Quem é Gorete Pereira, deputada em exercício do MDB, alvo da PF em caso de fraudes no INSS
A parlamentar é natural de Juazeiro do Norte e está em mandato temporário na Câmara dos Deputados.
A deputada federal Gorete Pereira (MDB-CE) é um dos alvos da operação "Sem Desconto", deflagrada pela Polícia Federal (PF) e pela Coordenadoria-Geral da União (CGU) contra fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
As autoridades cumprem mandados judiciais no Ceará e no Distrito Federal na manhã desta terça-feira (17). O nome de Gorete está entre os 19 alvos da operação destinados à busca e apreensão, bem como monitoramento por tornozeleira eletrônica.
Ainda em 2025, o nome da parlamentar já constava entre os investigados da operação. O relatório da PF citado na decisão do ministro do STF, André Mendonça, aponta a deputada como uma das líderes e articuladoras centrais da organização criminosa.
O PontoPoder procurou a assessoria da deputada para maiores esclarecimentos quanto ao caso. Em nota, sua gestão afirmou que "a defesa já analisa o teor da decisão" e se manifestará após seu reconhecimento.
Na última semana, a parlamentar estava em Nova Iorque, nos Estados Unidos, junto à primeira-dama do Brasil, Janja da Silva, e outras duas deputadas. Elas integraram a Delegação Brasileira durante a Semana da Mulher na Organização das Nações Unidas (ONU).
Além disso, na quarta-feira (11), a parlamentar também teve um projeto de lei aprovado na Casa Legislativa quanto à liberação do uso de spray de pimenta para autodefesa feminina.
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Nascida em Juazeiro do Norte, Maria Gorete Pereira, atualmente com 73 anos, é fisioterapeuta e iniciou na política como vereadora de Fortaleza ao final dos anos de 1980. À época, ela chegou a ser líder de seu então partido, PFL, na Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor).
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Nas eleições de 1994, conquistou uma cadeira na bancada do PFL da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) como deputada estadual, onde atuou por dois mandatos consecutivos e, em seguida, conseguiu uma vaga de suplente na Câmara dos Deputados.
Filiada ao Partido Liberal (PL), Pereira conseguiu ser eleita deputada federal nos pleitos de 2006 e 2014. Durante o período de impeachment da então presidente Dilma Rousseff, ela foi uma das parlamentares que se absteve da votação.
Após o final do último mandato, não conseguiu votos o suficiente para se reeleger nas eleições e ficou como suplente, chegando a assumir uma cadeira na Casa Legislativa durante licenças de deputados.
Filiação ao MDB e aprovação de PL
Em fevereiro de 2026, Gorete Pereira passou a substituir o deputado Yury do Paredão (MDB-CE) na Casa, que entrou de licença pela segunda vez durante o mandato. No início do ano, ela deixou o PL e se filiou ao MDB.
Seu projeto de lei nº 727, de 2026, foi aprovado na Câmara no último dia 11 de março e deve seguir para análise no Senado Federal. A proposta tem o objetivo de evitar a violência física e sexual contra mulheres a partir da defesa pessoal, liberando o uso de spray de pimenta.
Além de Gorete, a PF está cumprindo mandados de busca e apreensão contra outros 18 investigados. Duas pessoas também foram presas, sendo elas a advogada e ex-presidente da Associação dos Aposentados e Pensionistas Nacional (Aapen) e da Associação dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (AAPB), Cecília Rodrigues Mota, e o empresário Natjo de Lima Pinheiro.
Qual foco da Operação ‘Sem Desconto’
A operação “Sem Desconto” foi deflagrada em abril de 2025 pela PF e pela CGU para investigar um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões concedidos pelo INSS.
O valor dessas irregularidades foi estimado em R$ 6,3 bilhões descontados por entidades investigadas entre os anos de 2019 e 2024.
Para prosseguir com a operação, nesta segunda-feira (16), o Supremo Tribunal Federal (STF) expediu mandados judiciais, procedidos sob relatoria do ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) André Mendonça.
Ao todo, na manhã de terça feira (17), estão sendo cumpridos 19 mandados de busca e apreensão, dois mandados de prisão e outras medidas cautelares no Ceará e no Distrito Federal.
Quem são os alvos?
Cecília Rodrigues Mota
Cecília é advogada cearense e ex-presidente da Associação dos Aposentados e Pensionistas Nacional (Aapen) e da Associação dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (AAPB). Ela é apontada como uma das articuladoras centrais da organização criminosa.
As autoridades atribuem à investigada os crimes de:
- Participação em organização criminosa estruturada;
- Estelionato previdenciário mediante descontos não autorizados;
- Lavagem de dinheiro por meio de empresa de advocacia;
- Falsidade ideológica.
Natjo de Lima Pinheiro
Apontado como líder e administrador financeiro da organização criminosa, Natjo é empresário e foi preso preventivamente nesta terça-feira (17) na cidade de Fortaleza, sob fundamento de:
- Interromper a atuação da organização criminosa;
- Evitar a destruição de provas;
- Impedir a continuidade da lavagem de capitais e dilapidação do patrimônio.
Conforme apontado na decisão, a liberdade do empresário poderia apresentar altíssimo risco para reorganização do grupo criminoso. Além de coordenar os esquemas, a PF aponta que ele articulava inclusão massiva de beneficiários em associações sem autorização.
Maria Gorete Pereira
A deputada federal em exercício pela bancada cearense, Gorete Pereira, é apontada como uma “integrante relevante da organização criminosa”.
Conforme a decisão, a parlamentar usou da influência política para viabilizar acordos com o INSS, teve o controle de associações usadas para a expansão dos descontos e tinha interlocuções diretas com autoridades e servidores.
O relator André Mendonça indeferiu o pedido de prisão preventiva solicitado quanto à deputada, mas decretou o monitoramento com tornozeleira eletrônica. O atual mandato da parlamentar na Casa Legislativa continua ativo e em exercício.
O que dizem as defesas
Ao PontoPoder, a defesa de Natjo, representada pelo advogado Bruno Queiroz, considera a prisão preventiva “desnecessária e desproporcional” e está em busca de sua revogação.
“Os descontos investigados encontram-se paralisados, inexistindo risco de continuidade, e o próprio cumprimento do mandado em sua residência afasta qualquer alegação de risco de fuga.”, afirmou em nota.
Já o posicionamento oficial da gestão de Gorete Pereira diz que a investigada “não praticou de qualquer ato ilícito e que as informações divulgadas não refletem a realidade dos fatos”. A defesa da parlamentar, feita pelo advogado Dr. Waldir Xavier, manifestará-se “após análise detalhada do caso”.
A defesa de Cecília Mota ainda não se pronunciou. O espaço segue aberto para manifestações.
*Estagiária sob supervisão da jornalista Jéssica Welma.