Por que Fortaleza registrou um dos maiores números de passageiros internacionais em seis anos?
Fortaleza encerrou 2025 alcançando a segunda maior movimentação de passageiros internacionais desde 2019, no período pós-pandemia. O Aeroporto Pinto Martins movimentou 466.173 passageiros, salto de 7,5% sobre 2024, ainda que 19% abaixo de 2019. Os dados são da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
O crescimento sobre 2024 é impulsionado por um conjunto de fatores: crescimento na movimentação com a Europa, mais voos ao Cone Sul, reposicionamento de companhias aéreas e reforços pontuais de alta estação.
A ocupação média dos voos internacionais em 2025 foi de fortíssimos 85,7%. O crescimento de 7,5% está em linha com o crescimento de 8,9% dos passageiros totais do aeroporto entre 2025 e 2024, conforme já publicamos. É a 2ª maior movimentação de passageiros internacionais da Europa.
Para 2026, com os dados da Agência Nacional de Aviação Civil que estão previstos até setembro, há uma estimativa de 305.265 assentos internacionais, o que poderia nos levar a uma marca de 520.000 passageiros internacionais ao fim do ano.
Estaríamos potencialmente distantes de 2019 em apenas 6%, o que poderia nos levar à melhor marca da história já em 2027.
Diversos movimentos explicam esse crescimento em 2025. O primeiro deles veio da conectividade europeia, que atingiu seu ponto mais alto desde o antigo hub Air France–KLM.
Em 2025, Fortaleza contou com reforço expressivo da Air France, que ampliou sua operação para cinco voos semanais na alta estação, além de inaugurar a nova rota semanal para Caiena, conectando o Ceará diretamente à Guiana Francesa e ao Caribe Francês.
É um avanço significativo que reforça a presença francesa no Estado — justamente a nacionalidade que mais visitou Fortaleza naquele ano.
Em paralelo, a TAP Air Portugal protagonizou um incremento interessante no segundo semestre: operou vários voos extras entre Lisboa e Fortaleza nos meses de setembro, novembro e dezembro, incluindo dias com dupla operação diária e uso de aeronaves de maior capacidade, como o Airbus A330-900.
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A companhia repetiu, em 2025, a lógica que já havia adotado no fim de 2023 e ao longo de 2024 e consolidou de vez o voo Lisboa–Fortaleza como uma das ligações mais robustas entre a Europa e o Nordeste. As ocupações da TAP são fortíssimas, em passageiros e cargas.
Porém, não foi apenas a TAP que ampliou o alcance europeu de Fortaleza. A Latam, ao decidir suspender a rota para Miami, reorganizou sua malha e triplicou a oferta de voos para Lisboa entre outubro de 2025 e março de 2026.
A troca da Flórida por Portugal teve efeito imediato na movimentação internacional: Lisboa se expandiu como porta de entrada mais comum de europeus rumo ao Ceará, com ocupações superiores às registradas nos voos para os Estados Unidos.
A rota Santiago–Fortaleza, também da Latam, recuperou desempenho e estabilidade, estando cada vez mais próxima de ocupações de 80%, patamar de segurança clássico para a sustentabilidade da rota.
No Cone Sul, o cenário foi igualmente promissor. A Gol ampliou historicamente sua presença internacional a partir de Fortaleza, operando quatro frequências semanais para Buenos Aires, além de estrear, em novembro de 2025, um aguardado e interessante voo direto para Montevidéu, ligando o Ceará ao Uruguai pela primeira vez.
Com isso, a capital cearense encerrou 2025 com a maior malha de voos ao Cone Sul de sua história, confirmando a força da demanda argentina e uruguaia, que ganha intensidade na alta estação e durante eventos esportivos.
Crescimento em 2026
Ao contrário de outras épocas em que o crescimento era seguido por retração, 2026 começa ainda maior. Logo em janeiro, o Ceará inaugura uma nova chegada da Iberia, que estreia a rota Madri–Fortaleza com três voos semanais, ampliando para quatro em março.
É a entrada de uma nova companhia europeia, trazendo conectividade direta com o maior hub da Espanha e abrindo portas para mais de cem destinos europeus, africanos e do Oriente Médio.
É também uma demonstração de confiança da Iberia, que escala o Nordeste com operação regular e progressiva com o A321XLR, aeronave de nova geração, após o início de voos a Recife. As ocupações da Iberia em Recife foram excelentes, bem acima de 90%, segundo dados da Anac.
O ano também traz boas notícias da Air France, que confirma uma quarta frequência semanal entre junho e setembro de 2026, reforçando o período de ventos — cada vez mais fundamental para o turismo esportivo europeu, especialmente de franceses. É um indicativo de que a demanda não apenas se mantém, mas continua crescendo ano após ano.
E as perspectivas não param por aí. Com informações do Governo do Ceará, o estado segue negociando a chegada de novas empresas do Cone Sul, como JetSMART, Sky Airline e até reforços adicionais da própria Latam, além de movimentações importantes com companhias europeias — entre elas a ITA Airways, que já aparece em análises setoriais como candidata natural a um voo Itália–Ceará.
Os italianos são a 3ª nacionalidade estrangeira que mais vem ao Ceará, isso porque não há voos internacionais diretos. Trata-se de um movimento coerente: o Ceará se consolidou como polo aéreo natural para a Europa, e a entrada de uma companhia italiana seria consequência lógica desse novo ciclo.
Por fim, 2026 ainda guarda outro vetor de crescimento internacional: os voos para os Estados Unidos. A Latam retoma o voo para Miami a partir de abril e, com a Copa do Mundo acontecendo entre junho e julho nos EUA, a expectativa é que Gol e Latam reforcem suas malhas ou até que alguma companhia americana, como a American Airlines, avalie operações sazonais.
A Copa do Mundo é um catalisador natural de demanda, especialmente para cidades como Miami e Nova York, que receberão jogos decisivos. Se 2025 foi o ano da retomada definitiva, 2026 será o ano da consolidação. Fortaleza chega ao novo ciclo com mais companhias, mais rotas, mais diversidade de mercados e mais interesse internacional do que em qualquer outro momento de sua história. Nunca estivemos tão conectados. Nunca estivemos tão perto da Europa e da América do Sul. Ademais, podemos crescer muito mais em ligações com a América do Sul e os EUA.
O crescimento de passageiros internacionais tem relação também com a maior chegada de estrangeiros da história: crescimento de 19,2% sobre 2024.
Foram 112.643 turistas internacionais desembarcando em voos diretos em Fortaleza — número superior aos 108.315 de 2019 — e que já reposiciona o Ceará como uma das portas de entrada mais relevantes do turismo brasileiro.
Por fim, vale relembrar que o aeroporto de Fortaleza voltou a movimentar quantidade total superior a 6 milhões de passageiros, também o melhor número no pós-pandemia.
*Esse texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.