Trocas de partido e lista de candidatos para 2026 mexem com planos de vereadores de Fortaleza
PDT e Psol são dois dos partidos cujos contornos de disputa eleitoral em 2026 refletem em bancadas no Parlamento municipal.
Partidos que possuem representação na Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor) podem ter rearranjos eleitorais para o pleito de 2026 refletidos em seus rumos no Parlamento fortalezense.
Duas das legendas que vivem essa realidade são o Partido Democrático Trabalhista (PDT) e o Partido Socialismo e Liberdade (Psol), que, respectivamente, ainda mobilizam a permanência de quadros e discutem alianças.
Situação no PDT
No PDT, ao menos dois vereadores de Fortaleza têm a intenção de participar do pleito mirando vagas na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece): Gardel Rolim e Paulo Martins.
A estruturação dessa chapa, no entanto, não está definida, apesar do início da janela partidária — em que migrações são permitidas a deputados federais e estaduais, sem prejuízo da perda de mandatos, até o início de abril.
A indefinição foi admitida, inclusive, pelo presidente do PDT Fortaleza, Iraguassú Filho. “Tem havido diálogo com vários nomes que serão candidatos neste ano, mas nada concreto, por enquanto”, discorreu o dirigente.
“O deputado federal (presidente estadual do PDT no Ceará) André Figueiredo tem liderado este processo e tenho certeza de que teremos uma chapa interessante para estadual”, falou em seguida.
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Nos bastidores, comenta-se que o fato de não haver uma chapa estruturada para a Alece coloca em risco a continuidade dos dois interessados em vagas no Plenário 13 de Maio, que poderiam buscar novas legendas e abrir mais uma frente de disputa por mandatos no PDT.
O partido acumula episódios recentes de brigas com ex-filiados, que produziram divergências internas e baixas com contornos judiciais.
Paulo Martins ponderou que, por enquanto, ainda não tomou “nenhuma decisão”. “Até porque muita coisa deve acontecer nos próximos dias”, salientou o político ao PontoPoder.
“Contudo, nas condições atuais, ainda não vejo uma nominata no PDT minimamente estruturada para disputar uma vaga na Assembleia”, revelou. “Caso esse cenário permaneça, naturalmente terei que avaliar outras alternativas partidárias que me permitam disputar em condições mais competitivas”, completou.
Questionado por meio de contato com sua assessoria sobre uma possível saída do PDT e os planos para concorrer à Alece, o vereador Gardel Rolim não emitiu uma posição até a publicação desta matéria. O conteúdo deverá ser atualizado caso haja uma devolutiva do pedetista.
De acordo com Iraguassú, Paulo e Gardel “são vereadores que têm o respeito do PDT e são importantes para o projeto de 2026”. “Nós contamos com eles”, finalizou o presidente do PDT alencarino.
O vereador Adail Júnior pretende se alçar à Câmara dos Deputados e se manter nas fileiras trabalhistas. "Estamos aguardando os fechamentos, como vai ficar a chapa. Vamos ver como vai ficar essa chapa de deputado federal”, indicou.
Possível esvaziamento da bancada pedetista na Alece
A realidade do PDT no Legislativo estadual é de um possível esvaziamento, devido à abertura de um processo de expulsão dos quatro parlamentares que possuem mandato na Casa — Antônio Henrique, Cláudio Pinho, Lucinildo Frota e Queiroz Filho —, por se aliarem ao Partido Liberal (PL). A expectativa, contudo, é de que deixem o partido por vontade própria.
Segundo André Figueiredo, que comanda o diretório cearense do PDT, está certa a saída do quarteto de deputados estaduais, com previsão de formatar nominatas até o fim de março. De acordo com ele, os políticos devem pedir para sair. “Até para evitar qualquer constrangimento de expulsão”, sugeriu.
