Planos, metas, sonhos e desafios do agro do Ceará

É possível transformar os perímetros irrigados do Dnocs, que respira por aparelhos, em áreas de excelência da economia rural cearense

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
(Atualizado às 06:10)
Legenda: A Faec quer fazer dos perímetros irrigados do Dnocs, que respira por aparelhos, centros de excelência da agricultura do Ceará
Foto: Honório Barbosa/ SVM
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Esta coluna pede um tempo para olvidar o que faz e diz o mercurial presidente Donald Trump e, também, os escândalos do Banco Master e do INSS, com suas gravíssimas implicações nos poderes da República – o Executivo, o Legislativo e, como incrível novidade, o Judiciário – para tratar, novamente, das metas da agropecuária do Ceará para este e os próximos anos.  

Mas é preciso logo adiantar que tudo dependerá das chuvas, que já deveriam estar caindo sobre a geografia cearense, e da conclusão dos trabalhos de instalação, na Estação de Bombeamento de Salgueiro (PE), de mais duas bombas que dobrarão a vazão das águas do Canal Norte do Projeto São Francisco em direção à barragem cearense, de Jati, no limite Sul do Ceará com Pernambuco. 

Vamos por parte, como ensinam os esquartejadores. Um objetivo da Federação da Agricultura e Pecuária do Ceará (Faec) é obter a gestão de alguns perímetros irrigados instalados na geografia cearense e administrados pelo Dnocs, que, respirando por aparelhos na UTI do governo federal, onde se encontra há três lustros, recusa a proposta sob o argumento de que só ele tem expertise em irrigação. Nada mais falso: com efeito, o Dnocs já foi, até há pouco tempo, uma autêntica academia do semiárido, mas a má política e os maus políticos o conduziram ao estado de vida vegetativa em que se encontra hoje.   

O que pretende a Faec com os perímetros irrigados? Torna-los no curto prazo, na teoria e na prática, áreas de excelência da economia rural do Ceará, o que, no espaço e no tempo, é algo 100% viável. Os 14 perímetros irrigados que o Dnocs tem na geografia cearense podem – se passarem por uma radical transformação, desde a troca de gestão até a mudança dos tipos de culturas existentes – acelerar o projeto de multiplicação das exportações do agro estadual.  

A meta da Faec é alcançar US$ 1 bilhão (R$ 5,38 bilhões) em exportações do agro do Ceará, incluindo tudo – frutas, pescados, camarão, plantas e flores ornamentais, coco e água de coco, por exemplo. Para que essa meta seja alcançada, será necessário substituir por outras de alto valor agregado as atuais culturas, que nada ou quase nada acrescentam à produção do agro do Ceará.  

A Secretaria Executiva do Agronegócio da Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE) já se aliou à Faec nesse projeto, e para isto espera, até março, que cheguem aqui os técnicos da norte-americana Emcocal, que farão pesquisas na Serra da Ibiapaba para a produção de berries (mirtilos, morangos vermelhos e brancos, fambroesas e amoras).  

A SDE e a Faec não têm dúvida quanto ao sucesso dessas pesquisas, que farão do Ceará um polo produtor e exportador dessas frutinhas para o mercado externo. A mesma Emcocal já mostrou todo o seu interesse de produzir e exportar berries na Ibiapaba e noutras regiões do estado cujo solo e clima se adaptem a essas culturas. 

No ano passado, um fato importante aconteceu para viabilizar ainda mais a meta exportadora da Faec: a Itaueira Agropecuária começou a produzir e a exportar melões e melancias em sua nova fazenda cearense no distrito de S. João de Aruaru, no município de Morada Nova. Em uma área de 1.500 hectares, que serão 3 mil dentro de dois anos, a Itaueira, com o apoio de 1.500 colaboradores, está mudando o perfil econômico daquela região jaguaribana, e essa mudança prosseguirá quando a segunda etapa do seu projeto for iniciada daqui a 24 meses.  

(A propósito: a Itaueira tocou há uma semana o sino da Bolsa B3, em São Paulo, para anunciar a celebração de um contrato de financiamento de R$ 150 milhões com o banco Itaú BBA e a Caixa. Esses recursos serão empregados no desenvolvimento de novas tecnologias e em projetos de inovação que beneficiarão, também, suas fazendas de produção do Piauí, Bahia e Rio Grande do Norte, onde produz camarão gigante com a sua marca Rei). 

Mas a Faec mantém seus planos – apoiados sempre pela iniciativa privada e pelo governo do estado e o Sebrae – de tornar o Ceará um polo produtor de café e de algodão. Técnicos do Instituto de Assistência Tecnica do Espírito Santo, que já visitaram várias regiões cearense, já adiantaram que aqui, em se plantando, dá café de alta qualidade até para exportação. Quanto ao algodão, a fazenda Nova Agro, na Chapada do Apodi, tem provado, a cada ano, que os índices de produtividade da cotoninicultura cearense são semelhantes aos de Mato Grosso e do Oeste da Bahia.  

Estas são excelentes notícias. Mas, para que tudo se torne realidade, será necessária a chuva, de cuja água dependem 100% a agricultura e a pecuária do Ceará e do Nordeste. Já se passaram 20 dias de janeiro e, até agora, a chuva não veio.  

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