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Deputado critica ‘politicagem’ nas igrejas e cita caso de políticos em missa de Barbalha

Apóstolo Luiz Henrique, que é pastor, disse que não dará mais tempo de fala a políticos na igreja que é líder.

Escrito por
Marcos Moreira marcos.moreira@svm.com.br
(Atualizado às 16:31)
Apóstolo Luiz Henrique durante discurso na tribuna da Assembleia Legislativa do Ceará.
Legenda: Discurso do Apóstolo Luiz Henrique na Alece criticou uso das igrejas para politicagem.
Foto: José Leomar/Alece.

O deputado estadual e líder religioso Apóstolo Luiz Henrique (MDB) subiu à tribuna da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), nesta terça-feira (2), para criticar o uso do “microfone da igreja para fazer a politicagem”. Nesse sentido, o parlamentar citou casos de participação de políticos em eventos religiosos, como a missa de Santo Antônio de Barbalha e um evento de pastores evangélicos em Caucaia. 

Apóstolo Luiz Henrique classificou o pronunciamento como um “pedido de perdão”, ao dizer que se arrepende de ter dado tempo de fala a políticos em congressos da Igreja do Senhor Jesus — a qual ele é líder e fundador —, como o governador Elmano de Freitas (PT) e os ex-governadores Camilo Santana (PT) e Izolda Cela (PSB). 

“Tudo que pode chegar a escandalizar a igreja ou alguém pegar aquilo que está acontecendo e desvirtuar, como fizeram na época, não é bom. Eu me arrependo, não vou mais colocar”, anunciou o deputado. 

Então, Luiz Henrique falou sobre a presença de políticos na missa da tradicional Festa de Santo Antônio de Barbalha, no Cariri cearense, conhecida como Festa do Pau da Bandeira, no último domingo (31). O evento reuniu lideranças políticas em lados opostos, como Elmano, Ciro Gomes (PSDB), Camilo Santana e o ex-prefeito Roberto Cláudio (União).

Na ocasião, apoiadores bradaram os nomes de "Ciro" e "Elmano" ainda dentro da igreja, sendo repreendidos por um diácono. “Igreja não é lugar para politicagem”, exclamou o religioso após as manifestações.

“Lá no Pau da Bandeira, lá do Santo Antônio, tava lá, o Camilo tava sentado assistindo a missa, o Ciro tava assistindo a missa, o Elmano tava sentadinho assistindo a missa, o pastor Alcides tava lá sentadinho assistindo a missa, o Carmelo tava lá assistindo a missa, um bocado de gente assistindo a missa, então vai para assistir a missa. Parabéns. Só sei que lá na igreja do Senhor Jesus agora não vão mais pegar no microfone”
Apóstolo Luiz Henrique
Líder religioso e deputado pelo MDB

"Agora, fica um alerta para o Brasil. Fica um alerta para os pastores, para os padres. Quem é que vai continuar fazendo o uso do altar da igreja, do microfone da igreja para fazer a politicagem? (...) Tô falando que eu não vou fazer mais”, complementou. 

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CIRO EM CONGRESSO EVANGÉLICO

Questionado sobre o assunto após o pronunciamento, Apóstolo Luiz Henrique citou diretamente a participação do ex-ministro Ciro Gomes na Convenção das Assembleias de Deus do Estado do Ceará (CONADEC), na última quinta-feira (2). 

Então, o pastor lembrou o caso de 2022, quando publicou uma foto ao lado de Ciro Gomes, então candidato à Presidência da República, em visita à Igreja do Senhor Jesus. 

“Pastores pegaram a minha foto com o Ciro e disseram assim: ‘Apóstolo fez a aliança com o diabo’. Os mesmos, hoje, colocam o Ciro dentro da igreja. Não somente para escutar, mas colocar o microfone na mão do Ciro. Eu queria que o povo cearense visse isso, analisasse”, criticou. 

Um dos líderes religiosos responsáveis pela ida de Ciro na Convenção da última semana, o deputado federal Dr. Jaziel (PL) defendeu que o ex-ministro foi ao evento “pedir perdão” pela fala no contexto da pandemia de Covid-19, em 2020, quando chegou a defender a prisão de padres e pastores que desrespeitassem as regras sanitárias. 

“Eu conversando com ele (Ciro) disse: ‘Olha, há um problema para ser resolvido’. E expliquei para ele. E ele disse: "Terei a humildade de chegar lá e me explicar e pedir desculpas e pedir perdão", explicou Jaziel. “A igreja é lugar de misericórdia. Então, como é que o Ciro ia chegar lá e pedir perdão e não seria perdoado?”, acrescentou.  

“Lá não houve invasão de espaço, lá não era era uma uma uma reunião de líderes fechada, não era um culto, era uma reunião de líderes onde eles estavam discutindo assuntos concernentes à convenção durante o ano. (...) Era o ambiente apropriado, que só tinha líderes. Então, eu não vejo como nada ali que seja contra a fé ou que vá diminuir ou que vá atrapalhar ou tumultuar absolutamente de maneira alguma”
Dr. Jaziel
Deputado federal pelo PL

GIRÃO CRITICA CASO EM BARBALHA

Outro pré-candidato ao Governo do Ceará, o senador Eduardo Girão (Novo) também criticou o episódio de manifestações políticas na missa em Barbalha. O político tem sido um dos críticos do apoio do PL à pré-candidatura de Ciro Gomes ao Governo do Ceará.

Via redes sociais, Girão condenou o que chamou de “inoportuno uso politiqueiro da religião”. “Pense numa cena patética que chocou quem ainda tem o mínimo de bom senso hoje em Barbalha, no Cariri Cearense. Não contem comigo para esse tipo de política hipócrita que não respeita o altar dos que têm Fé na “Terra da Luz”, evidenciou o senador. 

Por sua vez, ao ser questionado pelo Diário do Nordeste sobre os gritos no interior da Igreja, o governador Elmano afirmou que a festa religiosa não deve ser associada à disputa eleitoral. “A igreja é um lugar para unir os filhos de Deus, não é lugar para fazer política eleitoral, é lugar para a gente fortalecer a fé”, declarou. 

Já Ciro Gomes defendeu a bronca dada pelo religioso após as manifestações, mesmo entendendo o contexto. “Com a iminência da campanha, os ânimos meio acirrados e tal, impossível que as lideranças, seja do lado do Camilo, seja da nossa, controle a espontaneidade das pessoas. Eu mesmo fiz sinais para parar e tal e acho que consegui algum êxito e apressei a saída”, pontuou. 

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