Dupla presa no Ceará confirmou participação no crime contra Cabo Deyvison, diz Polícia
Comissão de delegados será criada para conduzir as investigações.
Os dois suspeitos presos no Ceará por envolvimento no atentado, que matou o assessor e cinegrafista Alyson Dyego de Oliveira Morais e deixou ferido o vereador de Mossoró e policial militar cearense Cabo Deyvison (PL), admitiram participação no crime durante a abordagem policial.
A informação foi confirmada pelo comandante-geral da Polícia Militar do Rio Grande do Norte, coronel Alarico Azevedo, em coletiva de imprensa na noite de terça-feira (17), um dia após a prisão da dupla em Parajuru, distrito de Beberibe, no litoral leste cearense.
Segundo o comandante, os suspeitos foram interceptados por equipes da Polícia Militar do Ceará após uma operação integrada entre as forças de segurança dos dois estados. No momento da abordagem, eles teriam admitido envolvimento na ação criminosa.
"Na hora, a informação dos colegas da Polícia Militar é que estavam envolvidos. Isso vai ser verificado", declarou o coronel Alarico.
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De acordo com o comandante, as diligências começaram logo após o atentado e envolveram policiais militares e civis do Rio Grande do Norte. As equipes realizaram buscas durante toda a madrugada, utilizando drones com câmera térmica para tentar localizar os suspeitos, que inicialmente fugiram para uma área de mata.
PM do Ceará ajudou em interceptação
Ainda segundo Alarico, após abandonarem um veículo e mudarem de rota, os investigados passaram a ser monitorados pelas forças de segurança. Uma denúncia anônima ao serviço 190 indicou que eles estariam seguindo em direção à divisa com o Ceará.
"Prontamente, por questões logísticas e de integração, foi feito contato com o oficial do segundo batalhão e com a Polícia Militar do Ceará para fazer a interceptação", afirmou o comandante-geral.
A abordagem foi realizada por equipes do Batalhão Especializado em Policiamento do Interior (BEPI) e do Comando de Policiamento de Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas (Raio). Com os suspeitos, foram encontrados celulares e outros equipamentos. Segundo a Polícia Militar do Rio Grande do Norte, eles também indicaram a existência de materiais que teriam sido descartados durante a fuga.
Investigação terá comissão de delegados
Durante a coletiva, o delegado-geral adjunto da Polícia Civil do Rio Grande do Norte, Herlânio Cruz, destacou a atuação integrada das forças de segurança e afirmou que o caso será tratado com prioridade máxima.
"O trabalho será feito de maneira imparcial, técnica, objetiva e séria. A Polícia Civil do Rio Grande do Norte não sofre nenhum tipo de ingerência pública. Será tudo apurado da forma que tem que ser", declarou Cruz.
Segundo ele, uma comissão especial foi criada para conduzir as investigações. O diretor da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Márcio Lemos, ficará à frente do inquérito, acompanhado por outros três delegados especializados em homicídios.
"A resposta tem que ser dada de maneira muito forte pelo Estado. E assim que a Polícia Civil vai tratar isso", acrescentou.
Relembre o caso
O atentado ocorreu na noite de segunda-feira (15), enquanto o vereador Cabo Deyvison realizava uma transmissão ao vivo no Instagram em frente a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Mossoró.
Durante a live, um carro passou pelo local e diversos disparos foram efetuados. Parte da ação foi registrada em vídeo.
Alyson Dyego de Oliveira Morais, de 37 anos, que filmava a transmissão, foi atingido pelos tiros. Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos. Já o vereador foi baleado na perna e encaminhado ao Hospital Regional Tarcísio Maia, onde recebeu atendimento médico.
Os dois suspeitos foram capturados na CE-040, na localidade de Parajuru, em Beberibe, no litoral leste do Ceará, e inicialmente encaminhados à Delegacia de Polícia Civil do município. As circunstâncias do crime, a motivação e a participação de outros possíveis envolvidos seguem sendo investigadas.