Justiça condena integrantes do CV que comandavam tráfico de drogas em Fortaleza a 151 anos de prisão

Pontos de venda de entorpecentes foram encontrados pela Polícia principalmente na região da Praia do Futuro e adjacências.

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
28 de Setembro de 2026 - 09:00
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Legenda: Faccionados falavam sobre a quantidade de drogas e dinheiro.
Foto: Reprodução

Um grupo de oito integrantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV) foi condenado a mais de 151 anos de prisão pela Justiça do Ceará, somadas as penas, por meio do Colegiado da  Vara de Delitos de Organizações Criminosas. Conforme a sentença do último dia 22 de setembro, os condenados foram considerados culpados pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico, em bocas de fumo principalmente na região da Praia do Futuro, mas também em bairros como Sabiaguaba, Siqueira e Bom Jardim, além de municípios como Ocara. 

A partir de investigações da Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE), foram quebrados os sigilos telefônicos de membros da organização e reveladas conversas onde, por exemplo, os acusados falam até da "caixinha", que é o fundo de reserva financeira da facção criminosa.

Os fatos apurados dizem respeito a atividades criminosas entre 2021 e 2022. Entre os condenados, há "gerentes" e "aviões" do tráfico de drogas. Há, inclusive dois irmãos que traficavam juntos na "Comunidade dos Cocos". 

Quem são os condenados?

  • Jesus Caio Vieira Galeno, o 'Coreia': atuaria como integrante do Comando Vermelho e responsável por ponto de venda de drogas na região da Sabiaguaba, adquirindo entorpecentes de Paulo Renato para revenda.
  • Josué Canuto da Silva: teria ingressado no Comando Vermelho ainda quando estava preso, sendo apontado como pessoa ligada diretamente a um chefe do CV e destinada à exploração de ponto de venda de drogas após retornar ao convívio social.
  • Fabrício Freitas de Oliveira, o 'FB': seria responsável pela comercialização de drogas na área da Praia do Futuro, adquirindo entorpecentes de um líder local para posterior revenda.
  • Pablu Fabriel Ferreira dos Santos, 'Paraguai': seria membro do Comando Vermelho com atuação na Comunidade do Luxou, exercendo a função de “frente” na venda de drogas.
  • Carolina Vieira Galeno, 'Zizi': seria integrante da organização criminosa e atuaria na Comunidade dos Cocos, juntamente com seu irmão Jesus Caio Vieira Galeno, realizando a comercialização de drogas fornecidas por pelo líder do CV na Praia do Futuro
  • Bruno dos Reis Brito, 'BR': seria traficante vinculado ao Comando Vermelho na Comunidade do Luxou, adquirindo drogas para distribuição e venda.
  • Antônio Ismael Chagas Dias, 'Falcão': seria integrante do Comando Vermelho com atuação nos bairros Bom Jardim e Siqueira, exercendo atividades ligadas à revenda de entorpecentes.
  • Reginaldo Tavares da Silva, o 'Régis': seria integrante da facção com atuação no distrito de Serragem, município de Ocara/CE, realizando compra e venda de drogas em articulação com liderança local.

O advogado Lucas Cruz, que representa os réus Bruno e Fabrício, informou em nota que "a defesa respeita a decisão do colegiado da Vara de delitos de organização criminosa, porém, irá recorrer ao Tribunal de Justiça do Estado do Ceará, uma vez que foi desproporcional as penas impostas, e o delito de tráfico não ficou devidamente comprovado, diante da ausência da apreensão de drogas".

A defesa do acusado Reginaldo Tavares, representada pela advogada Raimunda Araujo, afirmou que está "decepcionada com a Justiça". Segundo a advogada, "a condenação do Reginaldo é um verdadeiro absurdo".

"Infelizmente, querem fazer Justiça aplicando uma pena exorbitante, atribuindo ao acusado fazer parte de organização criminosa sem nenhuma prova do exercício desta malfadada atividade, e ainda, condenam por tráfico e associação, porém não comprovam nada. Não existem sequer indícios de que Reginaldo tenha praticado qualquer das condutas que lhe foi atribuída. Nós vamos apelar é lógico, para que o Tribunal de Justiça possa corrigir tamanha distorção".
Raimunda Araújo
Advogada do réu Reginaldo Tavares

Já Pedro Henrique da Cunha Frota, representante jurídico dos réus Jesus Caio Vieira e Carolina Vieira Galeno, disse que a sentença causou "espanto". Segundo a defesa, "não existe, em todo o processo, uma única frase sequer que vincule Caroline e Jesus Caio com os supostos apelidos atribuídos aos mesmos. Por outro lado, também não houve qualquer materialidade de tráfico ou ilícito apreendido no cumprimento dos mandados de prisão". A defesa disse esperar "que o Tribunal de Justiça do Estado do Ceará reforme a sentença, visto que todos os acusados pegaram as mesmas penas, sendo idênticas até nas quantidades de meses", afirmou.  

O Diário do Nordeste solicitou posicionamentos ao restante das defesas dos réus, e aguarda retorno. 

A denúncia do Ministério Público do Ceará (MPCE) acusou um total de 31 pessoas, mas nesta parte do processo somente oito foram condenados. Eles tinham "divisão de tarefas" e hierarquia interna para organizar o tráfico. 

Segundo as investigações e conforme a Justiça apontou na sentença condenatória, foi observado "que os interlocutores discutem rotineiramente a disponibilização de entorpecentes para revenda, com referências à entrega de mercadorias, cobrança de valores e reposição de estoque". 

Prisão de chefe do tráfico desencadeou investigações

Investigações iniciaram com o cumprimento de um mandado de prisão contra Paulo Renato Silva de Almeida, o 'Renato Bombado', um líder local do CV no Vicente Pinzon e Praia do Futuro, condenado neste ano por um homicídio na Praia do Futuro. 

Ele chegou a ser preso em Ocara. Renato possuía uma ficha extensa, por crimes como homicídio, tráfico de drogas, crime de trânsito, roubo e porte ilegal de arma de fogo.

Renato também foi alvo da mesma denúncia do MPCE que condenou esse último grupo criminoso. Ele tinha a função de repassar drogas para a "revenda", e também integraria uma rede de assaltos. Em uma conversa interceptada, ele afirmou a um comparsa que possuía carros e armas ao dispor para a realização de crimes. 

A vítima foi morta com cinco disparos de arma de fogo, após supostamente ter vendido um celular fruto de um roubo em um área "dominada" pela facção criminosa. Ronney foi alvo do "tribunal do crime", sendo torturado ate supostamente confessar o crime na "Comunidade do Luxou". 

A morte aconteceu em 3 de novembro de 2021, após uma outra ré no processo mandar mensagem no aplicativo de mensagens WhatsApp para decidir o que fazer com a vítima. 

Renato foi condenado em maio deste ano,  junto a Ítalo Facundes Martins, o 'Ventão'; e Isabele Cristina da Silva Sousa,  'Tatuada',  em penas que chegam a 90 anos de prisão.

Para o Diário do Nordeste, o promotor de Justiça Luís Bezerra Neto destacou à época que "o mecanismo de funcionamento dos 'tribunais do crime' valem-se da ultraviolência para punir todos aqueles que infringem 'regras' das facções. Deliberam sobre a morte de pessoas demonstrando alto grau de desprezo pela vida".

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