Funcionários estão sendo desligados
Quixadá. Após oito anos de operações, a usina da Petrobras Biocobustível, construída no distrito de Juatama, neste município, iniciou o processo de encerramento de suas operações, que deve durar seis meses. Um funcionário que pediu para não ser identificado revelou que o processo de desligamento de funcionários já começou.
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O movimento no local ontem já era bem menor do que o habitual. As máquinas de operação estavam desligadas e o silêncio era quase absoluto em meio aos monólitos quixadaenses. A área de estacionamento estava praticamente vazia, com apenas cinco caminhões.
No estacionamento reservado para funcionários, apenas 12 carros tomavam o espaço, deixando dezenas de outras vagas livres, em um sinal de que o efetivo de trabalhadores da unidade já havia sido reduzido.
Não havia nenhum impedimento para entrar na usina. A reportagem do Diário do Nordeste esteve durante toda a tarde de ontem em frente à usina, e na guarita de segurança da entrada principal não havia segurança. O acesso estava liberado.
Últimos carregamentos
Conforme o mesmo funcionário, a produção de biocombustível já havia se encerrado desde a semana passada, versão confirmada por Celena do Nascimento, de São Luiz, esposa de um caminhoneiro. "Eles estão vindo apenas para levar os últimos carregamentos de biocombustível que estão armazenados, para poder armazenar os tanques", disse. Celene avalia que a situação, que já é difícil, se torna ainda mais complicada com o fechamento da usina cearense. "Essa classe de caminhoneiro já é desvalorizada. O trabalho que a gente faz é esse, é daqui que a gente tira o sustento, e fechar um negócio desses vai ser ainda pior".
Visita
Uma comitiva do campus do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) de Quixadá visitou, ontem, a sede da usina. "É uma visita de despedida, uma visita que a gente jamais queria fazer. A gente veio demonstrar nossa solidariedade pelo momento difícil, mas também viemos mostrar nosso desapontamento pela decisão", disse Helder Caldas, diretor do campus do IFCE no município.
"A usina teve um papel muito importante. Nós mesmos temos vários cursos que foram criados por causa dessa usina. É uma tristeza", acrescentou o diretor.