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Anotações de Flávio Bolsonaro indicam aliança com Ciro Gomes para o Governo do Ceará

O registro foi deixado pelo senador em uma sala após reunião com a cúpula do PL.

Escrito por
Igor Cavalcante igor.cavalcante@svm.com.br
Imagem em composição lado a lado mostra Ciro Gomes e Flávio Bolsonaro em close. Ciro usa terno azul e gravata vermelha, com expressão séria. À direita, Flávio fala com a imprensa enquanto um celular é apontado em sua direção.
Legenda: Desde que voltou ao cenário político local, Ciro ensaiou uma aproximação com alas bolsonaristas, mas as conversas foram suspensas após críticas da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Foto: Thiago Gadelha/Diário do Nordeste; Tânia Rêgo/Agência Brasil.

As anotações feitas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) durante reunião com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, indicam que o grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deve apoiar o nome do ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) para o Governo do Ceará.

A composição se insere em meio a um movimento de aproximação entre o grupo cirista, integrantes da oposição ligada ao presidente do União Brasil, Capitão Wagner, e alas mais bolsonaristas no Ceará.

O rascunho do plano eleitoral foi deixado na sala após a reunião e foi registrado por jornalistas que estavam no local. No caso do Ceará, Flávio Bolsonaro sinalizou apoio a Ciro Gomes com uma informação até então inédita: de que o PL deve compor a chapa, portanto, indicando que a sigla pode aparecer na candidatura à Vice-Governadoria.

A anotação mostra ainda uma lista de nomes que podem disputar o Senado, incluindo Alcides Fernandes (PL), Priscila Costa (PL) e Roberto Cláudio (União).

Disputas internas

Os planos de Flávio e da cúpula do PL expõem a estratégia sobre dois pontos de tensão dentro da sigla: o apoio à Ciro Gomes e a candidatura de Priscila Costa.

A aliança com o tucano tem sido costurada pelo deputado federal André Fernandes (PL), mas conta com apoio de Flávio Bolsonaro e, conforme os parlamentares, teria aval do próprio Jair Bolsonaro. Contudo, no fim do ano passado, durante passagem pelo Ceará, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) classificou a articulação como “precipitada”. A declaração deflagrou uma crise no Estado e provocou a suspensão das conversas com o tucano.

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Já no caso de Priscila Costa, a pré-candidatura foi lançada pela ex-primeira-dama e pelo presidente nacional do PL. Contudo, o nome da parlamentar não tem ganhado força entre os deputados estaduais e federais que compõem a sigla

Anotações estratégicas

Os registros de Flávio mapeiam a estratégia bolsonarista por vários estados. Ao O Globo, o senador disse que as anotações correspondem a sugestões feitas pelos integrantes da reunião, não necessariamente sua opinião.

Minas Gerais

Indicado pelo governador Romeu Zema (Novo) como seu sucessor, o atual vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), é descrito como "puxa para baixo". 

São Paulo

Em São Paulo, há indicativo para que o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL), assuma o lugar de vice-governador na chapa de Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Para o Senado, a lista inclui o deputado federal Guilherme Derrite (PP) para a primeira vaga. Já a segunda vaga tem uma lista de opções: Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente; o deputado federal Mário Frias; o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro; o vice-prefeito de São Paulo, Mello Araújo; e o deputado federal Marco Feliciano.

Alagoas

As anotações listam possíveis nomes para o Governo, como o prefeito de Maceió, JHC (PL), e os deputados federais Alfredo Gaspar (União) e Arthur Lira (PP).

O deputado federal André Fernandes (PL) foi procurado pela reportagem, mas não houve retorno.

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