“Não queremos expulsar ninguém, todos os quatro são amigos nossos. Então, eles devem estar saindo, tiveram outra opção partidária, o que é legítimo. E, a partir daí, nós estamos aí trabalhando para fortalecer a chapa com o Gardel, com o Paulo Martins e outros candidatos que podem vir para o PDT”, declarou.
Conforme Lucinildo Frota, há um encontro entre os parlamentares que ensaiam um êxodo dos quadros pedetistas marcado para esta sexta-feira (6). “Temos uma reunião para definir os passos que vamos tomar para a desfiliação do PDT”, confirmou. O mesmo foi dito por Cláudio Pinho: “Vamos bater essa reunião hoje”.
Na Câmara dos Deputados, a permanência dos congressistas no PDT também é uma dúvida. Em junho do ano passado, o deputado federal Eduardo Bismark, atualmente licenciado, afirmou enxergar com dificuldade a possibilidade de que o grupo continuasse na sigla.
Pela legenda trabalhista, estão com mandato hoje os deputados Robério Monteiro, Mauro Benevides Filho, Leônidas Cristino e André Figueiredo. Idilvan Alencar, outro membro da bancada, está licenciado, em razão da titularidade na Secretaria Municipal de Educação de Fortaleza (SME).
Nesta sexta-feira, Idilvan Alencar disse que está de malas prontas para se filiar ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) e Bismark ratificou que não pretende continuar no PDT, seu destino deve ser o Podemos.
A reportagem procurou os demais membros para que pudessem comentar a afirmação do presidente do PDT Ceará e aguarda eventuais manifestações dos citados.
Divergências nacionais, Larissa Gaspar e Luizianne Lins na Rede
Já no Psol, o contexto local tende a ser impactado pelo nacional, marcado por uma divisão de alas que apoiam movimentações diferentes para garantir o futuro da legenda partidária.
Atualmente, a agremiação discute uma possível federação com o Partido dos Trabalhadores (PT) e o encerramento da aliança com a Rede Sustentabilidade (Rede), formada em 2022. A definição sobre os temas deve sair de uma reunião programada para este sábado (7).
No Ceará, a Rede busca atrair quadros já testados nas urnas, como a deputada federal Luizianne Lins e a deputada estadual Larissa Gaspar, ambas filiadas ao PT atualmente. Especula-se que a primeira concorra a uma cadeira no Senado Federal e a segunda dispute uma vaga na Assembleia Legislativa.
Larissa Gaspar confirmou o convite da Rede, embora tenha ressaltado que está “pré-candidata à reeleição” no PT. “Temos recebido convites e dialogado com quem nos procura”, destacou.
“De fato, nossa chapa no PT é bem competitiva, entrou muita gente no partido, inclusive pessoas que não têm nenhuma trajetória de luta identificada com as bandeiras que o partido defende, então é algo que a gente, obviamente, precisa analisar e que vamos ficar analisando até o último momento”, disse.
A petista afirmou que a reeleição é um objetivo e que, diante disso, deve “avaliar qual será a melhor estratégia”. “Se temos condição de garantir que seremos reeleitas, estaremos aqui novamente, cumprindo a nova missão de mais quatro anos na Assembleia pelo Partido dos Trabalhadores ou, se tivermos que buscar outro caminho, iremos também pensar e refletir que possibilidade seria essa”, concluiu.
Quanto a Luizianne, a cúpula nacional da Rede deve debater com ela, na noite desta sexta-feira, em Fortaleza, sua possível filiação ao partido. O porta-voz nacional Paulo Lamac e o porta-voz cearense Wesley Diógenes — equivalentes aos presidentes dos diretórios — devem participar da conversa com a ex-prefeita de Fortaleza.
A assessoria de imprensa de Luizianne disse que a parlamentar irá mesmo participar da reunião com a direção da Rede. Porém, alegou não ter informações sobre a pauta da agenda.
