Três cidades do CE sofrem com demissões na indústria metalmecânica; veja locais

Foram registradas aos menos 165 demissões em três empresas do setor metalmecânico

Escrito por
Letícia do Vale leticia.dovale@svm.com.br
Trabalhador da indústria metalmecânica utiliza uma esmerilhadeira para cortar uma barra de metal em oficina industrial, com faíscas visíveis, usando luvas e óculos de proteção.
Legenda: Setor de Fabricação de Máquinas, aparelhos e Materiais Elétricos tem maior queda no Ceará.
Foto: Divulgação/Arquivo Diário do Nordeste.

A queda na produção industrial do Ceará tem resultado em demissões em algumas empresas do setor, principalmente, no segmento de fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos.

Segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Ceará (Sindmetal-CE), Francisco Silveira, de novembro de 2025 a janeiro deste ano, foram ao menos 165 desligamentos no Estado na indústria metalmecânica, impactando diretamente três municípios. 

Conforme a Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física Regional (PIM-PF REG), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o setor de Fabricação de Máquinas, Aparelhos e Materiais Elétricos apresentou a maior queda entre os segmentos da indústria de transformação no Ceará (-25,6%), entre novembro de 2024 e novembro de 2025.

Quais empresas demitiram no Ceará?

Segundo Silveira, a empresa Vestas, especializada em energia eólica e com sede no município de Aquiraz, no Ceará, teve cerca de 100 demissões em novembro de 2025. 

Questionada, a Vestas não confirmou o número de desligamentos. Em nota enviada ao Diário do Nordeste, a empresa declarou, na realidade, fazer sempre “ajustes na operação, como parte da gestão contínua da nossa estrutura. Esse é um processo regular de adequação de capacidade à dinâmica do mercado”.

A companhia também ressaltou estar confiante e “vendo sinais concretos de retomada do setor”.

Como exemplo, a empresa citou o novo projeto eólico de 828 MW, anunciado em dezembro com a Casa dos Ventos. “A empresa segue operando normalmente no País e mantém sua estratégia de crescimento”, completa. 

Além da Vestas, a produtora de eletroportáteis Mallory, localizada na cidade cearense de Maranguape, apresentou entre 20 e 40 desligamentos já em janeiro deste ano. 

A Mallory também foi procurada para esclarecer as demissões, no entanto, não respondeu às perguntas até o momento da publicação desta matéria. 

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De acordo com Silveira, outra consequência da crise foi o fechamento da empresa Carone, especializada na fabricação de cadeiras de rodas e outros produtos de auxílio na locomoção.

Ele informou que o fim do empreendimento em Caucaia teria resultado na demissão de 25 trabalhadores

A equipe de reportagem tentou contato com a empresa Carone via ligação e mensagem, mas não obteve retorno. 

A Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) também foi questionada acerca do panorama atual da indústria cearense e sobre o que explica esses resultados negativos, mas nenhuma resposta foi enviada. 

Em caso de retorno, essa matéria será atualizada. 

Veja empresas e cidades impactadas

  • Vestas - Aquiraz
  • Mallory - Maranguape
  • Carone - Caucaia

Produção industrial cearense cresce abaixo da média nacional

O resultado mais recente da PIM mostrou perdas significativas na produção industrial cearense. Segundo o estudo, de outubro a novembro de 2025 a produção industrial do Estado registrou a 3ª maior variação negativa (-2,6%) entre as regiões pesquisadas

Já entre novembro de 2024 e novembro de 2025, o índice do Ceará apresentou queda de 5%, enquanto no acumulado do ano de 2025, até novembro, a variação foi de -0,9%

Todos esses índices estão abaixo da média nacional, que registrou, respectivamente, os resultados de 0%, - 1,2% e 0,6% para os critérios citados. 

No que tange os setores da indústria de transformação cearenses, a maioria deles apresentou queda no nível de produção entre novembro de 2024 e o mesmo mês de 2025. Desses, as três maiores variações negativa foram:

  • Fabricação de Máquinas, aparelhos e Materiais Elétricos (-25,6%);
  • Produtos Têxteis (-23%);
  • Produtos Químicos (-18,8%).

O Diário do Nordeste procurou o Sinditêxtil e o Sindiquímica para comentarem sobre esses resultados, mas não obteve respostas até o momento da publicação desta matéria. Em caso de novidades, o conteúdo será atualizado. 

Competitividade com mercado externo motivaria a crise

Na visão do presidente do Sindmetal, Francisco Silveira, o que mais prejudica o setor industrial de material elétrico, como a produção de torres eólicas e empresas de eletrodomésticos, é a alta competitividade com o mercado externo, principalmente em relação aos produtos vindos da China que entram no País a preços baixos. 

A justificativa seria a mesma para o encerramento das atividades da Carone, indica ele. 

“A solução para isso que a gente vê é que tem que fechar um pouco a porta para a entrada desses produtos de outros países. Agora entra com um custo muito baixo, até às vezes com isenção de imposto, então deixa o mercado interno não competitivo e com uma queda bem significativa na produção”, salienta. 

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