Aumento de custos da construção civil deixa imóveis e reformas mais caros

Comprar o imóvel próprio ou mesmo reformar está mais caro pelo aumento do preço de itens como o aço e o tijolo

Legenda: Projeção para os próximos meses não é positiva
Foto: Thiago Gadelha

Os altos custos de matérias-primas da construção civil têm pesado sobre os orçamentos do setor produtivo e do consumidor e já repercutem em aumento do preço de imóveis. Apenas em março deste ano, o Índice Nacional de Custo da Construção - M (INCC-M) apontou aumento de 2%, de acordo com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), acelerando a tendência de alta - em fevereiro, o avanço foi de 1,07%. 

No acumulado dos últimos 12 meses, o aumento dos custos para a construção já chega a 11,95% e a 4,04% no primeiro trimestre de 2021.  

O aumento também reflete sobre o Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M), também mensurado pela FGV, que subiu 2,94% no mês de março. O índice - referência muito utilizada no mercado imobiliário, como em contratos de aluguéis - acumula alta de 31,10% em 12 meses.  

Os valores são observados com preocupação por profissionais do setor. É o caso de Patriolino Dias, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Ceará (Sinduscon-CE). “Para se ter noção, o preço do aço e do tijolo aumentou 100% em um ano, o do cimento subiu 30%, mas está caindo”, afirma. O setor considera agora importar o aço

André Montenegro, vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), pontua que esses aumentos são “absurdos e injustificáveis”. “Alguns fornecedores se aproveitaram da situação e subiram o valor demasiadamente das matérias-primas. O custo de construção de uma casa de baixa renda, por exemplo, aumentou em 50%”, reclama.  

Peso no bolso do consumidor 

A situação ainda deve se agravar, conforme prevê Dias. “O preço do aço aumentou 50% nos últimos dois meses. Como algumas construtoras, ainda tinham estoque, não sentiram ainda tanto. Nossa preocupação é com os próximos meses, o que vai afetar mais ainda no custo dos imóveis”, alerta. 

De acordo com Montenegro, a alta cria um desequilíbrio financeiro para quem vende imóveis, que não consegue absorver esse custo e terá de aumentar o preço de venda. "Como o valor do salário-mínimo não subiu consideravelmente, isso está tirando várias pessoas da zona de compra. É um momento muito complicado”, diz.  

Mas não é só o aumento do valor dos imóveis que vai pesar no bolso do consumidor. Dias afirma ainda que quem está querendo reformar ou construir já sente as diferenças dos preços dos artigos. “Conheço pessoas que estão adiando a reforma e construção para ver se (os preços) arrefecem”.  

Mais dinheiro circulando 

Parte dessa situação ainda reflete impactos auxílio emergencial de 2020. Monenegro relembra que muitos dos beneficiários usaram parte do valor para reformar suas casas ou mesmo construir, o que aumentou a demanda por materiais de construção e, consequentemente, aumento de preços.  

Além disso, a procura por imóveis próprios também cresceu no ano passado. “Viram que realmente ter uma casa ou apartamento importa, principalmente, numa época de crise dessa. Teve uma demanda muito grande”, relata.  

 

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