Brasil e Índia firmam acordo para explorar minerais de alta tecnologia

O Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China.

Escrito por
Geovana Almeida* geovana.almeida@svm.com.br
(Atualizado às 12:10)
Reunião internacional de líderes e representantes de diferentes países tomando decisões importantes em uma sala de convenções com decoração elegante, flores na mesa e painel de vídeo ao fundo.
Legenda: Líderes do Brasil e Índia assinaram um memorando de entendimento também nas áreas de comércio e empreendedorismo.
Foto: Agência Brasil/Ricardo Stuckert.

Um acordo entre Brasil e Índia sobre exploração de minerais críticos e terras raras foi feito neste sábado (21). Esses minerais são usados no desenvolvimento de várias tecnologias, como veículos elétricos, painéis solares, smartphones e mísseis guiados.

O anúncio veio do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, que esteve com Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em Nova Délhi, capital da Índia. O presidente Lula chegou em território indiano na quarta-feira (18), para participar de uma cúpula sobre inteligência artificial. 

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Neste sábado, ele foi recebido com cerimônia oficial, onde prestou homenagens a Mahatma Gandhi e depois se reuniu com Narendra Modi para discutir a ampliação dessa cooperação bilateral.

Qual o intuito do acordo?

O principal objetivo do acordo é o de promover investimentos recíprocos na exploração, mineração e desenvolvimento dos elementos de terras raras e dos minerais críticos em ambos os países.

O Brasil aparece com relevância na disputa internacional por esses elementos, tendo em vista que o país possui a segunda maior reserva desses recursos no mundo, ficando atrás apenas da China. Essa riqueza tem potencial de impulsionar a transição energética e a indústria de alta tecnologia brasileira.

"Ampliar os investimentos e a cooperação em matéria de energias renováveis e minerais críticos está no cerne do acordo pioneiro que assinamos hoje" 
Luiz Inácio Lula da Silva
Presidente do Brasil

Ainda assim, o Brasil exporta principalmente essa matéria-prima em forma bruta. Isso acontece diante da falta de tecnologia nacional para o refino industrial desses elementos. Por isso, o país perde valor ao longo da cadeia e se mantém como fornecedor periférico, enquanto a China domina o mercado global.

Além do interesse brasileiro, a Índia tem buscado reduzir a dependência da China, investindo na expansão da produção interna, na reciclagem e na diversificação dos fornecedores.

O documento assinado hoje também cita o apoio à exploração de ETRs (elementos terras raras) e minerais críticos em áreas greenfield e brownfield - que são áreas ainda sem nenhum tipo de infraestrutura ou áreas que já possuem aparato, mas que precisam de revitalização e expansão.

O tratado entra em vigor por um prazo de cinco anos, sendo automaticamente prorrogado por períodos sucessivos de cinco anos cada, a menos que ocorra uma rescisão. As informações são da CNN Brasil.

Lula e Modi também trataram da expansão das trocas comerciais entre os países, que superaram US$ 15 bilhões em 2025. O Brasil é o principal parceiro comercial da Índia na América Latina, e as duas nações têm a meta de elevar o comércio bilateral a US$ 20 bilhões até 2030.

Afinal, o que são essas terras raras e minerais críticos?

As terras raras formam um grupo de 17 elementos químicos encontrados na natureza, geralmente misturados a outros minérios. Esses elementos são considerados raros, pois os processos para isolá-los dos outros minérios são extremamente caros e complexos. 

Essa matéria, quando isolada em alta pureza, é  utilizada no desenvolvimento de diversas tecnologias. Por isso, esses acordos sobre exploração mineral estão no centro da economia do século 21, gerando disputas geopolíticas cada vez mais acirradas.

Os minerais críticos também são recursos essenciais para a segurança nacional e transição energética. Atualmente, o fornecimento dessa matéria-prima enfrenta riscos de escassez e alta dependência de poucos países produtores.

Esses minérios são essenciais para produzir:

  • Motores de carros elétricos e aeronaves;
  • Chips de computadores e celulares;
  • Turbinas eólicas;
  • Equipamentos médicos;
  • Satélites, foguetes e mísseis;
  • Painéis solares ;
  • Dispositivos eletrônicos de última geração.

*Estagiária supervisionada pela jornalista Jéssica Welma.

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