Grupo Telles não descarta interesse futuro em unidade

Empresa cearense tem investido mais na área de geração de energia. Em 2017, será iniciada a produção de biodiesel

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Redação producaodiario@svm.com.br

O Grupo Telles não descarta a possibilidade de comprar a Usina de Biodiesel de Quixadá, controlada pela Petrobras e em processo de encerramento das atividades a partir deste mês. Segundo Paulo Telles Neto, diretor de planejamento do Grupo, o negócio não será concretizado neste momento, apesar do interesse.

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"A princípio, nós não estamos interessados. A curto prazo, a gente ainda prefere conhecer e aprender sobre o mercado. Pelo menos em um ou dois anos nós vamos focar no nosso negócio. Se a gente perceber que o setor é interessante, se aumentar a nossa demanda e se o nosso negócio se mostrar viável, as portas estarão abertas", ressalta Paulo Telles Neto. O Grupo deverá iniciar a produção de biodiesel em março do próximo ano, em uma usina própria.

Segundo Telles Neto, o biocombustível produzido pela unidade do Grupo será utilizado para consumo das empresas do Grupo. "A ideia é reduzir o nosso consumo de combustível e, para tanto, nós usaremos a soja que produzimos no estado de Tocantins", explica.

Primeira fase

Nesta primeira fase do empreendimento, o produto servirá para suprir a demanda da frota de tratores e caminhões da empresa. Em um segundo momento, após passar por vistorias da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o Grupo Telles irá comercializar o produto no mercado. De acordo com o diretor de planejamento, a segunda fase deverá ser iniciada ainda no segundo semestre do próximo ano.

Sinalização

Para o consultor da área de petróleo e gás Bruno Iughetti, os investimentos do Grupo Telles em etanol e biodiesel são uma sinalização de que a empresa seria uma forte possível compradora da Usina de Quixadá.

"Eu acredito que isso poderá vir a se tornar um negócio, até mesmo uma parceria com a Petrobras. É uma área que eles terão interesse, podem ser um futuro comprador dessa fábrica", diz Bruno Iughetti.

Segundo o consultor, o Grupo Telles é um player importante para entrar na cadeia de biodiesel. "Na área do etanol, eles já demonstraram que estão investindo", afirma.

Novos negócios

O Grupo Telles prevê faturamento de R$ 60 milhões para 2016. A empresa deverá ter aumento nas vendas de combustíveis na ordem de 35% em relação ao ano passado. "O Grupo já tinha negócios na área e aproveitamos a sinergia de produção entre as nossas empresas, com o intuito de aproveitar o mercado que estamos inseridos, já trabalhamos com a venda de etanol e temos conhecimento. O biodiesel veio para agregar esta cadeia", explica o diretor de planejamento do grupo, Telles Neto.

Postura da estatal

A Petrobras iniciou ontem o processo de fechamento da Usina de Biodiesel de Quixadá. Para Telles Neto, a decisão é uma grande perda para o Estado. "É importante que ela funcione para suprir a demanda de mercado e para desenvolver outras fontes e recursos", reitera.

Já para Bruno Iughetti, a negociação do Governo do Estado com a Petrobras é desgastante. "Será muito difícil a Petrobras voltar atrás. Na minha opinião, a taxa de sucesso dessa negociação é muito pequena", diz o especialista. Ainda segundo ele, a estatal deverá oferecer a uma outra empresa a usina de Quixadá.

Para o consultor, o fechamento da Usina de Quixadá é reflexo da deficiência por matéria-prima. "O biodiesel produzido a partir da mamona não atende a determinadas especificações, a partir daí a Petrobras teve de usar a soja", afirma.

De acordo com ele, o custo da mercadoria e do transporte são altos, o que fez a usina entrar no plano de desinvestimento da estatal petrolífera. "Isso não significa que ela vai ficar parada. A Petrobras deve encontrar um comprador. Obviamente que ela perde valor se ficar paralisada, mas o que se espera é que eles façam negociações com terceiros", diz Bruno Iughetti.

Matéria-prima

O consultor da área de petróleo e gás também informou que no Ceará há uma grande dificuldade de matéria-prima e apontou o Piauí, que já produz a soja, como parceiro nos negócios. "Será algo muito importante para a economia cearense e precisamos de incentivos para a atividade", finaliza Iughetti.

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