Omnia chama a indústria do Ceará para a construção do Data Center do Pecém
Foi ontem, na primeira reunião da diretoria plena da Fiec. O executivo da Omnia e o presidente da ZPE Ceará prenderam a atenção dos industriais com grandes notícias
Wellyson Costa, diretor da Omnia, que toca as obras de construção do primeiro grande Data Center no Pecém, e Fábio Feijó, presidente da ZPE Ceará, dissiparam ontem todas as dúvidas sobre a sustentabilidade ambiental do empreendimento, que, na primeira fase, absorverá investimentos de R$ 200 bilhões.
E mais: Costa convocou toda indústria do Ceará a participar, como fornecedora, da implantação dessa autêntica “casa de máquinas da Tecnologia da Informação”, como ensina o Google.
Tudo aconteceu na noite de ontem, segunda-feira, 19, durante a primeira reunião da diretoria plena da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), cujo presidente, Ricardo Cavalcante, disse que esse Data Center está sendo implantado no instante em que uma nova Ordem Mundial tenta substituir a desordem hoje existente na geopolítica global.
“O Data Center da Casa dos Ventos, Byte Dance e Ominia está sendo construído aqui porque se uniram o setor produtivo, liderado pela Fiec, o governo do estado e o governo federal para superar todas as dificuldades que se lhe antepuseram. Malásia, Noruega, Índia e Finlândia disputaram até o último minuto a localização desse empreendimento”, disse Ricardo Cavalcante, que, além dos presidentes dos 40 sindicatos filiados à Casa da Indústria, convocou, também, para a reunião de ontem os ex-presidentes da entidade, Beto Studart e Fernando Cirino.
Primeiro falou, sob profundo silêncio do lotado auditório do quinto andar da Fiec, o presidente da ZPE Ceará, Fábio Feijó. Ele prendeu a atenção de quem o ouvia com informações como estas: o Data Center do Pecém consumirá 1 GW de energia elétrica; isto é muito mais do que os 600 MW que hoje consomem todos os Data Centers em operação no Brasil; e toda essa energia será renovável, gerada pelos parques eólicos e solares fotovoltaicos da Casa dos Ventos em vários estados do Nordeste, inclusive o Ceará. Feijó também disse que o Data Center é meio e não fim, razão pela qual ele “será a isca para a atração de novos e grandes investimentos ligados à sua larga cadeia produtiva”.
O presidente da ZPE explicou o Plano Estratégico do projeto do Data Center, que “1) atrairá empresas Data Center Hyperscale com clientes das Big Techs e os maiores OTTs globais, e 2) criará um ecossistema de empresas de base tecnológica focadas em ‘Green Digital Tecnology’ ao redor dos Data Centers atraídos”.
Para isso, será promovida a integração da infraestrutura para transformação digital, atraindo investimentos em Data Centers e ampliação da cobertura 5G e fibra ótica; implementada a Educação e a Formação Digital por meio do que se executarão programas de formação e capacitação em Tecnologia da Informação (TI) e Inovação; executada a integração dos ecossistemas de inovação, criando um ambiente que favoreça a troca de experiências, incentive práticas integradas e impulsione negócios inovativos; facilitação da Digitalização da Economia do Complexo do Pecém, apoiando negócios locais na implementação de práticas digitais; e ampliadas as instalações do Porto do Pecém e da ZPE Digital, fomentando a integração entre a tecnologia e as empresas gestoras do Complexo do Pecém, “modernizando as práticas da gestão destes entes para a prestação de serviços mais fluidos, eficientes e com menor custo global possível”.
O Data Center da Casa dos Ventos-Byte Dance-Omnia – informou Feijó, ocupará uma área de 164 hectares na geografia da ZPE. Nessa área estará, também, o seu setor de exportação de serviços.
Após a exposição do presidente da ZPE Ceará, falou Wellison Costa, alto executivo da Omnia, com larga experiência na implantação de grandes projetos no Brasil e em vários países. Ele é quem comanda a construção do Data Center na ZPE do Pecém.
Costa começou dizendo que a Omnia foi criada pelo Pátria – o maior fundo de investimento do país exclusivamente para a implantação de Data Centers no Pecém. E exibiu um slide com informações que encheram de alegria os industriais que o ouviam, também em respeitoso silêncio. Ele disse a Ominia conta com investimentos do Fundo Pátria, cujo patrimônio é hoje de US$ 45,8 bilhões, com aplicações principalmente na infraestrutura.
Após dois anos de desenvolvimento o Pátria lançou a Omnia, uma nova empresa de Data Centers. Wellison Costa exibiu outro slide, que diz o seguinte: “O projeto Data Center Pecém está em desenvolvimento há mais de dois anos, tendo a Casa dos Ventos como parceiro estratégico.” Ele terá “conectividade de fibra submarina de alta capacidade para os EUA, Europa, América Latina e África, para ser usado como uma plataforma global com eficiência tributária”. Está dito ainda que “a Omnia opera todo o escopo dos requisitos de infraestrutura do Data Center.” A Omnia á responsável pelo licenciamento ambiental, conexões de energia, obras civis, infraestrutura MEP (mecânica, elétrica e hidráulica), sistemas de refrigeração, segurança e monitoramento, conectividade gerenciada e O&M.
O investimento total na implantação do Data Center alcançará a montanha de R$ 200 bilhões, dos quais R$ 12 bilhões somente em infraestruturas. Serão ainda investidos na primeira fase R$ 80 milhões para levar a baixa latência de Fortaleza (entroncamento de cabos submarinos na Praia do Futuro) para o Pecém. Outra notícia que o executivo da Omnia transmitiu e que alegrou o auditório foi a seguinte: a empresa construirá, na segunda fase do projeto, uma nova subestação de alta tensão no Complexo do Pecém, que será doada.
Wellyson Costa também revelou que, na primeira fase, serão investidos R$ 3 bilhões na constrição de parques eólicos e solares no interior do Ceará, “gerando emprego e renda no sertão cearense”, como ele fez questão de dizer.
Neste ponto, Costa disse, com todas as letras:
“Nós estamos convocando a indústria do Ceará para que nos ajude a construir o DataCenter. Vamos investir, na primeira fase, R$ 4 bilhões na aquisição de produtos e serviços para a implementação do nosso empreendimento. E teremos uma política de compras locais, e os senhores e suas empresas podem ser nossos fornecedores, e para isso nós contamos com o apoio da Fiec e da Associação das Empresas do Complexo do Pecem (Aecipp)”. Houve aplausos.
Ele disse que a Omnia já está pressionada pelo cronograma do projeto, que prevê a entrega periódica do que pode ser chamado de salas de operação do Data Center. No quarto trimestre do próximo ano, está prevista a inauguração da primeira sala com 40 MW; no segundo trimestre de 2028, outra com 60 MW. A capacidade total de TI será de 984 MW.
E qual será mesmo o consumo de água desse Data Center. Wellison Costa disse que será de 3 metros cúbicos por dia. E repetiu: “Por dia”. Os empresários da construção civil logo disseram em alta voz: “Mas isso é o consumo de um prédio de apartamentos de 11 andares com dois apartamentos por andar”. Verdade.
Costa explicou que o Data Center do Pecém utilizará a mais nova e moderna tecnologia de resfriamento de suas salas. A água girará permanentemente, num processo que reduz ao mínimo o seu uso, “e disto os cearenses podem ter certeza”.