Geração própria de energia pode dobrar em 2022 com novo Marco Legal

Segundo especialistas do setor de energia, mercado deverá ver um sprint final neste ano em busca de isenção de tarifa que vai até 2045, dando mais viabilidade aos investimentos

Legenda: Segundo dados da Aneel, o Ceará conta com 25.301 usinas de geração distribuída, com uma potência instalada de 320,890 MW
Foto: Kid Junior

Com a sanção do Marco Legal da Geração Distribuída, o mercado de geração própria de energia deverá ganhar uma nova força no Brasil e no Ceará, com especialistas prevendo um incremento de 100% na potência instalada ainda em 2022 na comparação com o ano passado.

A previsão otimista passa pela definição de uma regra que garante benefícios de longo prazo sobre pagamento da tarifa de rede, que deverá fazer até com que empresas no Estado adaptem a estratégia de contato com os clientes nos próximos meses. 

De acordo com Joaquim Rolim, coordenador do Comitê de Energia da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), empresas e pessoas deverão buscar cada vezes esse tipo de opção de geração própria de energia, dominada pela fonte solar fotovoltaica no Estado, porque a Lei 14.300/2021 garante condições especiais de longo prazo. 

Quem investir em uma usina própria de energia até o início de 2023, terá isenção total da tarifa de uso de rede de energia para concessionárias até o ano de 2045. Para quem aderir ao modelo de produtor e consumidor a partir de 2023 já estará sujeito a uma cobrança gradual da tarifa até 2028. 

Depois de 2028, será cobrado um valor que ainda está sendo estudado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). 

"Eu sou otimista e acho que teremos até mais de 100% de acréscimo de capacidade instalada em relação ao passado na geração distribuída. Há tempos atrás, nós fizemos uma avaliação ao nível mundial com o Sindienergia e verificamos que tínhamos de regulação no mundo. Nossa percepção é que a geração distribuída precisava de um marco legal e o mercado foi crescendo, precisando de mais capital. E esse marco deve nortear e dar segurança jurídica, ajudando os consumidores, investidores nos próximos anos", projetou Rolim. 

Atualmente, segundo dados da Aneel, o Ceará conta com 25.301 usinas de geração distribuída, com uma potência instalada de 320,890 megawats (MW). Desse total, 25,271 mil são de fonte solar e acumulam 306,138 MW. Outras 28 são usinas eólicas (14,607 MW), e 2 térmicas (0,145 MW). 

Considerando o mercado nacional, há mais de 795 mil usinas de geração distribuída, com uma potência de 8,88 gigawats (gW) instalada. A expectativa é que esse número chegue a 16 GW até o fim de 2022. 

Adaptações estratégicas

A perspectiva foi corroborada pelo engenheiro eletricista e diretor de geração distribuída do Sindicato das Indústrias de Energia e de Serviços do Setor Elétrico do Estado do Ceará (Sindienergia-CE), Hanter Pessoa. 

"O mercado está esperando um grande crescimento porque é um sprint final, até para não pagar o valor para a concessionária. A gente pensa quem tem viabilidade vai correr para fazer. Os contatos que começaram em dezembro não desistiram e não estão deixando para o próximo ano, porque estão começando a e entender que vale a pena".

Segundo o representante do Sindienergia, as empresas do setor já estão buscando entender os novos mecanismos do Marco Legal e deverão adaptar algumas estratégias para poder confirmar as vendas, apostando justamente nas condições especiais até 2023.  

"Tem muitos clientes perguntando para tirar dúvidas de quem já instalou e para quem. O cliente tem de entender que não estamos criando nada, é uma lei. Vai caber às empresas mostrar e explicar que não é conversa fiada. Esse crescimento de 100% é muito factível", disse. 

Preços de mercado

Atualmente, no mercado nacional, o investimento em usinas de geração distribuída varia de acordo com o consumo mensal de quilowatts-hora (kWh) de cada empresa ou residência. No Ceará, segundo Hanter, os valores aportados podem variar entre R$ 10 mil e R$ 20 mil para consumos não muito elevados. 

Confira uma estimativa de preços: 

  • 100 kWh - R$ 10 mil
  • 300 kWh - R$ 18 mil
  • 500 kWh - R$ 20 mil

Precauções necessárias

No entanto, Hanter Pessoa alertou que, com a expansão da demanda, muitos clientes poderão acabar contratando os serviços de uma empresa sem tanta qualificação técnica com objetivo de garantir o menor preço. 

Ele indicou a checagem dos quadros técnicos das empresas, avaliação de porrifólio, e a verificação de qualificações para cada tamanho de projeto antes da conclusão das negociações. 

"Estamos preocupados com a marginalização, pois tem muita gente migrando para o setor de energia solar, mas isso exige uma preparação e os entrantes, às vezes, não têm um treinamento técnico ou conhecimento das normas de segurança e isso pode ser um problema porque podemos ter painéis pegando fogo nos próximos anos", explicou. 

"É importante checar quantos projetos a empresa já fez, se tem profissional de engenharia, se tem acervo técnico, e outras questões", completou.