Voto e fé: evangélicos são desafio para o PT na disputa ao governo, aponta Quaest
Oposição lidera no segmento que se mostra, até aqui, resistente ao governo petista; Católicos tendem a apoiar a continuidade
Os dados da pesquisa Genial/Quaest divulgados nesta quinta-feira (30) revelam uma divisão no eleitorado cearense com base na fé. Enquanto os católicos tendem a apoiar a continuidade da gestão atual, o segmento evangélico se consolida como o principal foco de resistência a nomes do PT, apresentando taxas elevadas de desaprovação e preferência por Ciro Gomes (PSDB).
A resistência ao governo Elmano
O governador Elmano de Freitas (PT) enfrenta seu maior desafio de popularidade justamente entre os fiéis evangélicos. Nesse recorte, a desaprovação ao seu trabalho atinge 47%, superando a aprovação, que fica em 38%.
O cenário é oposto entre os católicos, grupo no qual o governador mantém desempenho positivo: 61% de aprovação contra 23% de desaprovação.
Essa barreira religiosa sinaliza a maior influência de lideranças do campo político de direita entre os evangélicos, um movimento que se reflete nas intenções de voto.
Em um cenário com o atual governador na disputa, Elmano registra apenas 17% da preferência entre evangélicos. No mesmo segmento, Ciro Gomes alcança 47%, uma vantagem expressiva de 30 pontos percentuais.
Girão tem melhor desempenho entre evangélicos
O candidato Eduardo Girão (Novo) encontra seu melhor desempenho nesse grupo, variando entre 11% e 18% dependendo do cenário, o que reforça a hipótese de maior alinhamento desse eleitorado com candidaturas de perfil conservador.
Veja também
Camilo Santana e a tentativa de furar a bolha
A entrada do nome de Camilo Santana (PT) na disputa melhora o desempenho petista entre os evangélicos, mas ainda não é suficiente para superar Ciro Gomes nesse grupo.
Camilo alcança 27% das intenções de voto entre evangélicos, enquanto Ciro mantém a liderança com 36%.
A discrepância em relação ao eleitorado católico segue evidente: Camilo atinge 48% de apoio nesse segmento, consolidando uma vantagem de 15 pontos sobre Ciro, que soma 33%.
O desafio estratégico
Os dados indicam que o PT enfrenta dificuldade para “furar a bolha” evangélica também no Ceará, cenário semelhante ao que ocorre nacionalmente. Nesse campo, a oposição, liderada por Ciro Gomes e com presença de Eduardo Girão, domina a preferência deste eleitorado.
Para o grupo governista, o cenário de 2026 impõe um desafio claro: reduzir a rejeição em um segmento que se mostra cada vez mais decisivo nas disputas eleitorais.