Empresas cearenses na Bolsa encerram o ano com rendimento três vezes maior que Ibovespa

Novo Índice de Ações Cearenses (IAC) desenvolvido pela Unifor monitora o desempenho das ações das oito empresas de capital aberto com sede no Ceará

Legenda: Somente nos últimos três anos, quatro empresas cearenses abriram capital em bolsas de valores: Hapvida, Arco Educação, Pague Menos e Aeris
Foto: Samuel Quintela

As empresas com sede no Ceará listadas em bolsas de valores são boas apostas para investidores. Isso porque a valorização delas foi três vezes maior que a do Ibovespa, principal índice da B3, em 2020. Além disso, elas também apresentam menor risco quando comparadas às empresas monitoradas pelo índice nacional.

Segundo o Índice de Ações Cearenses (IAC), indicador criado pelo curso de Ciências Econômicas da Universidade de Fortaleza (Unifor) para monitorar os ativos de empresas cearenses, em conjunto, os negócios locais com capital aberto acumularam rentabilidade de 8,59% em 2020, enquanto o Ibovespa apresentou alta de 2,88% no mesmo período.

Entram no cálculo do indicador oito empresas cearenses listadas na B3 e na Nasdaq: Arco Educação, Aeris, Banco do Nordeste, Enel Ceará (Coelce), Grendene, Hapvida, M. Dias Branco e Pague Menos.

Os negócios do Estado já haviam registrado retorno maior que o principal índice da bolsa em 2019, quando o IAC apresentou alta de 75,03% contra 31,95% do Ibovespa. O mesmo ocorreu em 2017 (38,02% contra 26,86%), em 2016 (40,13% contra 38,93%), em 2013 (15,41% contra -15,50%) e em 2012 (65,95% contra 7,40%).

Economia local

O economista e professor Ricardo Eleutério, um dos líderes do desenvolvimento do IAC, ressalta que esse destaque no retorno das ações de empresas do Estado demonstra a pujança da economia do Ceará. “Recentemente, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontou que Fortaleza ultrapassou Salvador e se tornou a maior economia do Nordeste. O PIB (Produto Interno Bruto) é a soma das riquezas produzidas pela sociedade, inclusive pelas empresas”, aponta. Mesmo com o índice positivo, nem todas as empresas conseguiram fechar o ano com rentabilidade no azul. A Grendene, por exemplo, apresentou queda de 31,76%. Outras quatro empresas ficaram no negativo: Banco do Nordeste (-19,99%), Pague Menos (-13,27%) e M. Dias Branco (-10,72%).

Apesar disso, o índice ainda apresentou variação positiva pela força da alta das outras quatro. A Aeris encerrou o ano de 2020 com disparada de 63,93%, seguida pelo Hapvida (19,41%) e pela Arco Educação (2,55%).

A Enel Ceará possui dois códigos diferentes na B3, o COCE 3 e o COCE5. Allisson Martins, economista e também integrante da equipe que lidera o projeto, explica que o primeiro é um código de ação ordinária, que permite ao acionista o direito a voto, enquanto o segundo é referente a ações preferenciais, que proporcionam ao acionista a preferência na distribuição dos lucros. Conforme dados do IAC, o COCE5 apresentou queda de 3,86% no ano, enquanto o COCE3 teve alta de 39,62%. “Basicamente, isso decorre do mercado, maior demanda pelas ações da COCE3 fez o ativo se valorizar. E o processo inverso da COCE5. Como COCE3 tem maior peso, fez com que a Coelce apresentasse elevação no seu valor de mercado”, explica.

Durante a pandemia, Martins aponta que as empresas cearenses se recuperaram de forma mais rápida que a média dos negócios brasileiros, medida pelo Ibovespa. Enquanto o principal índice da B3 só conseguiu voltar a ser positivo em dezembro, os negócios locais iniciaram a retomada já em abril. “As empresas cearenses tiveram resiliência durante esse período difícil, primeiro de não cair tanto quanto o Ibovespa, segundo pela maior celeridade na recuperação dos ativos”, avalia. Em março, mês em que foi confirmado o primeiro caso de Covid-19 no Estado, o IAC caiu 15,29% contra 37,03% do Ibovespa.

Risco

Martins acrescenta que outro ponto importante no perfil das empresas monitoradas pelo IAC está relacionado à redução de riscos. “Quando se compra ação, o comportamento dela é volátil, pode subir e pode cair. O desvio padrão do IAC indica que as empresas cearenses são mais previsíveis. Para aquelas pessoas que não gostam de correr tanto risco, é uma característica interessante”, afirma.

Conforme dados do indicador, o desvio padrão cearense é de 6,67%, enquanto o do Ibovespa chega a 7,26%. A Enel Ceará – COCE5, é a empresa com a menor volatilidade medida pelo desvio padrão, com 6,63%. Também ficam abaixo da casa de dois dígitos as ações da Grendene (7,88%), Pague Menos (8,13%) e M. Dias Branco (8,50%). Já na ponta oposta, a Aeris apresenta desvio padrão de 35,82%, seguida da Arco Educação (14,43%), Banco do Nordeste (14,05%), Enel Ceará – COCE3 (12,38%) e Hapvida (10,16%).

Martins ainda indica outro dado que confirma o risco menor das empresas cearenses, o chamado coeficiente de variação. Ele explica que, nesse caso, as empresas que apresentarem coeficiente menor que um têm menos volatilidade, enquanto as com índice mais elevado apresentam mais risco.

No acumulado dos últimos 48 meses, o risco sistemático do IAC tem coeficiente de 0,5147, com os menores registrados pelo Banco do Nordeste (0,3609), Enel Ceará – COCE5 (0,5511), Grendene (0,5999) e Hapvida (0,6956). As demais ficaram com 0,7708, no caso da M. Dias Branco, Enel Ceará – COCE3 (0,8169), Pague Menos (0,8471) e Aeris (0,9882).

Atualização

Ainda segundo Martins, o IAC tem atualização diária, de forma a permitir a comparação do seu resultado com os principais índices do mundo nos mais diversos recortes temporais. Os resultados devem entrar no ar até o fim da primeira quinzena de janeiro e poderão ser acompanhados na aba do Núcleo de Práticas em Economia (Nupe) no site da Unifor. “A ideia é todo mês divulgar um boletim com os principais pontos do período”.

Ele também ressalta que o IAC não é uma recomendação de investimentos, tendo em vista que os retornos passados registrados no índice não são garantia de retornos futuros.

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