A policial militar Júlia Natália Girão Gomes, de 27 anos, presa na última terça-feira (11) após prestar depoimento sobre a morte do soldado da PMCE Raphael Sampaio da Silva, é investigada por crimes cometidos após a entrada nela na corporação.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), a soldado responde por estelionato, lavagem ou ocultação de bens e integrar organização criminosa.
Essas infrações começaram a ser investigadas em junho de 2025, por meio de um inquérito instaurado pela Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos, após denúncia formalizada por uma empresa de transporte por aplicativo.
Nesse período, Júlia já trabalhava a serviço da Polícia Militar do Estado há seis meses. Ela foi admitida em novembro de 2024 e concluiu com sucesso o Curso de Formação de Soldados, além de ter passado pela investigação social sem pendências.
Fraude em corridas de aplicativo
Ainda conforme a SSPDS, a organização criminosa a qual Júlia é suspeita de participar era composta por ela, o marido, Antoneudo Ribeiro Lima, 35, investigado por suposta participação na ocultação do cadáver do PM Raphael, e outras 11 pessoas.
O principal objetivo do grupo era criar contas falsas na plataforma de corridas de aplicativo. Antoneudo é apontado como o articulador da fraude, enquanto Julia cedia dados pessoais, além de instrumentos financeiros e de comunicação, para viabilizar as atividades criminosas.
Ambos tiveram a prisão temporária mantida nesta quinta-feira (13), após audiências ocorrerridas no 7º Núcleo de Custódia e Garantias, em Maracanaú.
Júlia Natália teve a prisão preventiva decretada a pedido do Ministério Público do Ceará (MPCE) e da autoridade policial. Já Antoneudo teve a prisão relaxada, "mas continua preso por existir um mandado de prisão contra ele em outro processo, que tramita em segredo de justiça", segundo o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE).
Relação extraconjugal
Júlia manteria um relacionamento extraconjugal com Raphael, apesar de negar em depoimento. A informação sobre a relação entre os dois policiais, colegas de Batalhão, foi repassada em entrevista pela tia de Raphael, Rosilane Sampaio, durante o velório do agente de segurança nesta quinta (13).
O casal foi preso na última terça-feira (11), horas após o corpo de Raphael ser encontrado em Itaitinga, na Grande Fortaleza.
Antoneudo foi detido após comparecer para prestar depoimento e a polícia encontrar munições, placas veiculares adulteradas e identidades suspeitas na residência onde o casal mora.
Júlia, que era colega da mesma patrulha de Raphael, foi presa em flagrante após se contradizer em depoimento. Ela alegou ter sido agredida, mantida em cárcere e amarrada depois de ver o soldado ser morto a tiros, mas uma câmera de segurança a flagrou de roupa trocada e andando livremente em uma oficina na manhã seguinte.
Motivação do crime ainda é investigada
O homicídio de Raphael Sampaio é investigado pela Delegacia de Homicídios contra Agentes de Segurança Pública (DHASP), unidade do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Ainda são realizadas diligências e oitivas para elucidar as circunstâncias do caso, segundo a SSPDS.
Uma das linhas de investigação do assassinato seria uma vingança por traição, mas a Polícia não descarta outras versões.
A defesa de Júlia e Antoneudo sustenta que não há provas contra o casal. "O que tem são presunções, e a Polícia querendo acelerar a investigação", criticou o advogado Walmir Medeiros ao Diário do Nordeste.