Além da congressista, lideranças do Psol, como o deputado estadual e pré-candidato a deputado federal Renato Roseno e a ex-vereadora Toinha Rocha, participaram de tratativas com os dirigentes da Rede Sustentabilidade, na manhã desta sexta-feira.
Dirigente da Rede detalha conversas
O porta-voz da Rede no Ceará, Wesley Diógenes, enfatizou a pretensão em atrair Luizianne Lins e disse estar “aguardando a filiação” dela. “Já fizemos o convite e as conversas estão muito avançadas”, defendeu.
“Vamos ter uma reunião com ela, onde a gente vai avaliar o cenário e a conjuntura”, completou Diógenes, que disse estar “muito confiante” do aceite da parlamentar. Segundo o ele, o movimento tem o objetivo de formular uma “nova alternativa política” no estado.
Diógenes apontou que Luizianne “pode concorrer ao que ela quiser”, porém a ideia é que ela se lance numa chapa majoritária como senadora. Nas palavras dele, “as conversas são para fortalecer a federação” com o Psol e que Luizianne “vai dar outro tamanho” para a aliança.
Ele considerou o andamento das tratativas como “muito boas” e também admitiu que esteve com Larissa Gaspar na manhã desta sexta. “A gente está conversando com muitas forças políticas”, adiantou.
Psol deve ter vereadores na chapa para Alece
Indagado sobre os encaminhamentos pensados pelo Psol Ceará, o presidente estadual da agremiação, Alexandre Uchôa, disse que a federação proposta com o PT e a continuidade da união com a Rede estão sendo discutidas pelo diretório nacional e que, no Estado, o “debate vem acontecendo nos bastidores com a militância”.
“Não há nenhuma tratativa com o PT em decorrência de ser um processo nacional”, disse. Em relação à federação PSOL-Rede no Ceará, aguardamos o fim do debate nacional de renovação ou não”, salientou.
Acerca da chapa para a Alece, Uchôa revelou que a meta é, no mínimo, dobrar a dimensão da bancada na Casa Legislativa, que hoje possui somente uma cadeira. “Contamos nessa tarefa com o vereador Gabriel Aguiar, a vereadora Adriana Gerônimo e com uma grande chapa ainda em processo de construção”, afirmou, mencionando vereadores fortalezenses que são pré-candidatos à Alece.
“Para federal, o desafio é, além de eleger, superar a cláusula de desempenho ou de barreira. Sem confirmação, mas apontado nessa tarefa, está o deputado estadual Renato Roseno, que deverá encabeçar nossa chapa”, completou o dirigente.
Sobre a definição da estratégia pensada pela Rede, que atualmente está na federação com o Psol, o partidário disse que não pode responder pela sigla, mas que o nome de Luizianne Lins “é o que se destaca no debate político”.
Roseno disse à reportagem que o encontro com a cúpula da Rede aconteceu em seu gabinete na Alece. “Foi a montagem da chapa proporcional”, continuou, sem detalhar. “Nossa intenção é eleger mais parlamentares pela Federação Psol-Rede”, disse, comentando que o grupo conta com a continuação da federação.
O deputado estadual mencionou que a conversa incluiu a possibilidade de que Larissa Gaspar e Luizianne Lins concorram pela Rede. “Eles vão conversar com ambas ainda hoje”, assentiu, considerando que existem chances de formarem “uma chapa muito interessante”.
Adriana Gerônimo afirmou que, nacionalmente, já existe maioria definida para aprovar a renovação da Federação Psol-Rede. “Nossa tática eleitoral é eleger Renato Roseno deputado federal e conquistar de duas a três cadeiras na Alece”, discorreu.
Ela reforçou sua pré-candidatura e a do vereador Gabriel Aguiar na disputa pela Assembleia Legislativa. Caso ambos sejam eleitos, duas vagas ficarão disponíveis para a admissão de políticos que hoje são suplentes na Câmara Municipal de Fortaleza. O parlamentar alencarino não respondeu aos pedidos de comentários.