Quanto custa construir uma casa? Confira dicas de planejamento, matéria-prima e mão de obra

O grau de complexidade da arquitetura e a escolha de matérias-primas afetam o valor total da construção, bem como a localidade do terreno

Escrito por Heloisa Vasconcelos, heloisa.vasconcelos@svm.com.br

Negócios
trabalhador da construção civil
Legenda: O custo da construção é definido em grande parte ainda no momento do projeto
Foto: Fabiane de Paula

Construir o próprio imóvel pode ser uma boa opção para quem quer ter uma casa mais personalizada e adaptada às necessidades da família desde o projeto. Seja para uma residência convencional ou de veraneio, diversos fatores podem influenciar no custo total da construção. 

Segundo o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE), o custo básico de construção varia de acordo com padrão da obra (econômico, normal e de alto padrão). Os valores vão de R$ 1.440,69 por metro quadrado (m²) a R$ 2.084,09/m².

Essa empreitada inclui gastos antes inclusive de começar a erguer as paredes. Um bom projeto com uma equipe de engenharia e arquitetura pode evitar maiores custos durante a execução da obra e problemas futuros.  

Algumas escolhas ainda na fase de projeto irão definir os gastos durante a execução. Obras com arquitetura mais complexa ou mais de um pavimento podem exigir um número de maior de pedreiros e serventes ou mesmo uma mão de obra mais cara e qualificada. 

Detalhes na hora da escolha das matérias-primas podem encarecer ou tornar mais barata a obra. 

Quanto custa? 

Diversas variáveis influenciam no valor da obra. O Sinduscon-CE calcula mensalmente o Custo Unitário Básico de Construção (CUB/m²), que mostra um preço base dos custos de construção por m². 

Os valores servem apenas como referência e podem ser maiores na prática com base em especificidades do projeto e matéria-prima. 

Planejamento e projeto 

O engenheiro civil com especialização em gerenciamento e planejamento de obras Tarciso Rodrigues explica que os custos para uma pessoa construir costumam ser maiores do que os de uma construtora.  

“Quando se constrói para vender você faz um projeto funcional, mas com detalhes que diminuem bastante o custo. Mas quando é uma casa para morar, normalmente a pessoa procura colocar acabamentos com gosto próprio, isso eleva um pouco o custo da edificação em termos de acabamento”, coloca. 

Ele aponta que as escolhas arquitetônicas na fase de projeto influenciam no preço que será gasto futuramente com mão de obra e matéria-prima. Em empreendimento com dois pavimentos em que o segundo andar é muito diferente do inferior tem custos maiores do que se fossem padronizados, ele compara. 

O local do terreno pode influenciar nos custos totais. Caso a obra não esteja dentro de um condomínio fechado, o indicado é contratar segurança privada para evitar furtos. 

Uma forma de economizar é tentar reduzir ao máximo o tempo da obra. É o que também indica o vice-presidente da área de tecnologia do Sinduscon-CE, Jorge Dantas. 

O ideal é orçar com todo o cuidado, decidir antes para executar sabendo dos valores que vai gastar. Se for olhar especificação na hora, pior. Quanto maior o prazo da obra pior, porque tem despesas indiretas, o ideal é que seja o mais rápido possível para que não atrapalhe também no custo
Jorge Dantas
vice-presidente da área de tecnologia do Sinduscon-CE

Mão de obra 

A mão de obra é um custo significativo dentro do valor total da obra. Jorge Dantas estima que a contratação de pessoal representa cerca de 50% do custo direto da construção.  

O salário de um profissional na construção civil gira em torno de R$ 1.700 pelo piso da categoria. O número de profissionais a serem contratados depende diretamente do projeto e será sinalizado pelo próprio engenheiro. 

Homens apontando para folhas em mesa de projetos de arquitetura
Foto: Shutterstock

Conforme Dantas, esse valor pode mudar a depender da cidade em que a construção será feita.  

“Na capital é um valor, no interior é outro. Também depende se tem mão de obra disponível ou não. Mão de obra em Maracanaú, por exemplo, é um pouco mais cara por não encontrar, por ter muito indústria [que demanda os profissionais]. Depende também da época do ano, algumas pessoas preferem ficar na agricultura e a mão de obra civil fica mais escassa”, relaciona. 

O padrão da residência também pode exigir uma mão de obra mais qualificada. Uma fachada mais rebuscada, por exemplo, pode exigir um profissional com maior habilidade e que também cobre mais. 

Segundo o representante do Sinduscon-CE, a indicação é sempre contratar empresas especializadas para gerir a obra. Mas, caso o proprietário do imóvel decida seguir com a obra de maneira independente, é importante formalizar os vínculos com os profissionais da construção por meio da assinatura de carteira de trabalho. 

“Tem gente que cobra menos, mas se for fiscalizado pode ter problemas em relação a isso. Se você fez algo de maneira informal tem risco de ações judiciais e tem que recolher para o INSS”, chama atenção. 

Tarciso Rodrigues reitera que a informalidade na mão de obra pode trazer problemas futuros.  

Quando contrata sem carteira, ele cobra mais caro na mão de obra. Hoje um pedreiro avulso cobra em torno R$ 130 o dia mais almoço e mais transporte. Se for no salário da categoria, é R$ 80 por dia. Se um dos funcionários ou mais de um decidir ir para justiça, [o proprietário] vai ter que pagar todos os direitos. Se por ventura alguém sofrer acidente dentro da obra estando avulso, acabou todo o sossego para o proprietário, tem um problema para o resto da vida
Tarciso Rodrigues
engenheiro civil com especialização em gerenciamento e planejamento de obras

Matéria-prima 

A escolha entre uma cerâmica ou um porcelanato pode encarecer ou baratear o valor da obra como um todo.  

Conforme o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Maquinismo, Ferragens e Tintas de Fortaleza (Sindimac), o preço dos materiais teve grande alta durante o primeiro ano da pandemia, mas está retornando à normalidade. 

“Depois da pandemia, do primeiro fechamento geral, começou a faltar produtos no mercado, todos os insumos para as indústrias de produtos acabados, como cerâmicas, louças sanitárias, tubos, telhas. Todo derivado de plástico ficou muito escasso e todo o material de brilho também”, relata. 

Ele afirma que a falta de matéria-prima no mercado aumentou os preços, mas as fábricas voltaram a regularizar a produção entre junho e julho do ano passado. Desde novembro, os preços vêm se mantendo e a tendência é de queda. 

Ainda assim, a cesta básica da construção tem hoje preços maiores do que os registrados antes da pandemia.  

“Uma cerâmica que em 2020 era vendida a R$ 26, hoje está a R$ 40. O cimento era vendido de R$ 14 reais, hoje está mais ou menos R$ 30. O vaso sanitário com caixa acoplada, era R$ 180 e hoje está entre R$ 310 e R$ 330. Balde de tinta que estava mais ou menos R$ 70, hoje está por R$ 110, R$ 120”, compara. 

Tarciso indica que o proprietário do imóvel pode conseguir economizar na escolha de matéria-prima para os acabamentos, mas é importante sempre focar na qualidade de itens estruturais, como encanamentos e fios.  

O planejamento também ajuda quem pretende economizar. Encomendando com um prazo antes do início da obra, é possível comprar os materiais de fábrica com um preço mais barato.  

A pesquisa entre lojas também ajuda, já que a discrepância de preços pode ser considerável entre um fornecedor e outro.