Potencial de redução do custo Brasil deve chegar a R$ 800 bi até o fim do ano, aponta secretário

A meta final é reduzir o Custo Brasil em R$ 1,5 trilhão em 10 anos, partindo do andamento de 22 projetos no Congresso e de ações de estados e municípios, para aumentar a competitividade das empresas no País

Escrito por Redação,

Negócios
Legenda: Esse cenário influencia negativamente o ambiente de negócios, encarece os preços dos produtos nacionais e custos de logística, comprometem investimentos e contribuem para uma alta carga tributária
Foto: Shutterstock

O projeto sobre a redução do Custo Brasil, que será apresentado em evento virtual pela Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) na manhã desta quarta-feira (28), pretende reduzir R$ 1,5 trilhão de custos do País em 10 anos, adiantou o titular da Secretaria do Desenvolvimento da Indústria, Comércio, Serviços e Inovação do Ministério da Economia, Jorge Luiz de Lima. A proposta visa o desenvolvimento e aperfeiçoamento da competitividade do Brasil. 

O secretário está em Fortaleza para participar do evento com a Fiec, e se reuniu com o governador Camilo Santana nesta terça-feira (27) para tratar da iniciativa, cuja meta é chegar a uma redução potencial de R$ 800 bilhões do custo ainda neste ano. Ele também encontrou empresários cearenses membros do Lide Ceará.

“É um projeto do setor produtivo junto com o Congresso mais o Governo Federal, só que em algum momento ele precisa que os estados também participem dele. A gente fala de fazer um spin-off no projeto e implantar nos Estados”, salientou. 

O trabalho do Executivo estadual entraria em ações voltadas para a desburocratização, por exemplo. “Tenho feito uma visita a todos os estados brasileiros, eu, o secretário Carlos da Costa, o próprio ministro Paulo Guedes, no intuito de montarmos essa visão nacional da necessidade de implantar esse projeto no Brasil”, completou Lima. 

Ações imediatas 

O Custo Brasil é um termo utilizado para um conjunto de dificuldades estruturais, burocráticas, trabalhistas e econômicas que atrapalham o crescimento do País, alimentando negativamente o ambiente de negócios. 

Para alcançar a redução do montante de R$ 1,5 tri em 10 anos, as ações devem ser implementadas a partir de agora, enfatiza o secretário. De acordo com ele, 22 projetos já discutidos com o ministro Paulo Guedes e Casa Civil estão no Congresso para avaliação, com expectativa de aprovação até o fim deste ano.

“Esses 22 projetos devem gerar um potencial na casa de R$ 550 bilhões a R$ 600 bilhões, o que chegaríamos em um potencial de redução de R$ 800 bilhões no final do ano”, aponta. 

Segundo Jorge Luiz de Lima, o encontro com o setor empresarial amanhã na Fiec deve alinhar essas ações. 

“Seria muita arrogância nossa, do Governo, achar que entende mais que o setor produtivo. O sucesso desse projeto está em ir aos estados e trazer a participação do setor produtivo do meio empresarial, seja ele industrial, de comércio ou serviço, para que junto conosco e com o Congresso possamos evoluir nessa agenda, que é uma agenda para o Brasil”, destacou. 

Para Ricardo Cavalcante, presidente da Fiec, a reunião é fundamental para que tanto empresários quanto a sociedade entenda sobre o Custo Brasil e sobre a importância do programa.  

“É algo que atrapalha, joga uma obrigação ou um custo em cima da empresa, não se cobra isso em outros países. O que faz com que a gente tenha uma produção mais cara e foque em coisas que não são inerentes à produção”, pontuou. 

Impacto da pandemia 

Pelo caráter emergencial, o impacto da pandemia no custo é direto. O secretário do Ministério da Economia ressalta medidas do Governo como a volta do programa de redução de salários e jornadas, assinado hoje pelo presidente, e o trabalho da Secretaria Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade do Ministério da Economia (Sepec) para o retorno do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe). 

“Agora, se nós não mexermos no custo do Brasil, fatalmente, o pós pandemia vai afetá-lo (o custo Brasil). Por isso que a gente precisa acelerar as reformas estruturantes desse País. Há segmentos sofridos, segmento de eventos, de transporte escolar, bares e restaurantes. Nós temos que fazer alguma coisa para esses segmentos, mas também temos que olhar pro futuro”, ponderou. 

Mapeamento dos dados 

O trabalho a ser apresentado pela Fiec amanhã conta com parceria do Observatório da Indústria. Por inteligência artificial, a plataforma reúne dados demográficos e financeiros de mais de 5 mil municípios brasileiros e 311 processos de Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAEs). Essas informações são fornecidas ao Ministério da Economia.   

Legenda: Ricardo Cavalcante é presidente da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec) e assume hoje a Associação Nordeste Forte, da CNI
Foto: Foto: Kid Junior

“Com essa coleta de informações, conseguimos saber o preço diário de qualquer produto do mundo naquele dia, estamos passando essa informação para os nossos industriais que importam para que possam, não só saber o preço médio, mas comparar se aquele preço do fornecedor dele é real, em alguns casos tem diferença de 9% e estamos falando na compra em dólares”, explicou o presidente da Fiec.   

O secretário Jorge Luiz de Lima exaltou o trabalho feito pelo Observatório, frisando que pretende intensificar a parceria para ampliar a visão sobre os dados e direcionar os trabalhos e políticas públicas. 

“Hoje, no mundo, eu diria que o Observatório daqui deve estar entre os três ou quatro melhores, que eu conheço pela dimensão do País, é uma coisa impressionante”,
Jorge Luiz de Lima
Secretário de Desenvolvimento, Indústria, Comércio, Serviço e Inovação do Ministério da Economia

O projeto de dados foi lançado em 2018 para construir e articular conhecimento com foco em inteligência competitiva, de forma a disponibilizar soluções, programas e produtos para as empresas, além de diversas pesquisas conjunturais que acompanham o faturamento da indústria, a confiança dos industriais, bem como as perspectivas para a produção e o investimento.  

“Queremos trazer para dentro da Casa da Indústria os empresários, para que possam olhar para o negócio dele, mas também como se comporta perante o Nordeste, o Brasil, a América Latina e o mundo. É isso que vai fazer a diferença para que o empresário tenha mais sucesso daqui pra frente, diante desse processo de globalização que nós estamos passando”, concluiu o presidente da Fiec, Ricardo Cavalcante.