Quaest Ceará: força eleitoral de Camilo Santana vira trunfo do PT, mas pressiona Elmano
Os números são da 1ª rodada da pesquisa Quaest no Ceará para as eleições deste ano.
Números da pesquisa Quaest divulgados nesta quinta-feira (30) mostram como a imagem do senador Camilo Santana (PT) se apresenta viva na memória do eleitorado cearense, com força suficiente para "solucionar" eventuais problemas governistas em um futuro próximo.
Vamos aos dados.
Em cenário testado para o Governo do Estado contra Ciro Gomes (PSDB), o ex-ministro da Educação aparece com 40% das intenções de voto contra 33% do tucano.
O confronto é muito mais favorável à base governista do que em um embate de Ciro com o governador Elmano de Freitas (PT), quando o levantamento traz Gomes à frente, com 41% a 32%.
A força eleitoral de Camilo foi fundamental para a vitória de Elmano ainda no primeiro turno, em 2022. Eleito senador, Camilo se tornou ministro da Educação e ganhou vitrine nacional com programas bem avaliados no governo Lula e de boa repercussão no País.
Ao longo desses três anos e meio, Elmano buscou dar continuidade à gestão de Camilo, preservando as alianças e apostando nas entregas para chegar ao fim do primeiro mandato com capital político suficiente para não colocar em risco uma candidatura à reeleição.
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Elmano teria uma "candidatura natural"?
No entanto, números da Quaest revelam que essa candidatura "natural" ainda não se mostra consolidada. Ter um nome como Ciro na disputa de governo traz um cenário novo para a oposição e de instabilidade eleitoral para o governador. Não apenas por conta da eventual competitividade de Ciro, mas também pela força de Camilo.
Explico.
O senador deixou o MEC na data permitida de desincompatibilização eleitoral (o que permite que ele seja candidato em outubro) com o discurso de que iria se dedicar às campanha de Lula e Elmano. Ora, se a preocupação é essa não precisaria cumprir prazos eleitorais. Aqui, Camilo abriu brechas para questionamentos.
O desafio do atual governador
O movimento por si só traz uma fragilidade ao Governador que ainda busca reforçar a imagem diante dos aliados como uma liderança política que goza da confiança e da força política para fechar acordos sob sua liderança.
Os movimentos de Camilo, inclusive, reforçam críticas da oposição sobre quem de fato será o candidato do PT em outubro. O senador não diz que sim nem que não – o que alimenta discussões.
Assim como o poderio eleitoral de Camilo pode ajudar Elmano na empreitada da reeleição, ao articular alianças e arregaçar as mangas em agendas de campanha, abre-se um dilema pré-eleitoral: em eventual cenário de competitividade de Ciro, Elmano poderá ser substituído por quem tem mais potencial na urna?
Enquanto Camilo não fechar completamente a porta sobre a possibilidade de ser candidato ao Governo, Elmano precisará responder questionamentos sobre o assunto quase que diariamente. Os números da Quaest, brutos, já mostram um grande desafio interno para Elmano.
Embora bem avaliado pelo eleitor, o chefe do Executivo precisará transformar a aprovação (53%) e o merecimento de ser reeleito (50%) em intenção de voto para tirar a sombra do aliado que tem o potencial de lhe ajudar a se reeleger ou de lhe substituir nas urnas em outubro.
Levantamento
O levantamento ouviu 1.002 eleitores, com 16 anos ou mais, entre os dias 24 e 28 de abril em todo o território cearense. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número CE-01725/2026 e foi contratada pela Genial Investimentos.
A metodologia é quantitativa, com entrevistas presenciais e domiciliares aplicadas a uma amostra representativa da população com 16 anos ou mais residente no Ceará. Como ocorre em levantamentos desse tipo, os resultados representam um retrato do momento e podem sofrer alterações até o dia da votação.