Legislativo Judiciário Executivo

Gardel Rolim aponta 'confusão homérica' no PDT e diz que partido vive problemas 'insolucionáveis'

Político voltou a rebater argumento de que se desfiliou "na calada da noite".

Escrito por
Bruno Leite bruno.leite@svm.com.br
(Atualizado às 14:58)
Foto de Gardel Rolim, vereador de Fortaleza.
Legenda: Parlamentar se pronunciou durante a sessão desta terça-feira (17).
Foto: Érika Fonseca / CMFor.

O vereador Gardel Rolim (PRD) falou publicamente sobre sua saída do Partido Democrático Trabalhista (PDT) pela primeira vez, durante a sessão ordinária desta segunda-feira (17), na Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor).

Ao expor sua insatisfação com a antiga legenda, que o acusa de infidelidade partidária, o parlamentar destacou a crise interna que a sigla vive desde 2022 e disse que o grupo vive “problemas insolucionáveis”.

“Na última semana, o Ministério Público foi provocado por um membro do PDT, pedindo a cassação do meu mandato. E por quê? Por que a cassação do meu mandato? Por que roubei alguma coisa? Por que eu me envolvi em alguma falcatrua? Por que agredi alguém? Por que tem algum mal feito na minha vida? Não, não é por isso que estão querendo cassar o meu mandato. Estão querendo cassar o meu mandato porque eu me desfiliei do PDT. Esta é a razão”, iniciou o político.

E continuou: “PDT esse que vive uma confusão homérica pelo menos desde 2022. Há relatos, inclusive, de confusões anteriores. Mas, para ser fiel à história a qual acompanho, desde 2022 vivemos internamente problemas insolucionáveis”. De acordo com Rolim, o contexto é insolúvel porque, desde que se estabeleceu, fez com que a agremiação perdesse importantes lideranças.

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Em sua explanação, Gardel citou uma sequência de desfiliações, como: a do ex-ministro Ciro Gomes (hoje no PSDB), a da ex-governadora Izolda Cela (atualmente filiada ao PSB), a do senador Cid Gomes (PSB), do prefeito de Fortaleza Evandro Leitão (PT), do presidente da Assembleia Legislativa Romeu Aldigueri (PSB), dos ex-prefeitos de Fortaleza Roberto Cláudio (União) e José Sarto (PSDB) e do deputado estadual Salmito Filho (PSB).

“Aliás, todos os deputados estaduais saíram do partido. Todos, ou os que não saíram, já anunciaram que vão sair. E dos deputados federais, 2 ou 3 dos 5 já anunciaram que vão sair. Ou seja, será que todo mundo está errado? Todas essas lideranças políticas estão erradas e quem está correta é a direção do PDT?”, indagou, se referindo às bancadas do PDT no Legislativo estadual e na Câmara dos Deputados, as quais alguns membros sinalizaram promover novas baixas.

Segundo ele, sua filiação ao PDT, em 2019, aconteceu por conta da “construção desse grupo político” que compunha as fileiras trabalhistas. Ele pontuou sua relação e aliança com os Ferreira Gomes e lembrou que os contornos da crise pedetista foram responsáveis pelo rompimento do elo entre Ciro Gomes e Cid Gomes, irmãos e ex-aliados políticos.

Rolim disse lamentar que o assunto tenha entrado na “seara judicial”, a partir da judicialização da desfiliação de Evandro Leitão em 2023 e, depois, do êxodo de parlamentares da Casa Legislativa estadual. “Infelizmente, uma situação de uma discordância política, de uma vida partidária difícil, acaba adentrando a seara jurídica”, narrou. 

O parlamentar também leu um trecho da decisão judicial do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) que concedeu aos parlamentares estaduais o direito de deixar o PDT sem a perda dos seus mandatos, em que foram pontuadas características de uma “administração autocrática” e a “prevalência de interesses pessoais” na condução da cúpula do PDT, o que provocou “atos de perseguição e discriminação” contra os políticos.

Em seu pronunciamento, Gardel reforçou a versão de que não saiu do PDT “na calada da noite” e disse que, pelo que sustenta a legislação, a Justiça Eleitoral deveria ter notificado o diretório nacional da legenda sobre sua troca de filiação pelo PRD, por ele ser ocupante de um cargo eletivo.

Ao PontoPoder, o deputado federal e presidente estadual do PDT, André Figueiredo, minimizou as críticas do ex-correligionário e declarou que “crises acontecem em todos os partidos”.

“Estou há 42 anos no mesmo partido e já presenciei várias em diferentes agremiações partidárias”, adicionou Figueiredo. Quanto à saída de Gardel, o dirigente alegou que "não é mais questão a ser discutida no PDT”.

A reportagem também procurou e o presidente nacional da sigla trabalhista, Carlos Lupi, para que pudesse comentar sobre as declarações do ex-pedetista. Não houve resposta do político até a última atualização desta matéria.

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