Câmara de Fortaleza repudia ataques de dirigente do Sindiute à vereadora do PT
Políticos de oposição e situação saíram em defesa de Adriana Almeida (PT), alvo dos episódios denunciados.
Vereadores da Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor) repudiaram, nesta terça-feira (5), agressões denunciadas pela vereadora Professora Adriana Almeida (PT) e que teriam sido cometidas contra ela pela presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Fortaleza (Sindiute), Ana Cristina Guilherme.
Os episódios tornados públicos ocorreram no dia 1º de maio, durante um ato pelo fim da escala 6x1 realizado na Avenida Beira Mar em que a sindicalista teria agredido verbalmente a parlamentar da Câmara de Fortaleza, e, antes do evento, numa assembleia do Sindiute em que a dirigente teria incitado professores a abordar, "cada um do seu jeito", a parlamentar para demonstrar insatisfação com o mandato, alegando que a petista estaria cometendo "práticas antissindicais".
Ao falar sobre o assunto, na tribuna da Câmara Municipal, Adriana questionou: "quero perguntar a você da educação, o que meu mandato tem feito para provocar tanta ira dessa senhora?". "Infelizmente, o que aconteceu na Beira Mar, da abordagem que a presidente do sindicato teve com minha pessoa e com minha assessoria, foi um ato de agressividade, total desrespeito para quem está aqui todo dia lutando em defesa da educação", frisou.
Vice-presidente da CMFor, o vereador Adail Júnior (PDT) disse que a Casa já "aguentou todos os limites da truculência", da "ignorância" e da "não representação popular" de Ana Cristina. Segundo ele, que é decano no Legislativo, já presenciou episódios anteriores em que a sindicalista teria até mesmo batido na mesa de chefes do Legislativo e difamado vereadores.
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Márcio Martins (Republicanos) provocou as instâncias responsáveis da Câmara de Fortaleza a tomar uma posição com relação às agressões contra Adriana Almeida, classificadas por ele como uma hostilização. O vereador disse que "quem fez isso ameaçou e cumpriu". "Meu caro presidente Leo Couto, chame urgente uma reunião do Colégio de Líderes e da Mesa Diretora", sugeriu, salientando que a Procuradoria da Câmara deveria prestar apoio jurídico.
Durante a sessão desta terça, as vereadoras Adriana Gerônimo (Psol) e Mari Lacerda (PT), assim como os vereadores Inspetor Alberto (PL), Benigno Júnior (Republicanos), Marcelo Mendes (PL) e Aglaylson (PT) também discursaram repudiando a conduta da dirigente do Sindiute e se solidarizando com Adriana Almeida.
Presidência alegou que tomará providências
Após a sessão, pela tarde, o presidente da Câmara de Fortaleza, Leo Couto (PSB), se manifestou por meio de um vídeo em que aparece ao lado da vereadora Adriana Almeida. No registro, o chefe do Legislativo municipal repudiou a conduta da dirigente e disse ser "inadmissível" que a colega de plenário seja desrespeitada ou agredida.
Sem mencionar o nome de Ana Cristina, Leo Couto pontuou que não é a primeira vez que ela agride parlamentares e pessoas da gestão Evandro Leitão. "Já encaminhamos à Procuradoria da Casa para tomar todas as medidas cabíveis com relação a essa situação", anunciou o político.
Reposta do Sindiute
Em resposta à reportagem do PontoPoder, a presidente do Sindiute rebateu, por meio de nota, as alegações da vereadora Adriana Almeida e dos demais parlamentares, afirmando que "causa estranhamento" que ela não queria "ser cobrada justamente no Dia do Trabalhador e da Trabalhadora".
De acordo com o comunicado, o sindicato esteve no ato e "cobrou" a vereadora, que seria responsável por uma "prática antissindical" ao levantar o lema de "vitória da educação". Ao que afirmou o Sindiute, tal defesa se dá "em contraposição às lutas históricas da categoria".
"Ao tentar substituir a centralidade da luta coletiva por um discurso personalista, a vereadora busca anular a compreensão de que só a luta muda a vida, enfraquecer a unidade da categoria e dividir a classe trabalhadora para construir mérito individual", disse um trecho da nota.
O texto enviado por Ana Cristina afirmou ainda que a parlamentar petista tem uma postura que se aproxima com a de "pelego", jargão utilizado no movimento sindical para definir membros que defendem os interesses dos empregadores. E,por fim, reforça que irão cobrar ao prefeito, à base e especialmente "da vereadora Adriana Almeida".
O Sindiute argumentou que a cobrança deve ocorrer "principalmente" da parlamentar pelo seu vínculo partidário, por ser presidente da Comissão de Educação da Câmara de Fortaleza e por ser professora da rede municipal de Fortaleza.