Com painéis solares, clientes veem conta de energia cair até 95%

Procura por painéis fotovoltaicos tem crescido tanto por parte de empresas como de pessoas físicas

Escrito por Heloisa Vasconcelos, heloisa.vasconcelos@svm.com.br

Negócios
Legenda: A arquiteta Rose Barbosa viu sua conta cair de R$ 2.000 para R$ 300
Foto: Fabiane de Paula

A instalação de placas fotovoltaicas tem levado cearenses a economizar na conta de luz. A geração própria de energia não chega a zerar a tarifa paga mensalmente, mas pode levar a uma economia de até 95% a depender da residência. 

Foi o caso do empresário Euram Filho, de 39 anos. Ele instalou o equipamento na própria residência em fevereiro de 2020 e reduziu a conta de luz que girava entre R$ 1.800 e R$ 2.000 para o patamar de R$ 200, uma economia de 90%. 

“Minha experiência está dentro do desejado, do planejado. É algo interessante, eu indico. Se a pessoa tem uma visão de médio e longo prazo, em pouco tempo já tem retorno do investimento, já que energia você iria pagar para sempre”, destaca. 

O Ceará já é o primeiro estado do Nordeste em potência instalada de energia solar, de acordo com dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar). Já são 316,5 MW produzidos no estado

A demanda é crescente para empresas que oferecem o serviço. O aumento nas tarifas de energia durante a pandemia e o novo Marco Legal da Geração Distribuída no Brasil, aprovado no início deste ano, incentivam a procura. 

Economia e sustentabilidade 

A arquiteta Rose Barbosa, de 61 anos, decidiu optar pela energia solar após instalar seu escritório em casa, devido à pandemia. O equipamento está instalado há 8 meses e já deu para perceber a economia na hora da conta de luz. 

Estou muito satisfeita, minha conta de energia a parte de consumo zerou, eu produzo até mais do que eu preciso porque no final de ano quando recebo mais pessoas aumenta o consumo. Esse ano não tive problemas porque a energia solar supriu todos os meus consumos, inclusive os excessos
Rose Barbosa
arquiteta

A conta de energia saía mais caro no fim do ano, quando ela costuma receber visitas.  Com um consumo ela pagaria de R$ 1.800 a R$ 2.000 normalmente, a conta de dezembro do ano passado saiu por R$ 300. 

Foto: Fabiane de Paula

Não há como zerar a conta de luz como um todo, já que mesmo com as placas fotovoltaicas ainda é necessário pagar taxa de disponibilidade de rede e iluminação pública. Mesmo assim, a arquiteta considera que o investimento vale a pena tanto no bolso como considerando a questão ambiental. 

“Seja financiado ou com recurso próprio, tem um payback muito rápido, muito bom, e o planeta agradece”, incentiva. 

A economia ficou próxima de 95% no caso do empresário Lincoln Castro, de 36 anos, que instalou o equipamento em sua empresa. A conta de R$ 5.000 baixou para em torno de R$ 300 mensais. 

O equipamento foi instalado em 2018 e o valor foi pago por meio de financiamento. Segundo o empresário, ele conseguiu condições em que as parcelas ficassem próximas ao valor que era pago com a conta de energia. 

“A minha experiência está sendo muito positiva. No começo a gente tem que aprender algumas coisas como quando é necessário realizar limpeza, prestar atenção na geração de energia para saber se quando a geração baixa é necessária alguma manutenção, o que possa ter acontecido. Mas de maneira geral estou bem satisfeito”, conta. 

Aumento na procura 

O engenheiro mecatrônico e proprietário da Panda Energia Solar, Jefferson Neri, afirma que a demanda está aquecida e deve continuar alta até o fim deste ano. O número de projetos por mês aumentou 100% do ano passado para cá. 

A gente trabalha desde 2018 e a demanda tem subido cada vez mais, o valor da energia só sobe. Aquelas desconfianças de antigamente, que o pessoal achava que não funcionava. Agora quem tem, 100% fica satisfeito
Jefferson Neri
proprietário da Panda Solar

Segundo ele, este é o momento ideal para quem quer contratar um projeto de energia solar, já que o novo marco legal permite isenção de tarifas até este ano. 

O diretor comercial da ST Solar, Miqueias Torres, também chama atenção para a nova lei. Ele conta que a demanda por placas fotovoltaicas exige do mercado uma adaptação. 

“Os clientes sabendo que adquirindo o produto ainda esse ano tem direito por 25 anos, está tendo uma explosão de procura ao ponto de não termos profissionais qualificados nem para vender nem para instalar. Estamos criando cursos para capacitar e jogar profissionais no mercado”, aponta. 

Na ST Solar, o número de vendas de 2022 já dobrou o registrado no mesmo período de 2021.