Atividade econômica do Ceará supera média nacional em novembro

Desempenho da economia no Estado teve alta de 0,42% em novembro comparado a igual mês de 2019, segundo dados do Banco Central. Resultado foi superior ao do Nordeste (0,35%) e do Brasil (- 0,83%) no período

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Legenda: Resultado é puxado pela indústria, que apresentou um avanço de 40% do segundo para o terceiro trimestre
Foto: José Leomar

Confirmando a tendência de recuperação observada ao longo do segundo semestre de 2020, a atividade econômica no Ceará apresentou um crescimento de 0,42% em novembro, ante novembro de 2019. O resultado superou o desempenho registrado na média do Nordeste (0,35%) e do Brasil (-0,83%). No acumulado de 12 meses até novembro, no entanto, a atividade no Estado teve queda de 2,37%, ainda assim superando as performances nacional (-4,15%) e regional (-2,08%). Os dados são do Índice de Atividade Econômica Regional – Ceará (IBCR-CE), divulgados na terça-feira (19) pelo Banco Central.

Para o economista Ricardo Eleutério, membro do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), o Ceará vem se destacando ante outros estados, sobretudo, pelo plano de reabertura gradual da economia. Ele destaca ainda a boa situação fiscal do Estado, que permitiu a realização de investimentos públicos ao longo do ano e a atração de investimentos externos.

“O Ceará mostrou capacidade para fomentar investimentos e não tivemos recuos drásticos no processo de reabertura como ocorreu em outros estados”, destaca o economista.

Embora seja esperada uma queda do Produto Interno Bruto (PIB) estadual no ano devido ao impacto da pandemia, com o fechamento de atividades consideradas “não essenciais” no primeiro semestre, a expectativa é que o dado consolidado de 2020 mostre a atividade econômica no Ceará em um ritmo superior ao da média do Brasil e da região Nordeste. 

“Após forte retração nos meses de março e abril de 2020, observamos números crescentes neste indicador em quase todos os meses. De maio a novembro, somente o mês de setembro registrou número negativo (em comparação ao mês anterior)”, destaca o economista Allisson Martins, coordenador do curso de Ciências Econômicas da Universidade de Fortaleza.

No acumulado de janeiro a novembro, a atividade econômica no Estado apresentou queda de 1,9%, enquanto o Brasil registrou um tombo de 4,15% e o Nordeste teve queda de 2,08%, de acordo com o IBCR, elaborado pelo BC, que é considerado uma prévia do PIB. 

Entre os setores que vêm contribuindo de forma mais relevante para a recuperação econômica do Ceará, Martins destaca a indústria, que apresentou um avanço de 40% do segundo para o terceiro trimestre. “O comércio varejista também sinaliza recuperação no volume de vendas e vale salientar também a agropecuária, setor estratégico e essencial, que foi influenciado por boa quadra invernosa em 2020 e pela forte demanda de alimentos”, diz.

Expectativa para 2021

Para 2021, o Núcleo de Pesquisas Econômicas da Unifor estima que a economia cearense deverá crescer 4,1%, podendo chegar a 5,2% no cenário otimista ou a 3,1%, no cenário pessimista. “Isso é resultado do equilíbrio fiscal das contas públicas e da realização de investimentos, o que contribuirá de forma positiva na massa salarial e por consequência no consumo”, destaca Martins.

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