Legislativo Judiciário Executivo

PDT no Ceará abre processo de expulsão de quatro deputados estaduais por aliança com o PL

Ação pode antecipar saída dos parlamentares e esvaziar bancada do partido na Alece.

Escrito por
Marcos Moreira marcos.moreira@svm.com.br
(Atualizado às 15:47)
Foto de André Figueiredo ao lado dos deputados estaduais Antônio Henrique, Cláudio Pinho, Lucinildo Frota e Queiroz Filho em janeiro de 2025.
Legenda: Processo de expulsão da bancada do PDT na Alece foi confirmado pelo presidente da sigla no Ceará, o deputado federal André Figueiredo (ao centro).
Foto: Reprodução/Redes sociais @depandrefigueiredo.

O Diretório do Partido Democrático Trabalhista (PDT) no Ceará abriu um processo disciplinar para expulsar os deputados estaduais Antônio Henrique, Cláudio Pinho, Lucinildo Frota e Queiroz Filho dos quadros da legenda. A ação leva em conta a aliança dos parlamentares com o PL e o alinhamento com a oposição na Assembleia Legislativa (Alece). 

O procedimento deve apenas acelerar a saída do quarteto. Ambos já sinalizaram a ideia de deixar o PDT na janela partidária de março, quando as trocas entre partidos são liberadas, esvaziando a bancada da legenda na Casa. Enquanto Antônio Henrique e Lucinildo estão apalavrados com o PL, Cláudio e Queiroz devem ir para o PSDB, ao seguir os passos do ex-ministro Ciro Gomes (PSDB).

O processo disciplinar para a expulsão foi acatado pelo Conselho de Ética do PDT-CE em 19 de janeiro. Na ocasião, o colegiado determinou o período de oito dias corridos para os deputados enviarem suas defesas. O prazo termina nesta semana. 

Ao PontoPoder, o presidente estadual da sigla, o deputado federal André Figueiredo (PDT), ressaltou que os parlamentares têm tomado uma posição “legítima”, mas contrária ao Governo Elmano de Freitas (PT), enquanto o partido integra a base. 

Com isso, enfatiza o dirigente, nomes do PDT entraram com o pedido de expulsão para que os parlamentares não esperem até o fim da janela partidária para definir o rumo político. A ideia, portanto, é “acelerar” o processo.

“Nós temos pré-marcado uma reunião do diretório regional para o dia 9 de março. Dia 6 começa a janela partidária, ou seja, eles podem pedir desfiliação sem necessariamente precisar passar pelo constrangimento de serem expulsos”
André Figueiredo
Deputado federal e presidente do PDT Ceará

Por sua vez, o deputado Cláudio Pinho, atual líder do PDT na Alece, confirmou que enviou a defesa e classificou a representação como “desprovida de prova, tipicidade e justa causa”. O parlamentar ressaltou, ainda, que permaneceu no partido com “lealdade, responsabilidade e compromisso institucional”, mesmo diante da divisão interna a partir da eleição de 2022.

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REPRESENTAÇÃO INTERNA

O processo atende a representações apresentadas, ainda no início de janeiro, por membros de diversas alas da agremiação, como a Ação da Mulher Trabalhista do Ceará (AMT/CE), a Juventude Socialista do Ceará e o PDT Diversidade. 

O requerimento cita que os deputados estaduais têm se manifestado publicamente em apoio a pautas e projetos defendidos por “agremiações adversárias e ideologicamente incompatíveis com o programa do PDT”. 

Nesse sentido, o grupo cita diretamente o partido do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ao dizer que a legenda possui um posicionamento político-ideológico que tem se colocado “reiteradamente em campo oposto” ao PDT.

“Quando o requerido do PDT defende publicamente uma aliança com PL, ele não realiza apenas um gesto isolado de cordialidade política, mas sim dá respaldo público a um projeto político antagônico ao do seu partido. Tal conduta confunde o eleitor, enfraquece a identidade partidária e contribui para a deslegitimação do próprio programa ao qual se comprometeu formalmente no momento da filiação e da disputa eleitoral”
Representação solicitando abertura de processo disciplinar para expulsão dos deputados

A representação cita, inclusive, a matéria do PontoPoder acerca do “Café da Oposição” de 2 de dezembro de 2025, quando o campo oposicionista se reuniu na Alece e reafirmou apoio a Ciro para o Governo do Estado e ao deputado estadual Alcides Fernandes (PL), pré-candidato ao Senado. 

SAÍDA ANTECIPADA

Líder do PDT na Alece, o deputado Cláudio Pinho afirmou que o processo é "sem necessidade", diante da proximidade da janela partidária. Ao mesmo tempo, o parlamentar confirmou que deve sair do PDT.

“Eu tinha pretensão em ficar no partido, porém com o alinhamento com o Governo, não será possível minha permanência”
Cláudio Pinho
Líder do PDT na Alece

O deputado Antônio Henrique também confirmou o recebimento da representação e o envio da defesa nessa quarta-feira (28). "Na verdade, eles querem que a gente saia do partido para poder, talvez, montar lá uma nova chapa (de deputados), não sei. Mas nós não fizemos nada contra o partido para ser expulso. A gente fez a defesa, eu e os outros deputados do PDT”, pontuou. 

Por sua vez, Lucinildo Frota confirmou que recebeu a representação e deve enviar defesa até esta sexta-feira (30). O PontoPoder também acionou Queiroz Filho, mas ainda aguarda retorno. 

EXPULSÃO DE VEREADOR

Em paralelo, o Diretório Municipal do PDT em Fortaleza deve sacramentar a saída do vereador PP Cell, em reunião programada para 23 de fevereiro. O Conselho de Ética da sigla já aprovou o parecer favorável pela expulsão no último dia 8 de janeiro.

O caso de PP Cell é fruto de uma representação apresentada pelo vereador Adail Júnior e leva em conta possíveis “questões de desvio das ações do partido”, como apoio a André Fernandes (PL) na eleição pela Prefeitura de Fortaleza em 2024, além de oposição ao prefeito Evandro Leitão (PT). 

Após a deliberação do Conselho de Ética pela expulsão, em 11 de janeiro, PP Cell se manifestou contra a decisão. “O PDT se rendeu aos encantos do PT e queria que eu apoiasse também o PT. E eu disse que não ia apoiar, vou manter a minha coerência, vou manter a minha linha de atuação”, pontuou o parlamentar, em vídeo nas redes sociais. 

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