Com pandemia e dólar alto, brasileiros mandam menos dinheiro para outros países

As remessas de brasileiros que moram fora ou estrangeiros que mandam dinheiro ao país aumentaram depois do início da pandemia. Em agosto, o valor foi 15% maior que no mês anterior e 11% superior ao mesmo período de 2019.

Com o dólar alto e a renda menor em decorrência da pandemia, as remessas de brasileiros para fora do país seguem em ritmo menor que o observado no ano passado. Em agosto, segundo dados divulgados pelo BC (Banco Central) nesta quarta-feira (23), foram enviados US$ 107,7 milhões a outros países, 24% a menos que no mesmo período de 2019.

Em julho, o volume de recursos enviados por meio de transferências pessoais chegou a US$ 119,3 milhões, patamar mais próximo ao observado antes da crise, mas voltou a cair em agosto.

Em abril e maio, meses em que a economia foi mais afetada pela pandemia, os montantes enviados caíram abaixo de US$ 100 milhões, para R$ 71,7 milhões e R$ 84,8 milhões respectivamente.

"A desvalorização do real impacta diretamente esta conta. Normalmente são estrangeiros que moram aqui e mandam recursos para a sua família lá fora, ou brasileiros que têm familiares em outros países. Se eles recebem em reais e mandam uma quantia fixa por mês, com o dólar mais alto, esse valor fica menor", explicou o chefe do departamento de estatísticas do BC, Fernando Rocha.

Desemprego

Além disso, o desemprego aumentou e muitos perderam renda durante a crise e o fechamento dos comércios.

"O conceito de transferências pessoais é que são pessoas físicas que mandam dinheiro para outras pessoas", esclareceu Rocha.

No segundo trimestre do ano, os recursos enviados do Brasil para totalizaram US$ 263 milhões, quase a metade do registrado no primeiro trimestre (US$ 446 milhões).

As remessas de brasileiros que moram fora ou estrangeiros que mandam dinheiro ao país, entretanto, aumentaram depois do início da pandemia. Em agosto, foram US$ 317,6 milhões, 15% a mais que no mês anterior e 11% superior ao mesmo período de 2019.

"A desvalorização do real também impacta nesse montante. Mesmo que os valores sejam apurados em dólar, dá um incentivo a mais para aqueles que trabalham em outro país mandarem recursos porque vão valer mais aqui", justificou o técnico do BC.

Com isso, no mês, as transferências pessoas tiveram, em valor líquido (entradas menos saídas), resultado positivo em US$ 209,9 milhões, o maior desde agosto de 2007.

Viagens

Além da renda menor e do dólar alto, o risco de contágio e as limitações de locomoção durante a pandemia fizeram com que as viagens internacionais permanecem em baixa em agosto. Na comparação o mesmo mês de 2019, houve redução de 79% nos gastos de brasileiros lá fora, com US$ 269 milhões.

Na mesma comparação, os gastos de turistas estrangeiros no Brasil caíram 68%, com US$ 146,3 milhões. Em agosto do ano passado, os gastos de turistas estrangeiros no Brasil foram de US$ 1,3 bilhão e de brasileiros lá fora foram de US$ 467 milhões.

Em relação a julho, no entanto, houve leve melhora. Os brasileiros desembolsaram 4,2% a mais em outros países e os gastos de turistas estrangeiros no Brasil cresceu 0,9%.

"Não é surpresa, este foi um dos setores mais impactados pela pandemia, que teve como sua maior consequência restrições na mobilidade", argumentou Rocha.

Dados preliminares da autoridade monetária, até a última sexta-feira (18), mostram que os brasileiros gastaram US$ 203 milhões em viagens internacionais, enquanto estrangeiros desembolsaram apenas US$ 95 milhões no país.

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