Deputados da oposição na Alece confirmam estratégia de migrar para o PSDB, mas aguardam PL e União
Iniciativa pode esvaziar PDT e inflar bancada do partido de Ciro Gomes na Assembleia Legislativa.
Parte dos deputados estaduais oposicionistas deve migrar para o PSDB durante a janela partidária deste mês, confirmando a estratégia sinalizada ainda em janeiro. Foi o que confirmaram os parlamentares do grupo nesta terça-feira (3), durante o “Café da Oposição” da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), embora admitam o cenário de indefinições do União Brasil e do PL.
Como mostrou o PontoPoder, a tática envolve a ida de pelo menos cinco parlamentares para a sigla comandada por Ciro Gomes (PSDB), o que pode esvaziar as bancadas do PDT e do União Brasil na Casa. Por sua vez, nomes com maior potencial eleitoral para a Câmara dos Deputados devem disputar pelo União.
“A vontade de nós irmos para o PSDB já tá decidida. Mas foi pedido pelo Ciro que nós esperássemos a questão do União Progressista e também das definições que estão acontecendo na nacional do PL”, afirmou o deputado estadual Felipe Mota (União), anfitrião do encontro da oposição nesta manhã.
O panorama citado pelo parlamentar diz respeito à disputa interna pelo comando da Federação União Progressista no Ceará, em meio ao processo de formalização do arranjo partidário junto à Justiça Eleitoral. Enquanto uma ala é formada por opositores declarados, outro campo é aliado ao Governo Elmano de Freitas (PT). Além disso, o PL ainda não cravou a aliança com Ciro.
Levando isso em conta, Felipe Mota sinalizou que a oficialização do destino partidário deve ser concretizada até 30 de março. “Nós concordamos que todos nós tenhamos um ato para filiarmos todos nós, assim que nós possamos ter um evento onde todos nós, querendo ou não, serão seis, sete deputados, nós seremos a terceira maior bancada agora da Assembleia Legislativa”, projetou.
Por outro lado, Felipe Mota acredita que a chapa proporcional do PSDB para deputado estadual será a mais competitiva no pleito eleitoral de 2026, com a perspectiva de conseguir até 10 cadeiras na Assembleia Legislativa.
“A ideia do PSDB é eleger entre nove e 10 deputados estaduais. E a margem de votos vai ficar entre 30 e 33.000 votos a última vaga, o último eleito tem 30.000 votos. Essa daí é uma decisão que nós já estamos, a gente já subiu, já desceu, já calculou, nós teremos duas vagas de 30 a 33 mil votos”
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Por sua vez, Heitor Férrer (União) defendeu que o bloco opositor “caminhará junto”. “Nós que estamos aqui todos na oposição e que estamos abraçando a candidatura do Ciro Gomes, iremos todos para o mesmo partido. Ao que tudo indica, a nossa janela será para o PSDB”, indicou o parlamentar, acrescentando que o grupo ainda aguarda definições.
“Qual é a pendência? É que nós temos que até a abertura da janela, o UP (União Progressistas) defina concretamente a direção no estado e defina concretamente o apoio à candidatura (de Ciro), porque nós precisamos de composição e nós precisamos de recursos para a campanha caminhar. Mesmo sabendo que o nome do Ciro está acima de partidos e acima de recursos”
BANCADA INFLADA
Atualmente, o PSDB tem apenas uma das dez cadeiras da oposição no Parlamento, com Emília Pessoa (PSDB). A partir da estratégia, os deputados Felipe Mota (União), Sargento Reginauro (União), Heitor Férrer (União), Cláudio Pinho (PDT) e Queiroz Filho (PDT) podem migrar para legenda tucana durante a janela partidária, entre 5 de março e 3 de abril, quando as trocas entre partidos são liberadas.
Por sua vez, os deputados estaduais Lucinildo Frota e Antônio Henrique — os outros dois membros da bancada do PDT — estão apalavrados com o PL desde o primeiro semestre de 2025. Contudo, a chegada de Ciro ao PSDB ainda pode alterar essa composição.
Caso as mudanças se concretizem, o PSDB passaria a ter a 3ª maior bancada da Assembleia com seis parlamentares, atrás apenas de PT (10) e PSB (9), ambos do núcleo governista. O número pode chegar a oito, caso Lucinildo e Antônio Henrique decidam ir ao partido de Ciro.
Por outro lado, o PDT deixaria de ter representação na Casa com a saída do quarteto oposicionista, enquanto o União ficaria apenas com Firmo Camurça, deputado da base do Governo Elmano.
A ala opositora mira dois objetivos principais: o fortalecimento do PSDB para o pleito eleitoral e a formação de uma bancada aliada para um possível mandato de Ciro Gomes (PSDB) no Governo do Estado.
QUARTETO DE SAÍDA
Desde o ano passado, Antônio Henrique, Cláudio Pinho, Lucinildo Frota e Queiroz Filho já sinalizavam a saída do PDT, aguardando apenas a janela para a confirmação. O quarteto passa, ainda, por um processo de expulsão do partido, que deve acelerar a migração para outras legendas.
Questionado pelo PontoPoder, durante o “Café da Oposição”, o deputado Queiroz Filho (PDT) sinalizou que o grupo pode ir mesmo para o PSDB, mas evitou cravar posição. Segundo o parlamentar, a ideia é aguardar a janela partidária para fazer qualquer movimentação.
“A ideia da oposição aqui, inclusive, que estão conversando é para os pré-candidatos e pré-candidatas a estadual devem ir para o PSDB. O que está impressionando é a procura de muita gente, muitas lideranças querendo e confirmando que devem se filiar ao PSDB, principalmente nessas pré-candidaturas a deputado estadual, porque tende a ser a chapa mais competitiva”
Além de Felipe Mota, Heitor Férrer e Queiroz Filho, os deputados Antônio Henrique, Cláudio Pinho, Lucinildo Frota e Dra. Silvana (PL) também participaram do “Café da Oposição” desta terça-feira. Sargento Reginauro (União) fez uma participação remota no encontro, por estar internado diante da reincidência de um linfoma não-Hodgkin (LNH).
INDEFINIÇÕES DO PL
Mesmo diante da presença recorrente de membros do PL nos encontros da oposição, o partido do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) vive um cenário de impasses na aliança com Ciro Gomes.
O partido chegou a anunciar uma suspensão das conversas em torno do ex-ministro para o Palácio da Abolição, ainda em dezembro. Contudo, anotações do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à presidência da República, indicam que o apoio a Ciro pode ter o aval nacional.
Mesmo assim, o presidente estadual do PL, o deputado federal André Fernandes, afirmou que as conversas seguem suspensas e, "no momento oportuno", a decisão deve ser tomada, durante manifestação da direita bolsonarista realizada na Praça Portugal, na tarde do último domingo (1º).
"Vamos conversar com todos os participantes do Partido Liberal e definir com certeza a melhor chapa de oposição no estado do Ceará, mas não tem nada definido até então", defendeu o dirigente do PL.