Quem é o braço brasileiro de gigante sul-coreana que deu calote em empresas no Ceará

A Posco do Brasil foi criada em 2011 para erguer a Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP).

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Redação producaodiario@svm.com.br
Foto aérea da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), construída pela Posco Engenharia.
Legenda: Posco, que construiuCompanhia Siderúrgica do Pecém (CSP), é acusada de não pagar empresas terceirizadas.
Foto: Arquivo Diário do Nordeste.

A empresa Posco Engenharia e Construção do Brasil foi uma das responsáveis pela construção da antiga Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP) e é alvo da Justiça por dar um calote em empresas cearenses. A companhia decretou falência no fim de 2025, fato que foi contestado pelos credores.

A empresa é uma subsidiária do conglomerado sul-coreano Posco, gigante no setor de engenharia e construção, com foco em grandes plantas industriais, infraestrutura e construções inteligentes. 

O braço brasileiro da companhia foi criado em 2011, especificamente para erguer a usina siderúrgica cearense, que recebeu investimento de US$ 5,5 bilhões.   

A CSP foi construída por parceria entre a Posco, a brasileira a Vale, maior miradora de ferro do mundo, e a Dongkuk, outra companhia sul-coreana que era a maior compradora global de placas de aço na época.

A operação da siderúrgica foi iniciada em 2016, transformando a economia do Ceará. Os problemas, entretanto, começaram a surgir poucos anos depois. As empresas coreanas são acusadas de dar um calote em terceirizadas contratadas para as obras.

A CSP foi vendida em 2022 para a gigante ArcelorMittal por US$ 2,2 bilhões. A transação bilionária foi concluída em 2023, após órgãos regulatórios aprovarem a venda.  

A siderúrgica do Pecém era uma joint venture formada pela brasileira Vale (50% de participação) e as sul-coreanas Dongkuk (30%) e Posco (20%).

CALOTE MILIONÁRIO E INVESTIGAÇÃO PELO MPF

Em 2019, a Posco do Brasil foi denunciada pelo Ministério Público Federal no Ceará por evasão de divisas e associação criminosa. Segundo a investigação, a companhia usava empresas como fachada para desviar os recursos da construção da siderúrgica.

Uma das empresas que teria sido utilizada como laranja é a Braco. A dívida que consta no processo é de R$ 644 milhões, mas o valor pode chegar a quase R$ 1 bilhão

No pleito de falência, a empresa declarou ativos de R$ 47 milhões, mas apenas R$ 11 mil estão disponíveis para o pagamento de dívidas em até 12 meses, classificados como ativos circulantes.

 Entre os poucos bens restantes, consta um veículo Ford Fusion 2015 quebrado e com multas pendentes, além de um terreno com baixa liquidez. 

GIGANTE SUL-COREANA

A companhia sul-coreana foi fundada em 1967, focada na construção da primeira usina siderúrgica integrada da Coreia do Sul, em Pohang. Inicialmente controlada pelo governo, foi batizada de Companhia de Ferro e Aço de Pohang.

A construção da quarta fase da siderúrgica foi concluída em 1981. Em seguida, a companhia se dedicou na construção de uma siderúrgica em Gwangyang, outra cidade sul-coreana. 

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Em 2000, a empresa foi privatizada e renomeada Posco, em meio a um processo de modernização e diversificação da produção. 

A Posco se tornou, em 2012, a primeira siderúrgica do mundo a produzir aço de alta resistência em uma tração superior a em larga escala.

A empresa também investiu em sua internacionalização, com sedes na China e Indonésia, além de filiais nas Filipinas, Vietnã, Arábia Saudita e Chile. 

As vendas nos centros de processamento do exterior ultrapassam 100 milhões de toneladas em 2025. A Posco executa projetos em diversos segmentos, como construção de rodovias, linhas de metrô, portos, hotéis, universidades e grandes prédios. 

PROJETOS EM TODO O MUNDO

A companhia siderúrgica cearense aparece entre os empreendimentos construídos pela Posco listados no site oficial. A construção começou em 2012, mas partes da planta só foram finalizadas em 2018.

Outro projeto que teve envolvimento da Posco no Brasil foi uma planta da mineradora Vale. A multinacional executou uma planta de grande escala, com capacidade de mineração de 2.400 toneladas por hora.

projetos listados em inúmeros países, como Peru, Chile, Malásia, Bangladesh, Indonésia, Gana, Paquistão, Israel, Filipinas, Panamá e Polônia. 

Segundo os últimos indicadores oficiais da empresa, de 2024, a companhia tem apresentado redução nos resultados financeiros líquidos. O lucro líquido caiu para um terço de 2023 a 2024.

Também houve redução nas vendas, embora os novos pedidos tenham atingido o maior número em três anos. 

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