram apenas amigos.

"Houve, sim, uma relação extraconjugal. Infelizmente, era sabido pela gente da família, alguns poucos. Não era aceito. A gente não era conivente", disse a familiar durante o velório do sobrinho, na tarde desta quinta-feira (13). Por outro lado, ela afirmou que a relação não justifica o assassinato brutal: "Não quer dizer que merecia a morte".

A tia do PM pede justiça pela morte do sobrinho.
Legenda: A tia do PM pede justiça pela morte do sobrinho.
Foto: Matheus Facundo/SVM.

É um momento difícil que estamos passando. O Raphael, além de sobrinho, era meu afilhado. Éramos próximos. [...] É muito difícil essa situação. Não vê-lo, não ter tido a oportunidade [de vê-lo] nem na despedida, por ter sido tão cruel
Rosilane Sampaio
Tia da vítima

O corpo de Raphael está sendo velado em uma funerária na Parquelândia, em Fortaleza, na presença de amigos, familiares e colegas de farda. Além de carbonizado, o PM foi encontrado amarrado com algema dele dentro do próprio carro, em Itaitinga, na região metropolitana da Capital. O enterro está previsto para o fim da tarde, no Cemitério São João Batista, no Centro.

Júlia e o marido dela, Antoneudo Ribeiro Lima Júnior, 31, estão presos. Ela, por suspeita de envolvimento direto na morte de Raphael, enquanto ele foi capturado por ter sido flagrado com munições, placas veiculares adulteradas e células de identidades suspeitas na casa onde mora com a policial.

Ambos os presos têm antecedentes criminais. Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), Júlia acumula passagens por estelionato, lavagem ou ocultação de bens e por integrar organização criminosa. O marido, por sua vez, responde por estelionato, falsa identidade, lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, integrar organização criminosa, receptação e posse irregular de arma de fogo de uso permitido.

PM morto sonhava em ser delegado

Ao Diário do Nordeste, emocionada, a irmã da vítima, Rosália Sampaio, contou que Raphael sonhava em ser delegado. "Ele era um amigão da vizinhança, muito querido por todo mundo. Ele não merecia. Que a Justiça seja feita. Ele serviu a esse País bravamente, desde os 18 anos, porque foi da Aeronáutica. Ele tinha o sonho de ser delegado", desabafou ela.

Segundo a familiar, Raphael tinha um filho de três anos de idade e um enteado de 13 anos. "Está saindo muita coisa sobre o meu irmão, tem até gente falando que [o crime] era justo, mas não era justo. Ele era um ser humano antes de tudo. [...] Era um irmão incrível, um pai espetacular. O meu sobrinho mais novo admira ele, quer ser policial igual ao pai", comentou. Disse ainda que a família tem sofrido com a exposição do caso nas redes sociais: "Eu não posso entrar no meu Instagram, tive que desinstalar o aplicativo".

A tia da vítima, Rosilane Sampaio, acrescentou que ele cursava Direito. "Queria crescer na profissão, ir além. Infelizmente, [o sonho] foi interrompido".

Lembre o caso

O homicídio de Raphael Sampaio é investigado pela Delegacia de Homicídios contra Agentes de Segurança Pública (DHASP), unidade do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Ainda são realizadas diligências e oitivas para elucidar as circunstâncias do caso, segundo a SSPDS.

Uma das linhas de investigação do assassinato seria uma vingança por traição, mas a Polícia não descarta outras versões.

A defesa de Júlia e Antoneudo sustenta que não há provas contra o casal. "O que tem são presunções, e a Polícia querendo acelerar a investigação", criticou o advogado Walmir Medeiros.

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