Cautela e soberania: Em Fortaleza, especialistas comentam decisão dos EUA sobre facções criminosas

Ministro do STJ, o cearense Teodoro Silva Santos defendeu aprovação da PEC da Segurança e disse que o tema é assunto da soberania nacional

Escrito por
Inácio Aguiar producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 11:11)
Legenda: Especialistas de vários estados do País participam do evento do MP em Fortaleza.
Foto: Fabiane de Paula.

Reunidos em Fortaleza, especialistas em justiça e segurança pública foram cautelosos ao analisar a decisão dos Estados Unidos de tratar facções criminosas com atuação no Brasil como organizações terroristas. O tema foi um dos mais comentados durante o Seminário Nacional Criminalidade Organizada e Sistema de Justiça, promovido pelo Ministério Público Estadual nesta sexta-feira (29), na sede da Procuradoria-Geral de Justiça, no Centro Administrativo do Cambeba. 

A repercussão vem de um anúncio feito nesta quinta-feira (28). O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, informou que o país vai designar o PCC e o Comando Vermelho como Organizações Terroristas Estrangeiras.  A medida se baseia na lei de imigração e nacionalidade americana. 

Ministro Teodoro: soberania e PEC da Segurança

Ministro do STJ, Teodoro Silva Santos.
Legenda: Ministro do STJ, Teodoro Silva Santos.
Foto: Fabiane de Paula.

O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Teodoro Silva Santos afirmou que o Brasil tem feito o combate ao crime organizado e tem autodeterminação para definir suas políticas públicas. O ministro lembrou ainda que o Brasil é uma nação de dimensões continentais, com mais de 200 milhões de habitantes.

Para o cearense, esse tipo de definição diz respeito à soberania nacional. E deve, por isso, ser analisada e avaliada pelo chefe de Estado, no caso, o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva. Teodoro reforçou que seguem os esforços para melhorar a segurança pública no país. 

Ele, que é especialista em justiça criminal e segurança pública, voltou a defender a aprovação definitiva da PEC da Segurança Pública no Congresso Nacional, para avançar no financiamento da área em todo o País. 

Para ele, a integração institucional é fundamental para o Brasil avançar ainda mais no tema. 

Professor Pierpaolo: os impactos da medida

Pierpaolo Bettini - Professor de Direito Penal USP.
Legenda: Pierpaolo Bettini - Professor de Direito Penal USP.
Foto: Fabiane de Paula.

O professor de direito penal da USP, Pierpaolo Bottini, defendeu que é preciso aguardar para avaliar os impactos da medida americana para o Brasil. Para ele, ainda não há como avaliar as consequências da decisão americana.

Bottini trabalhou com dois cenários. Se a medida estiver focada em asfixiar financeiramente as facções e em atacar a lavagem de dinheiro entre Brasil e Estados Unidos por estas organizações,  pode trazer avanços ao país. 

Entretanto, se o objetivo for abrir caminho para ações militares americanas em território nacional, aí sim afetaria a soberania, o que, segundo ele, seria um problema.

Técnica acima da ideologia

Hebert Gonçalves Santos (PGJ Ceará)
Legenda: Hebert Gonçalves Santos (PGJ Ceará).
Foto: Fabiane de Paula.

O procurador-geral de Justiça do Ceará, Herbet Gonçalves Santos, declarou que o Ministério Público segue focado na missão de combater a criminalidade. O PGJ insistiu na ponderação de que o País precisa separar entre a questão técnica e jurídica de segurança e os posicionamentos ideológicos e políticos, sobretudo em ano eleitoral.

“Com serenidade e firmeza, vamos continuar combatendo o crime organizado para dar mais tranquilidade à população brasileira e cearense”, disse ele durante entrevista coletiva. 

Brandão: mais cooperação

O ministro do STJ, Carlos Pires Brandão, avaliou que não há alteração no trabalho do Poder Judiciário brasileiro sobre o tema. 

O que o país precisa, disse, é de mais cooperação e trabalho no combate ao crime e na redução das desigualdades, com avanços em educação e profissionalização dos nossos jovens.

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