Bancada do PDT na CMFor revela 'surpresa' com saída de Gardel e clima de indefinição para eleição
O político se filiou ao Partido Renovação Democrática (PRD) no fim de janeiro, sem comunicar a decisão ao PDT.
Os vereadores do Partido Democrático Trabalhista (PDT) na Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor) classificaram como inesperada a desfiliação do vereador Gardel Rolim dos quadros da legenda. O político se filiou ao Partido Renovação Democrática (PRD) no fim de janeiro, sem nem mesmo comunicar a decisão para a agremiação que integrou durante mais de cinco anos.
Colega de legislatura de Rolim, que foi presidente do Legislativo de Fortaleza entre 2023 e 2024, o vereador Luciano Girão afirmou que foi "pego de surpresa". "Fiquei sabendo pela imprensa da saída", disse, ponderando que, apesar do parlamentar "ser uma referência" no partido, a situação "não muda muito".
"Continuamos, os demais, unidos, maior bancada da CMFor e base do nosso Prefeito Evandro Leitão. Meu colega Gardel está perseguindo o seu objetivo, deputado estadual, achou que PDT não reunia condições para viabilizar e optou em sair e buscar outra sigla", discorreu.
Vice-presidente da Câmara Municipal e membro do diretório estadual do PDT, o vereador Adail Júnior reforçou a versão e disse que a saída também foi um fato imprevisto para a Executiva partidária. "Lá foi pego de surpresa, sim. Inclusive, semana passada, tivemos reunião, mas a saída dele pegou de surpresa", falou.
"Me passaram que a direção do PDT, na última segunda-feira, havia feito uma reunião para discutir quem poderia ser candidato e, ao pegar a relação dos mandatários, mandatários e ex-prefeitos, foi sentida a falta do Gardel [Rolim]. Foram pegar a certidão partidária e descobriram que, desde o dia 21 de janeiro, ele havia se filiado ao PRD", contou Adail.
Indagado sobre os rumos da sigla para este ano, o político foi categórico ao declarar que "o partido tem que ficar do tamanho que ele é". "O PDT vai ficar do tamanho que nós somos. Pequeno, nanico, médio... vai ser do tamanho que nós somos", continuou.
Próximas saídas?
Adail frisou outras possíveis despedidas do PDT, algumas delas ensaiadas para os próximos dias. Os mandatários com cadeiras na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) —os deputados estaduais Antônio Henrique, Cláudio Pinho, Lucinildo Frota e Queiroz Filho —, por exemplo, fecharam um acordo para deixar os quadros trabalhistas nesta semana, sem a necessidade de expulsão, como estava almejando a presidência estadual do partido. "Quatro deputados já declararam que vão sair", lembrou.
E ele também destacou a provável saída do vereador PP Cell, que é alvo de um processo de expulsão e demonstra insatisfação com o direcionamento governista adotado pelo partido desde o início da legislatura. Adail é autor da representação de infidelidade partidária que produziu a abertura do procedimento. "[Quanto ao] PPCell, vou continuar nesse objetivo de que ele seja expulso, que siga a vida dele", defendeu.
O vereador PPCell, por sua vez, disse que não tinha "a menor ideia do que estava acontecendo" no partido, com relação à saída de Gardel Rolim, apesar de também se dizer surpreso. "Tenho respeito imenso por ele, amizade imensa, não tive a oportunidade de conversar com ele pessoalmente, mas se ele achou melhor dessa forma...", disse.
Segundo ele, sua situação está "enganchada ainda" no PDT. "Eu nunca expressei, de fato, essa vontade de sair do PDT. Todo mundo sabe que eu estou muito mais alinhado com o PL, porque, ideologicamente falando, sempre fui mais pela direita", afirmou.
PPCell disse ainda que tem mantido conversas com seu advogado para acompanhar o processo de expulsão e "tomar algumas medidas cabíveis", já que ele é pré-candidato a deputado federal e tem receio de que a indefinição sobre sua saída do PDT atrapalhe sua participação na eleição deste ano.
"Não pretendo ir pelo PDT, depois de tudo que aconteceu, diante do que o partido vem apoiando e das alianças que ele vem fazendo. Todo mundo sabe que hoje o PDT é aliado do PT, eu sou oposição e então não tem a menor condição", destacou, completando que precisa definir essa situação.
Nas palavras dele, através dos relatos de amigos que participam das tratativas visando as arrumações eleitorais, "o clima está bem pesado" no partido. "Alguns vereadores que querem ser candidatos não veem viabilidade, não veem chapas, estão preocupados com a situação", salientou, sugerindo à presidência a liberação dos interessados.
Cenário de indefinição
Na última sexta-feira (6), o PontoPoder mostrou que, nos bastidores, os rumores já davam conta de que o contexto de indefinição colocava em dúvida a permanência de ao menos dois pré-candidatos no próximo pleito que têm mandatos na Câmara, Paulo Martins e Gardel Rolim - este último teve a saída tornada pública nesta terça-feira (10).
Na ocasião, Gardel não se pronunciou. Entretanto, Martins disse que não tinha tomado, ate ali, "nenhuma decisão". “Até porque muita coisa deve acontecer nos próximos dias”, salientou o político.
“Nas condições atuais, ainda não vejo uma nominata no PDT minimamente estruturada para disputar uma vaga na Assembleia”, mencionou. “Caso esse cenário permaneça, naturalmente terei que avaliar outras alternativas partidárias que me permitam disputar em condições mais competitivas”, completou.
Procurado nesta quarta-feira para que pudesse comentar sobre os últimos acontecimentos e os diálogos já realizados para a formação das chapas, Paulo Martins alegou que "não houve nenhum contato por parte da direção do PDT". "Tudo o que tenho acompanhado sobre o assunto tem sido por meio da própria imprensa", respondeu.
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Já o vereador Jânio Rego, irmão e aliado do deputado estadual Antônio Henrique — que está decidido a sair do PDT ainda nesta semana —, relatou que não está inteirado das tratativas para o período eleitoral, uma vez que não será candidato no pleito, porém, "ninguém esperava" o que aconteceu com Gardel. "Foi de repente, nas redes sociais que pudemos acompanhar a saída dele", definiu, confessando que o vereador não deu satisfação aos aliados.
Jânio informou que seguirá nas fileiras do trabalhismo, pela sua "afinidade" com o partido e pela proximidade com o presidente estadual da legenda, o deputado federal André Figueiredo. "Nosso compromisso é estar aqui na Câmara, ao lado de outros companheiros do PDT", reafirmou, pontuando sua continuidade na base do prefeito Evandro Leitão (PT).
A reportagem acionou os vereadores Marcel Colares e Raimundo Filho, que completam a bancada do PDT na Câmara Municipal de Fortaleza atualmente, assim como também procurou o vereador Gardel Rolim, para que pudessem se pronunciar sobre os desdobramentos recentes. Nenhum deles respondeu até a última atualização deste texto.
Além disso, o presidente municipal do PDT, Iraguassú Filho, assim como o dirigente estadual, André Figueiredo, foram interpelados e não emitiram opinião acerca do assunto.