Número de prisões de integrantes de facção na Região Metropolitana supera o de Fortaleza
Em 2025, 942 suspeitos foram presos na RMF, enquanto 836 foram na capital cearense.
A quantidade de suspeitos de integrar facções criminosas presos na Região Metropolitana de Fortaleza superou a de capturas na Capital. Para o secretário da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS), Roberto Sá, o 'deslocamento de disputa' é o principal motivo do fenômeno.
Ao todo, foram feitas 2.541 prisões e apreensões de suspeitos de serem faccionados no Estado do Ceará, no ano de 2025. Todas as regiões apresentaram aumento, mas o maior número de capturas aconteceu na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).
A retrospectiva dos dados de segurança no Ceará, em 2025 foi apresentada pelo secretário em coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (8). Além de ter o maior número de prisões por participação em organização criminosa do estado, a Região Metropolitana teve o maior percentual de aumento em número de prisões por Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs) - 40,8% - e de apreensões de armas de fogo - 18,2%.
Municípios que integram a Região Metropolitana de Fortaleza (RMF):
- Aquiraz
- Caucaia
- Chorozinho
- Eusébio
- Guaiúba
- Horizonte
- Itaitinga
- Maracanaú
- Maranguape
- Pacajus
- Pacatuba
- São Gonçalo do Amarante
RMF apresenta aumento de 75,1% no número de prisões de faccionados
O número de capturas durante o ano de 2024, foi de apenas 538, enquanto o de 2025 chegou a 942, o que representa um aumento de 75,1%. Por mais que o número absoluto de capturas tenha sido o maior do estado na RMF, a capital cearense apresentou o maior percentual de crescimento, com 836 prisões, em 2025, contra 330, em 2024, um aumento de 153,3%.
No Interior Sul do Ceará, o crescimento de um ano para o outro foi de 82,3%, com 321 prisões ou apreensões. Já no Interior Norte do estado, o aumento foi de 74,9%, com 439 capturas totais em 2025.
O número inclui adultos presos e adolescentes apreendidos, em flagrante ou por força de mandados de prisão.
O secretário da Segurança Pública, Roberto Sá, afirmou que o dado demonstra que "o deslocamento (dos faccionados) se deu para a região e a Polícia também se deslocou e focou na prisão deles".
Prisões por crimes diversos
Os dados apresentados nesta quinta-feira (8) indicam um aumento do número de prisões e apreensões em todas as regiões do estado por crimes diversos. O Ceará registrou 35.458 casos de prisões em flagrante e por mandado de janeiro a dezembro de 2025.
Fortaleza apresentou a maior quantidade de prisões e apreensões com 12.969, contra 11.162 em 2024, o que representa um crescimento de 16,2%. Já o maior aumento percentual de prisões e apreensões foi registrado na Região Metropolitana, que passou de 5.913 para 7.207, registrando uma variação de 21,9%.
Cumprimento de mandados
Paralelamente às prisões e apreensões em flagrante, o Estado implantou o Programa de Cumprimento de Mandados de Prisão (Procumpri). A iniciativa funcionou de forma experimental ao longo do último ano, mas foi regulamentada no último dia 29 de dezembro de 2025 pelo governador do Ceará, Elmano de Freitas, e pelo secretário da SSPDS, Roberto Sá.
Entre janeiro e dezembro de 2025, as Forças de Segurança do Ceará realizaram 43.493 diligências para cumprir mandados de prisão em aberto e 1.935 capturas de pessoas.
RMF foi a única macrorregião com aumento de homicídios no Estado
Apesar do reforço no efetivo na RMF, em 2025, 902 homicídios foram registrados na região. O número é 5,9% maior que o de 2024, que contabilizou 852 ocorrências. Segundo o secretário da Segurança Pública, a principal força que alavanca o número de homicídios é a disputa territorial entre facções.
De acordo com ele, "o conflito das facções se deslocou para lá de uma maneira que, mesmo com toda a saturação que fazíamos, para prender aqueles criminosos, ainda assim eles, entre eles, aumentaram essa letalidade".
Desde 2023, que a RMF apresenta números de vítimas de Crimes Violentos Letais Intencionais, maiores que o da capital cearense. No último ano, Fortaleza registrou uma diminuição de 11% nas mortes violentas, segundo a SSPDS.
Os CVLIs englobam homicídios (inclusive feminicídios), latrocínios (roubos seguidos de morte) e lesões corporais seguidas de morte.
Segundo o secretário, os índices de homicídio nas cidades da Região Metropolitana de Fortaleza apresentavam reduções, no primeiro semestre do ano passado.
Maior índice de apreensão de armas também aconteceu na RMF
Ao todo no Ceará, 7.221 armas de fogo foram apreendidas, cerca de 20 armas confiscadas por dia. O maior aumento percentual das apreensões aconteceu na Região Metropolitana (18,2%), com 1.592 armas recuperadas.
Segundo a SSPDS, o aumento das apreensões é fruto da criação da Delegacia Especializada em Armas de Fogo, Munições e Explosivos (Desarme) ,da Polícia Civil do estado do Ceará (PCCE).
*Estagiária, sob supervisão do jornalista Emerson Rodrigues