PDT Ceará confirma desfiliação da bancada estadual, em acordo para evitar expulsão
Parlamentares devem migrar para o PSDB de Ciro Gomes.
Os deputados estaduais Antônio Henrique, Cláudio Pinho, Lucinildo Frota e Queiroz Filho deixarão o PDT nesta semana, após um acordo com o comando da sigla para evitar o andamento do processo de expulsão. A saída foi confirmada pelo presidente estadual do partido, deputado federal André Figueiredo (PDT), em contato com o PontoPoder, nesta segunda-feira (9).
Inicialmente, uma reunião do diretório do PDT estava marcada para esta segunda, com o objetivo de deliberar sobre a expulsão dos parlamentares. A ação leva em conta a aliança do quarteto com o PL e o alinhamento com a oposição na Assembleia Legislativa (Alece), enquanto a agremiação está na base do Governo Elmano de Freitas (PT).
No entanto, o encontro foi suspenso para que os deputados oficializem a desfiliação antes do procedimento de expulsão avançar, segundo André. À época da abertura do processo, em janeiro, o dirigente já havia sinalizado essa intenção de evitar qualquer “constrangimento”.
“Conversei com eles e para realmente evitar toda a situação, que não é agradável para ninguém, nós vamos suspender a reunião de hoje (9 de março) e eles estão pedindo a desfiliação formalmente, hoje, com a data de quarta-feira. Então está tudo resolvido sem maiores traumas”
Por sua vez, o deputado Cláudio Pinho, líder do PDT na Assembleia Legislativa (Alece), confirmou ao PontoPoder que a desfiliação deve acontecer até quarta-feira (11).
FUTURO PARTIDÁRIO
Os quatro deputados já haviam sinalizado a ideia de deixar o partido durante a janela partidária deste mês — período no qual as trocas entre siglas são liberadas —, com o PSDB como possível destino. A partir da saída do quarteto, o PDT deixa de ter bancada na Alece.
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Na última quarta-feira (4), em entrevista coletiva na Alece, Cláudio Pinho sinalizou que deve ir para o PSDB, em articulações para apoiar a possível candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao Governo do Estado. O parlamentar também criticou o processo de expulsão do PDT.
“Se eu for discutir o processo de expulsão, termina o prazo, termina a eleição e não existe julgamento. Porque eu quero saber quais foram os artigos das resoluções que eu descumpri aqui, na Casa. E eles vão ter que citar, mas eu me dou muito bem, estou saindo, estou de saída do PDT por discordar da atual posição do partido”
A movimentação reforça a estratégia da oposição de filiar até oito parlamentares no PSDB, um cálculo que envolve a migração partidária dos deputados Felipe Mota (União), Heitor Férrer (União) e Sargento Reginauro (União), além do quarteto do PDT.
Por outro lado, Antonio Henrique e Lucinildo Frota estavam apalavrados com o PL, mas a ideia de inflar a bancada do PSDB na Alece pode levá-los à sigla tucana. O novo partido do quarteto precisará ser sacramentado até 3 de abril, último dia da janela partidária.
CASO PP CELL
Em paralelo, o PDT Fortaleza adiou a análise da expulsão do vereador PP Cell, também prevista para esta segunda-feira (9). O Conselho de Ética da sigla já aprovou o parecer favorável pelo afastamento em 8 de janeiro.
Questionado pelo PontoPoder, André confirmou que o andamento do processo foi suspenso de forma temporária. “Mas eu acho que até o final do mês a gente resolve”, sinalizou. Já o presidente do PDT Fortaleza, Iraguassú Filho, disse apenas que não havia reunião convocada para hoje.
O caso de PP Cell é fruto de uma representação apresentada pelo vereador Adail Júnior e leva em conta possíveis “questões de desvio das ações do partido”, como apoio a André Fernandes (PL) na eleição pela Prefeitura de Fortaleza em 2024, além de oposição ao prefeito Evandro Leitão (PT).
Após a deliberação do Conselho de Ética pela expulsão, em 11 de janeiro, PP Cell se manifestou contra a decisão. “O PDT se rendeu aos encantos do PT e queria que eu apoiasse também o PT. E eu disse que não ia apoiar, vou manter a minha coerência, vou manter a minha linha de atuação”, pontuou o parlamentar, em vídeo nas redes sociais.