Gardel Rolim rebate acusação de 'infidelidade partidária' e diz que demonstrou insatisfação ao PDT
Parlamentar alegou que desfiliação ocorreu "dentro da legalidade" e com "devida comunicação" ao partido.
O vereador Gardel Rolim (PRD) refutou, na tarde desta quinta-feira (12), as afirmações do Partido Democrático Trabalhista (PDT), sua antiga sigla, de que teria se desfiliado sem apresentar justa causa. O político é alvo de uma denúncia apresentada pelo presidente estadual da legenda brizolista no estado, o deputado federal André Figueiredo, ao Ministério Público Eleitoral (MPE).
A versão de Gardel foi divulgada por meio de uma nota à imprensa. Segundo o comunicado, "sua decisão de deixar o PDT não foi tomada de forma repentina, nem sem conhecimento da direção partidária". "Há muito tempo, o partido já tinha ciência de sua insatisfação diante de situações de falta de reconhecimento político e da ausência de diálogo interno", frisou.
Contrariando a acusação apresentada de que o parlamentar teria cometido infidelidade partidária, o texto alegou que "a desfiliação ocorreu dentro da legalidade" e "com a devida comunicação ao partido, como determina a legislação eleitoral". "Por fim, lamentamos a tentativa de transformar tema jurídico em disputa política midiática", completou.
De acordo com o informativo, o ex-pedetista irá se pronunciar sobre o assunto na próxima sessão legislativa na Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor).
Gardel a legenda trabalhista pelo PRD em janeiro, sem anúncio público. A mudança sequer foi atualizada na página do Parlamento. A informação foi checada pelo PontoPoder, na terça-feira (10), em consulta ao Sistema de Filiação Partidária (Filia) da Justiça Eleitoral.
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Denúncia ao Ministério Público
A denúncia apresentada ao MPE pede que seja aberta uma representação para decretar a perda do mandato do parlamentar por infidelidade partidária. No documento, o partido sustentou que Gardel se desfiliou sem apresentar uma das hipóteses de justa causa previstas na legislação eleitoral.
O vereador passou a compor o PDT em julho de 2019 e foi eleito vereador de Fortaleza pela sigla em 2020. Ainda como pedetista, ele também presidiu a Câmara Municipal de Fortaleza entre 2023 e 2024.
No último dia 21 de janeiro, o político deixou o PDT e se filiou ao PRD. De acordo com a direção pedetista, a mudança teria ocorrido sem comunicação prévia aos dirigentes da legenda. “O Sr. Gardel Rolim migrou, na ‘calada da noite’, para o PRD, num ato de completa infidelidade partidária”, disse o procedimento.
'Sem justa causa'
O PDT ainda sustentou que não houve qualquer situação que justificasse a saída do vereador sem a perda do mandato.
Pela Resolução nº 22.610 de 2007 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o partido político interessado pode solicitar a perda de cargo eletivo por desfiliação partidária, sem justa causa, dentro de 30 dias da comunicação da saída. Passado esse prazo, quem tiver interesse jurídico — no caso um suplente da legenda — ou o Ministério Público Eleitoral podem fazer o pedido nos 30 dias subsequentes.
A legenda também afirmou que Gardel mantinha participação ativa na estrutura partidária até segunda-feira (9), mesmo após a migração já ter ocorrido desde janeiro. Ele integrava o diretório municipal do PDT em Fortaleza como secretário-geral, com mandato previsto entre novembro de 2025 e novembro de 2029.
Além disso, a direção partidária reforçou que o vereador participava das articulações da legenda para as eleições de 2026 e se apresentava internamente como possível candidato a deputado estadual.
Nesta quinta-feira, em conversa com a reportagem do PontoPoder, o presidente municipal do PDT em Fortaleza, Iraguassú Filho, disse que o presidente do diretório estadual "tem dialogado há algumas semanas com várias pessoas e tem buscado construir a chapa para 2026".
Indagado sobre a saída de Gardel e as medidas que serão tomadas a partir de agora, inclusive para a montagem de nominatas para concorrer ao pleito, o político respondeu que "não está sendo fácil este processo de formação de chapa para ninguém". "Mas temos convicção que ao final da janela teremos uma chapa interessante", ponderou.