17 deputados da Alece sinalizam troca de partido na janela partidária e podem esvaziar bancadas
Parlamentares analisam necessidade de reposicionamento político e cálculos eleitorais de competitividade das chapas.
A janela partidária deve resultar no troca-troca entre partidos para pelo menos 17 deputados estaduais da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), visando as eleições gerais de 2026. As atualizações vão desde a necessidade de reposicionamento político até os cálculos eleitorais de competitividade das chapas, o que pode esvaziar bancadas no Parlamento.
Até 3 de abril, ocupantes de cargos eletivos, obtidos em pleitos proporcionais, podem mudar de legenda sem o risco de perder o mandato por infidelidade. O período é considerado central na definição da composição das siglas para a disputa eleitoral e deve mexer com a configuração da Câmara dos Deputados e de assembleias legislativas em todo o Brasil.
Ao longo da última semana, o PontoPoder questionou deputados estaduais sobre as possíveis atualizações partidárias. Nesse sentido, o levantamento considera parlamentares que já anunciaram a saída ou que ainda não confirmam a permanência nos atuais partidos, a partir da sinalização da análise de convites de outras agremiações.
Como reforçam os políticos, para além do posicionamento político ou da compatibilidade ideológica, os deputados estaduais calculam os partidos com potencial de formar chapas mais competitivas e, consequentemente, conquistar mais cadeiras na Alece, a partir da eleição proporcional.
VEJA DEPUTADOS ESTADUAIS QUE PODEM TROCAR DE PARTIDO:
BANCADAS ESVAZIADAS
Um dos casos simbólicos da rodada de trocas partidárias está no PDT. O comando da sigla no Ceará já confirmou a saída dos deputados Antônio Henrique, Cláudio Pinho, Lucinildo Frota e Queiroz Filho, o que faz a legenda deixar de ter bancada na Alece.
Outro exemplo vem do União Brasil, que também pode ter o bloco de cadeiras esvaziado. O partido vive um processo de homologação da Federação com o PP, que se arrasta desde o ano passado, além de uma disputa interna entre opositores e aliados da base do Governo Elmano de Freitas (PT).
Caso a federação desembarque na oposição, algo que o presidente do União Ceará, o ex-deputado federal Capitão Wagner, já dá como confirmado, o partido deve perder o deputado Firmo Camurça (União). O parlamentar sinaliza o PSD como provável destino nesse cenário.
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Por outro lado, Felipe Mota (União), Heitor Férrer (União) e Sargento Reginauro (União) devem deixar o partido e migrar para o PSDB. Com isso, a bancada do União na Alece também pode ficar esvaziada.
A movimentação faz parte da estratégia da oposição de inflar a bancada do partido comandado por Ciro Gomes (PSDB) e impulsionar a formação da chapa, o que pode levar até sete parlamentares para a legenda tucana, incluindo os três nomes do União e os quatro do PDT.
Na mesma situação de Firmo Camurça, os deputados Almir Bié (PP) e João Jaime (PP) podem sair do atual partido. Os parlamentares aguardam as definições da Federação União Progressista e já sinalizam a ideia de buscar outras legendas, caso o arranjo partidário vete o apoio à reeleição de Elmano.
Ainda entre os partidos que podem ter bancadas esvaziadas, o Cidadania e o Avante podem perder seus únicos deputados estaduais: Luana Régia (Cidadania) e Stuart Castro (Avante). Ambos analisam convites de outros partidos e não confirmam permanência.
MUDANÇA DE COMPOSIÇÃO
Entre os partidos que devem registrar chegadas e partidas, o PT já tem dada como certa a filiação do deputado Leonardo Pinheiro (PP) neste mês. O parlamentar anunciou a migração ainda no início do ano passado, mas aguardava a janela partidária para oficializar a mudança.
Por outro lado, a deputada Larissa Gaspar (PT) confirmou que recebeu um convite da Rede Sustentabilidade e estuda a saída do partido na janela partidária. A mudança pode ocorrer, inclusive, em sintonia com a deputada federal Luizianne Lins (PT), que é cotada para disputar uma vaga no Senado pela Rede.
Por sua vez, o PSD deve perder os deputados Lucílvio Girão e Fernando Hugo, como confirmado pelo presidente estadual do partido, Domingos Filho (PSD). Por outro lado, o Apóstolo Luiz Henrique (Republicanos) é cotado para entrar nos quadros da agremiação.
A saída do Apóstolo Luiz Henrique do Republicanos foi confirmada pelo vice-presidente estadual do partido, o vereador Michel Lins. O deputado já deixou, inclusive, a liderança da sigla na Alece, que passa a ser ocupada por David Durand.
Ambos os casos envolvem os cálculos eleitorais para a composição de chapas. Como indicam lideranças ouvidas pela reportagem, os deputados estão, justamente, no momento de analisar a disputa interna das legendas, na relação entre a quantidade de vagas que a agremiação espera alcançar e o potencial de votos para vencer a concorrência entre os quadros do partido.
Um dos partidos alega, por exemplo, que pretende eleger até 10 deputados estaduais no pleito de outubro, com uma margem em cerca de 33 mil votos para a última vaga. Por esse cálculo, a sigla seria competitiva pela quantidade de votos ser considerada “baixa” para um candidato conseguir uma cadeira.