Diferenças entre os socialistas chineses e os socialistas brasileiros

Governado desde 1949 por partido único, o PCC, a China trocou há 30 anos o comunismo de Mao pelo pragmatismo de Deng Xiaoping e Xi Jinping. E abriu-se ao livre mercado.

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
(Atualizado às 05:01)
Legenda: Os modernos trens da China circulam a 350 quilômetros por hora, transportando passageiros em todas as direções do país
Foto: Divulgação
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Este colunista é um voraz consumidor de notícias que vêm da China e, pela CGTN (China Global Television Network), a Rede Globo chinesa, vê, diariamente, o que se passa naquele gigante asiático, que, em apenas 30 anos, construiu uma incrível infraestrutura de transporte rodoviário, ferroviário, aeroviário e marítimo, modernizou suas cidades – as pequenas incluídas, deu-lhes uma rede hospitalar que cresce, investiu na educação (as crianças aprendem, obrigatoriamente, a falar inglês), na ciência, na tecnologia e na inovação. Não houve um milagre chinês, o que aconteceu lá foi a decisão política, tomada em 1978 pelo líder Deng Xioping, de levar a economia do país para o livre mercado. E a China, que era fechadíssima, abriu-se para receber as empresas capitalistas, a começar pelo McDonalds. 

Primeiro, os chineses literalmente copiaram o que fazia o Ocidente, principalmente os EUA. Depois, tendo aprendido como tudo era feito, passou a fazê-lo. Keyu Jin, professora nascida na China, graduada nos EUA e hoje lecionando no Reino Unido – diz no seu livro “A Nova China, para além do socialismo e do capitalismo” que, “agora, a missão da China está se deslocando de volta para um objetivo nacional coletivo estabelecido há 40 anos: o conceito de ‘prosperidade comum’, defendido por Deng Xiaping, tornou-se uma meta política emblemática para o presidente Xi Jinping”, pois “o estado chinês sente-se obrigado a fornecer um nível básico de bem-estar para todos os seus cidadãos”. 

Se a China tivesse organismos de defesa do meio ambiente com os mesmos rigores dos que têm os do Brasil, ela não seria a potência que é hoje – a segunda maior economia do mundo, muito perto de tornar-se a primeira; uma força militar que investe na construção de submarinos, porta-aviões, caças de guerra, mísseis e na manutenção do seu arsenal atômico; não teria construído, cortando florestas e montanhas, a maior e mais fantástica malha rodoviária e ferroviária do mundo, com trens de passageiros que correm a 350 km por hora; não teria instalado um complexo de exploração do espaço que mandará um chinês à Lua dentro de três anos.  

Diante de tudo o que está acima exposto, surge a pergunta: serão os socialistas chineses mais inteligentes do que os socialistas brasileiros? A resposta é sim. Os socialistas chineses queriam possuir, e agora o possuem, quase todas as virtudes criativas do Ocidente, inclusive as roupas, (reparem que Xi Jinping deixou de lado o estilo Mao de vestir e optou pelo terno escuro e gravatas vermelhas ou azuis, com os quais aparece, elegantemente, em todos os eventos, exibindo, orgulhosamente, os sinais exteriores de riqueza e progresso da sua China). 

Os socialistas brasileiros, em vez de copiarem Xi, preferem seguir a cartilha do socialismo castrense de Cuba, que, instalado em 1959 em Sierra Maestra, levou o país a nenhum lugar. Pelo contrário, fez Cuba ser o que é hoje, uma ilha linda por natureza, mas paupérrima por culpa dos que, subordinados a uma ideologia retrógrada, a dirigem há mais de 60 anos, mantendo encarcerados centenas de presos políticos oposicionistas (o governo chinês trata da mesma maneira os que ousam opor-se a ele, algo que também acontece em ditaduras capitalistas). 

Tomemos o caso do Data Center que as brasileiras Casa dos Ventos e Omnia, apoiados pelo Fundo Pátria, e a chinesa Byte Dance, dona do Tik Tok e cliente exclusiva do futuro equipamento, estão a construir no Complexo do Pecém. As empresas empreendedoras enfrentam severa marcação de militantes ambientalistas, que parecem ser contrários ao desenvolvimento econômico, científico e tecnológico do Ceará e do Brasil. Se fosse na China, esse Data Center já estaria pronto e em operação. Simples assim. 

(A China tem investido pesadamente na implantação de projetos de geração de energias renováveis, a solar e a eólica onshore e offshore destacadamente, e na redução da emissão de gases de efeito estufa. E amplia a presença de ônibus, caminhões e carros de passeio elétrios. Mesmo assim, ainda tem indústrias poluidoras). 

Como disse o presidente da Fiec, Ricardo Cavalcante, ao abrir segunda-feira, 19, a primeira reunião do ano da diretoria plena da entidade, “o mundo mudou e segue mudando, redesenhando a geopolítica”, agora impulsionada pelos velocíssimos avanços tecnológicos aos quais se somou a Inteligência Artificial.  

“Não podemos ficar atrasados! Somos desafiados hoje, aqui no Ceará, a embarcar nesse trem do progresso, sob pena de sermos engolfados pelo bafo do atraso”, concluiu Ricardo Cavalcante sob aplausos dos industriais que participaram da reunião. 

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