Gardel Rolim tem até quarta (18) para apresentar manifestação à Procuradoria Eleitoral, diz MPF
Investigação preliminar foi aberta pelo órgão federal na última sexta-feira (13) a fim de apurar denúncia de infidelidade partidária.
Gardel Rolim (PRD) terá até esta quarta-feira (18) para se manifestar junto à Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) no Ceará, que instaurou um procedimento preparatório eleitoral contra o vereador da Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor) na última sexta-feira (13). A informação foi confirmada pelo Ministério Público Federal (MPF) ao PontoPoder nesta terça-feira (17).
Segundo o órgão, a investigação preliminar foi aberta a partir de uma representação protocolada pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT), que relatou infidelidade partidária por parte de Gardel. "Ontem, o procurador regional eleitoral Celso Leal notificou o vereador para apresentar manifestação em 48 horas", disse o MPF em nota. A assessoria do político foi procurada para questionamentos sobre o andamento do caso e aguarda retorno.
Na quarta-feira (11), o PDT Ceará enviou à PRE uma notícia de fato, assinada pelo seu presidente estadual e deputado federal André Figueiredo, narrando a conduta denunciada e pedindo a perda de mandato do parlamentar de Fortaleza, que trocou a sigla trabalhista pelo Partido Renovação Democrática (PRD) em janeiro deste ano.
Argumentos utilizados pelo PDT
No documento, o partido sustenta que Gardel se desfiliou sem apresentar uma das hipóteses de justa causa previstas na legislação eleitoral. O vereador passou a compor o PDT em julho de 2019 e foi eleito vereador de Fortaleza pela sigla em 2020. Ainda como pedetista, ele também presidiu a Câmara Municipal de Fortaleza entre 2023 e 2024.
A mudança para a nova agremiação, segundo o PDT, teria ocorrido sem comunicação prévia aos dirigentes da legenda. “O Sr. Gardel Rolim migrou, na ‘calada da noite’, para o PRD, num ato de completa infidelidade partidária”, sustentou um trecho da representação.
O diretório estadual ainda pontuou que não houve qualquer situação que justificasse a saída do vereador sem a perda do mandato e afirmou que Gardel mantinha participação ativa na estrutura partidária até segunda-feira (9), mesmo após a migração para o PRD.
Segundo o documento, ele integrava o diretório municipal do PDT em Fortaleza como secretário-geral, com mandato previsto entre novembro de 2025 e novembro de 2029. Além disso, o partido reforçou que Gardel participava das articulações para as eleições de 2026 e se apresentava internamente como possível candidato a deputado estadual.
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Gardel rebateu representação
Nesta terça-feira, Gardel se pronunciou publicamente pela primeira vez sobre o caso. As declarações aconteceram durante a sessão ordinária da CMFor. Da tribuna, ele mencionou a provocação da sua antiga legenda ao MPF, frisou a crise interna que a sigla vive desde 2022 e disse que o grupo vive “problemas insolucionáveis”.
Em seu pronunciamento, o partidário reforçou a versão de que não saiu do PDT “na calada da noite” e disse que, pelo que prevê a legislação, a Justiça Eleitoral deveria ter notificado o diretório nacional da legenda sobre sua troca de filiação pelo PRD, por ele ser ocupante de um cargo eletivo.
Rolim se disse "muito convicto" de que a Procuradoria "se convencerá" quando todos os argumentos expostos no Plenário Fausto Arruda também forem apresentados ao órgão federal. "O Ministério Público se convencerá que esse é mais um capítulo dessa história longa de brigas e confusões internas que nós temos no PDT", concluiu.
Indagado pela reportagem, André Figueiredo minimizou as críticas do ex-correligionário, afirmando que “crises acontecem em todos os partidos”. “Estou há 42 anos no mesmo partido e já presenciei várias em diferentes agremiações partidárias”, adicionou. Quanto à saída de Gardel, o dirigente alegou que "não é mais questão a ser discutida no PDT”.